<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235</id><updated>2011-04-21T14:57:23.559-07:00</updated><title type='text'>Formação Socialista</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-4842118092089308742</id><published>2008-06-17T10:33:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:34:53.827-07:00</updated><title type='text'>Introdução - Porque e como estudar</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i&gt;Nereide Saviani&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;O marxismo-leninismo - sistema teórico que  compreende método, concepção de mundo, filosofia, ciência, política - é arma  indispensável aos comunistas. É a teoria do socialismo científico, bússola para  a ação revolucionária do proletariado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Marx, seu principal elaborador, estudou as origens  e o desenvolvimento da luta de classes, examinou a fundo as contradições do  capitalismo de seu tempo (meados do século XIX), apontando para a edificação de  uma sociedade mais justa, sem exploração do homem pelo homem. Engels - que  ajudou muito nessa elaboração, chegando a escrever com ele várias obras -  afirmava que "o socialismo, desde que se tornou uma ciência, precisa ser tratado  como tal, isto é, precisa ser estudado".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Lênin, grande líder revolucionário do início deste  século XX, aprofundou aspectos dessa teoria, especialmente sobre os fundamentos  da ação revolucionária do partido do proletariado. Ao propagar os ensinamentos  dos grandes mestres, enfatizava que a luta teórica - tal como as lutas econômica  e política - é uma das manifestações da luta de classes. Lembrava, então, que a  consciência socialista revolucionária não deriva simplesmente dos embates da  luta espontânea da classe operária.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ou seja, para compreender os interesses vitais do  proletariado e de sua missão histórica, os comunistas precisam unir a luta  concreta ao exame profundo dos fenômenos histórico-sociais. Precisam forjar-se  como intelectuais revolucionários de sua classe e isso exige o domínio da teoria  revolucionária.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Estudar o marxismo-leninismo é, portanto, uma  necessidade vital para os comunistas. Mas não nos interessa um estudo  simplesmente para "demonstrar conhecimentos", estudo abstrato. Também não se  trata de entender a teoria como fórmula acabada, solução para todos os problemas  ou modelo para o empreendimento da luta dos trabalhadores e sua organização. É  indispensável encarar o marxismo-leninismo como sistema teórico vivo, dinâmico,  que exige constante elaboração.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Começando pelos fundadores&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Apresentaremos orientações para o cumprimento de um  plano básico de estudo, seguindo um roteiro dirigido aos que iniciam o estudo  sistemático do marxismo-leninismo, mas que se presta também àqueles que já têm  uma formação. Para começar, destacamos algumas obras clássicas dos fundadores  desse sistema teórico - Marx, Engels e Lênin. Os textos serão examinados a  partir do contexto de sua produção, com reflexões sobre seu significado  histórico e sua atualidade. A trajetória proposta não segue uma ordem  cronológica, nem tem em vista fornecer uma visão panorâmica ou extensiva. Está  voltada ao desenvolvimento da consciência socialista, visando destacar aspectos  básicos do socialismo científico e sua aplicação ao campo da estratégia e tática  revolucionárias, bem como da concepção de partido do proletariado. A intenção é  estimular o conjunto da militância a buscar o domínio de conhecimentos  fundamentais e orientar a constituição de pequenas bibliotecas para os  organismos de base e comitês partidários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Estudo individual, reflexão  coletiva&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Sempre que se enfatiza a importância do estudo,  fala-se da necessidade de "fazer cursos". Estes, sem dúvida, ajudam a "organizar  as idéias", traçar as linhas gerais da teoria e seus temas básicos. Assim como  palestras, seminários e outras situações de debates contribuem para nossa  formação teórica, ideológica e política.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;No entanto, nada substitui o estudo individual. Ele  é indispensável à preparação e aprofundamento dos temas tratados, contribuindo  para o aproveitamento dos cursos e participação em debates.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A formação dos comunistas se sustenta nesses três  pilares: estudo individual, vida orgânica regular e cursos (ou atividades  sistemáticas de formação).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Enfrentar as dificuldades do  estudo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Estudar não é fácil. Quando não se tem o hábito de  estudo, fica-se impressionado ao pegar um livro. Pensa-se que só pode ser lido  por quem freqüentou escola durante muitos anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;No início surgem muitas dúvidas e dificuldades, mas  com o prosseguimento do estudo começa-se a compreender melhor os textos e a  assimilá-los. Acima de tudo é necessário ter vontade de aprender e não desistir  diante dos primeiros obstáculos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Estudo individual planejado, permanente e  metódico&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Que tal assumir um compromisso com o estudo? E se  experimentarmos encará-lo como uma tarefa a ser cumprida com o mesmo rigor que  todas as outras? Para isto, nada melhor que estabelecer (e seguir) um plano de  estudo individual. Convém definir um horário fixo para o estudo. Depois,  exercitar-se na concentração, disciplina e organização: evitando fatores de  dispersão; fazendo intervalos; providenciando antecipadamente todo o material  necessário; realizando anotações e fichamentos. Um bom começo será definir,  realisticamente, um mínimo de horas semanais a dedicar ao estudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Como estudar&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Estudar é procurar compreender o que se leu,  refletir sobre os assuntos abordados em um texto, reter o fundamental,  estabelecer relações com outras idéias lidas e ouvidas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Quando se pega um texto pela primeira vez, é  importante começar por uma leitura atenta, para se ter a visão de conjunto.  Geralmente, essa leitura leva à necessidade de consultar dicionários, anotações  de aulas/palestras e outras obras importantes para o entendimento das idéias  centrais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Depois, volta-se ao texto, várias vezes (conforme  necessário), para apreender sua mensagem, localizar idéias, fatos, informações e  exemplos. Durante a leitura, é conveniente assinalar as passagens mais  importantes e fazer anotações. Registrar palavras ou fatos desconhecidos,  dúvidas, idéias principais, argumentos, fatos e exemplos permite voltar e  refletir com maior facilidade sobre pontos importantes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;A partir das anotações, é possível fazer um resumo,  isto é, um texto menor, com as próprias palavras, trazendo as principais idéias  do que foi estudado. O resumo de cada texto lido ajuda a fixação e o  esclarecimento das idéias. Apresentando os pontos essenciais do pensamento do  autor e o registro de opiniões pessoais do leitor, o resumo possibilita o  desenvolvimento da capacidade crítica e do raciocínio independente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Persistir na reflexão e no debate&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;As dificuldades iniciais irão diminuir aos poucos,  com paciência e dedicação. Mas, é melhor não fechar-se em si mesmo! Levar as  dúvidas e dificuldades individuais para discussão no coletivo. Os camaradas mais  experientes ajudarão os principiantes. O plano individual terá mais resultado se  conjugado a um plano coletivo, do organismo, por exemplo, ou de grupos de  estudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Pode-se realizar, também, uma sessão de estudo em  grupo. Elege-se um coordenador e um secretário. Os participantes  apresentam/discutem dúvidas, fazem comentários e decidem se devem voltar ao  texto individualmente e realizar novas sessões. Se necessário, solicita-se a  presença de alguém que tenha mais acúmulo, para expor aspectos que facilitem a  compreensão do texto e auxiliar a dirimir dúvidas ou orientar o  estudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Passos para o estudo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;ul style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Ler  integralmente e com visão de conjunto&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Identificar o tema&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Destacar idéias principais.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Localizar argumentos, justificações, fatos, exemplos ligados às idéias  principais.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Anotar  dúvidas, impressões, associações, etc., bem como passagens que chamaram  atenção.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Formular questões cujas respostas se encontrem no texto e/ou questões por  ele suscitadas.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Resumir  - construir um texto curto, que contenha as idéias mais importantes&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Esquematizar - elaborar um quadro ou sinopse que permita visualizar a  estrutura, o planejamento do texto, expondo suas idéias centrais.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Interpretar - comparar/associar as idéias do autor (com as pessoais; com  outras do mesmo autor; com as de outros autores).&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;/li&gt;&lt;li&gt; &lt;p style="margin-top: 6px; margin-bottom: 6px;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Criticar - formar opiniões próprias, fazer apreciações e juízo pessoal do  texto.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Lembretes para cumprimento do plano de  estudos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;blockquote style="font-family: arial;"&gt; &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;1.&lt;/b&gt; Providenciar cópias dos  textos.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2.&lt;/b&gt; Predeterminar um horário.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;3.&lt;/b&gt; Garantir algumas  condições básicas para o estudo:&lt;br /&gt;   - concentração - evitar ou isolar os  elementos de dispersão&lt;br /&gt;   - disciplina e organização:&lt;br /&gt;   - providenciar  todo o material necessário&lt;br /&gt;   - não deixar de ler índices, prefácios,  tabelas, notas de rodapé, etc...&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4.&lt;/b&gt; Dedicar ao estudo a mesma atenção  dispensada a outras tarefas.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;5.&lt;/b&gt; Interpretar os textos e extrair deles  ensinamentos para a prática revolucionária.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;6.&lt;/b&gt; Discutir no coletivo,  as dúvidas e as interpretações surgidas no estudo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-4842118092089308742?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/4842118092089308742/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=4842118092089308742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/4842118092089308742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/4842118092089308742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/introduo-porque-e-como-estudar.html' title='Introdução - Porque e como estudar'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-1877413512841074129</id><published>2008-06-17T10:31:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:33:00.578-07:00</updated><title type='text'>História da Luta Pelo Socialismo</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A História de uma Grande Luta&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Classe Operária passa a publicar uma série sobre a História da luta pelo  socialismo. Cada edição enfocará um episódio, um tema, um aspecto, um capítulo  desta gigantesca epopéia dos assalariados para libertarem a si próprios e a toda  a humanidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O método de análise do marxismo é um grande método. Lênin dizia, já em 1919:  "O mais seguro em ciências sociais, o mais necessário para adquirirmos realmente  o hábito de abordar com acerto o problema, sem nos perdermos em um monte de  miudezas ou na enorme quantidade de conceitos em luta, o mais importante para  abordarmos a questão de um ponto de vista científico é não esquecermos a ligação  histórica fundamental, considerarmos cada questão sob o ponto de vista de como  surgiu aquele fenômeno histórico, quais as etapas principais que ele atravessou  no seu desenvolvimento, até vermos em que ele se transformou na atualidade".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Como veremos, nossa luta renasce sempre&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Poderíamos dizer que este método nos mostra "o filme" e não apenas "a  fotografia". "A fotografia" é estática, parada, e neste sentido sempre enganosa.  Já "o filme" é dinâmico, mostra as coisas no seu ininterrupto desenvolvimento,  permite descobrir as suas tendências.&lt;br /&gt;O tema que nos ocupará é uma grande  história de uma grande luta, que abarca todo o planeta e não conhece um minuto  de trégua. É a obra coletiva de incontáveis estômagos famintos, mãos hábeis,  corações generosos, cérebros talentosos, criativos e ousados. O capitalismo, que  enxerga o seu fim como se fosse o fim do mundo, emprega contra ela todos os seus  recursos. Enfrentamos, em um combate desigual, o poder conjugado do dinheiro,  dos meios de comunicação de massas, do aparato estatal, da repressão e quando  preciso do terror. No entanto, como veremos, nossa luta renasce sempre,  empurrada pelas contradições do próprio capitalismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nossa série evitará ao máximo as aborrecidas listas de nomes e datas que são  o pavor de todo estudante. Falará de grandes homens (e grandes mulheres!), mas  sobretudo das multidões anônimas, das grandes massas, dos personagens coletivos  que são os grandes heróis desta epopéia. Acompanhará os movimentos, greves,  batalhas sociais e políticas, insurreições e guerras, sem esquecer a história  das idéias, das polêmicas, das teorias e da luta teórica. Tratará dos avanços,  êxitos e vitórias, mas também dos retrocessos, dos erros e derrotas, extraindo  tanto de uns como de outros os ensinamentos que trouxeram.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Um convite a enfrentar a opressão cultural&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Procuraremos usar uma linguagem acessível inclusive aos companheiros que dão  seus primeiros passos na luta. Sabemos que a tarefa nem sempre é fácil. Uma das  cargas mais sufocantes que pesam sobre nosso povo é a da opressão cultural.  Durante séculos e séculos o trabalhador brasileiro foi proibido de estudar. O  primeiro panfleto da nossa história surgiu há apenas 200 anos, na Conjuração  Baiana, revolucionária, abolicionista e republicana. A primeira escola aberta a  escravos surgiu há 160 anos, no quilombo maranhense do Itapicuru, durante a  rebelião popular da Balaiada. A primeira edição brasileira do Manifesto do  Partido Comunista só veio à luz em 1924, com 76 anos de atraso. Enfrentar e  vencer essa opressão cultural é uma frente da luta de classes tão importante  como a da luta econômico-social e a da luta política. E esperamos que esta breve  História da luta pelo socialismo contribua neste sentido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Uma tarefa desta ordem reclama mais que um esforço individual para ser  cumprida a contento. E uma forma de auxiliá-la é enviar à Classe, ou à Comissão  de Formação, todas as dúvidas, perguntas, críticas, opiniões e sugestões.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Dores do Parto de uma Classe&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estamos na Inglaterra do século 18: uma revolução tecnológica, econômica e  social sacode a maior potência comercial da época. O camponês é expulso da  terra. O artesão se arruina, vencido pela concorrência da indústria. Diversos  progressos técnicos impulsionam a mudança: a máquina a vapor, a máquina de fiar  algodão, o tear mecânico. Em 1785 nasce a primeira indústria, com a produção  multiplicada pelas máquinas e pela socialização do trabalho (cada trabalhador  realiza determinada tarefa). A inovação prova sua superioridade. Em 1837 o  socialista Louis Blanc deu a este movimento o nome de Revolução Industrial.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Ocorre o divórcio entre propriedade e trabalho&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Antes da Revolução Industrial, muitos trabalhadores ganhavam a vida por conta  própria, com seus próprios meios: o camponês tinha sua terra, o tecelão, seu  tear, o ferreiro, sua oficina. Trabalho e propriedade estavam casados,  integrados na figura do pequeno trabalhador-proprietário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Revolução Industrial acaba com isso. Uma fábrica custa muito dinheiro, e  exige muitos braços para funcionar. Ocorre então o divórcio entre a propriedade  e o trabalho. A propriedade fica com a burguesia, a classe dos proprietários  capitalista. O trabalho fica com o proletariado, a classe dos trabalhadores que  ganham a vida vendendo aos capitalistas o único bem que lhes resta: a força dos  seus braços e das suas mentes. O trabalho assalariado se instala sobretudo nas  fábricas têxteis, minas, transporte marítimo e ferroviário; os operários desses  ramos formam o núcleo inicial do proletariado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Revolução Industrial é um inferno para o ex-artesão ou camponês. Ele perde  a independência, é o patrão quem decide o que produzir, como e quando. A jornada  de trabalho atinge até 17 horas diárias, seis dias por semana. Só em 1810 uma  lei inglesa a reduz, no caso das mulheres e crianças, para dez horas. Não há  descanso remunerado, férias, aposentadoria, amparo em caso de doença ou  acidente. Os lares operários lembram nossas favelas. A alimentação é a base de  batatas, não raro só batatas. O jovem Engels descreve o quadro em A situação da  classe operária na Inglaterra (1845): nas cidades industriais, metade das  crianças morre antes dos cinco anos. Morre também o grêmio corporativo,  multisecular forma de organização dos trabalhadores. A perplexidade e o  desespero contagiam a classe recém-nascida. Miséria, mendicância, alcoolismo,  prostituição, criminalidade e suicídios se alastram.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Mas a legião dos proletários continua a crescer, e não só na Inglaterra.  Lenta e dolorosamente, eles constatam que não há caminho de volta. Pertencem a  uma nova classe social. Precisam de novos caminhos para defenderem seus novos  interesses de classe. Durante duas gerações debatem-se em busca desses caminhos.  Atacam as máquinas, no movimento luddista ( de Ned ou King Ludd, nome do seu  iniciador). Seitas religiosas e campanhas de reerguimento moral indicam que a  salvação está na temperança e na abstinência. Muitos, desesperados, fazem do  crime o seu protesto. Só em 1824 a lei libera a associação em sindicatos, e as  greves tomam impulso. A partir daí, o sindicato e a greve se afirmam como armas  indispensáveis à nova classe.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A greve e o sindicato, seu valor e seus limites&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No entanto, estas armas, feitas para resistir à exploração burguesa, não  conseguem acabar com ela. Logo fica clara a necessidade de outras. Ainda na  Inglaterra, ganha força até a década de 1840 o cartismo - primeiro movimento  político do proletariado, reivindicando o direito de voto, na época negado aos  pobres. Na França, os tecelões de Lyon partem para a rebelião aberta em 1831 e  1834. Os operários da Boêmia e da Silésia seguem o mesmo rumo em 1844. A nova  classe não se contenta em lutar apenas para ser menos explorada.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Pensamento Socialista Pré-1848&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Há muito séculos, pensadores avançados como Thomas Morus, autor de Utopia  (1518), sonham com uma sociedade comunista e fraterna. Estas idéias ganham força  com a Revolução Industrial na Inglaterra e sobretudo a Revolução Francesa de  1792. A saída socializante começa com a Conspiração dos Iguais, esmagada com a  decapitação de seu líder, François Babeuf, em 1797.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Primeiras denúncias da ordem social burguesa&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Henri de Saint-Simon (1760-1827) é um desses teóricos. Nascido conde,  renuncia ao título. Aos 17 anos luta na Guerra de Independência dos EUA. Volta à  França, denuncia em seus escritos as "classes parasitárias", e enaltece as  "classes produtoras". Propõe a reconstrução da sociedade e o trabalho social,  com base em um plano único.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Charles Fourier (1772-1837), filho de um comerciante francês, aponta com  ironia os absurdos da economia de mercado. "Sob o capitalismo, o médico deseja  que haja o maior número de doenças, o arquiteto sonha com incêndios que destruam  a cidade...". Propõe comunidades de trabalhadores, os falanstérios, criados  inclusive em Saí, Santa Catarina (1842) e na Colônia Cecília, Paraná (1891).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Robert Owen (1771-1858), de origem humilde, chega a possuir uma grande  fábrica na Escócia . Ali, reduz a jornada de trabalho para 10,5 horas diárias,  ergue casas, escolas para os operários, o primeiro jardim-de-infância e a  primeira cooperativa. Em 1817 evolui da ação assistencial para a crítica frontal  ao capitalismo. Funda, nos EUA, a colônia socialista de Nova Harmonia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Saint Simon, Fourrier e Owen são considerados os expoentes do socialismo  utópico (do grego utopia, que significa nenhum lugar). Ao lado deles, outros  buscam a crítica e superação da ordem burguesa. Auguste Blanqui (1805-1881)  escolhe a via revolucionária. Tenta várias vezes a tomada do poder na França;  perseguido, passa metade da vida no cárcere. Ele e seus discípulos são a força  majoritária na Comuna de Paris (1871). Porém o blanquismo confia a revolução não  às massas trabalhadoras mas a pequenos grupos conspirativos. Já Pierre Proudhon,  tipógrafo na juventude, denuncia o sistema burguês com audácia provocante em O  que é a propriedade? ("A propriedade é um roubo"). Mas defende a pequena  propriedade agrícola e artesanal, vendo nela o futuro da humanidade. Sua obra,  depois de inspirar o anarquismo, tende à conciliação e ao conservadorismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Limites e impotência do socialismo utópico&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;As idéias dessa fase apontam os males do capitalismo, pregam sua superação.  Imaginam às vezes em detalhe como será a sociedade futura. Neste sentido,  tiveram valor no seu tempo. Mas não compreendem as leis, contradições e  tendências da sociedade burguesa. Sobretudo, desconhecem o proletariado enquanto  classe capaz de superar o capitalismo. Simpatizam com ele, mas apenas como  classe sofredora. Na lugar da luta de classes, confiam no apelo à "razão  humana". Saint Simon mistura industriais e operários como "classes produtoras".  Fourier busca apoio dos ricos e poderosos, escreve a Napoleão, ao banqueiro  Rotschild, publica anúncios nos jornais e espera anos por uma resposta que nunca  chega. Os falanstérios de Fourrier, a Nova Harmonia de Owen e outras tentativas  de criar miniaturas da nova sociedade também fracassaram.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Essas teorias já mostram seus limites e sua impotência quando em 1848, dois  acontecimentos quase simultâneas apontam uma alternativa. De um lado, surge o  Manifesto do Partido Comunista, tema do próximo artigo. De outro, explode na  França e em toda a Europa o ciclo de revoluções batizado Primavera dos Povos.  Dentro dele, nas barricadas de Paris em junho, o proletariado mundial vive seu  batismo de fogo como classe independente. Para Marx, elas "foram a primeira  grande batalha entre as duas classes que formam a sociedade moderna".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;"Proletários, Uni-vos!"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em fevereiro de 1848, poucos dias antes da onda revolucionária da Primavera  dos Povos, saiu do prelo em Londres uma pequena brochura em alemão, com vários  erros tipográficos e tiragem de apenas mil exemplares. O texto fora encomendado  pela Liga dos Comunistas - um círculo clandestino formado por meio milhar de  artesãos e operários, na maioria alemães. Os autores, cujo nome não aparecia na  edição original, eram dois jovens intelectuais alemães - Karl Marx, 29 anos de  idade, e Friedrich Engels, 27 anos. Era o Manifesto do Partido Comunista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O sucesso do Manifesto em um primeiro momento foi tão modesto como sua  tiragem, mas cresceu irresistivelmente com o correr dos anos. As traduções e  edições se sucederam - em 1869 para o russo, e bem mais tarde, em 1923, para os  trabalhadores brasileiros, por iniciativa do recém-fundado Partido Comunista do  Brasil. Na Europa e no mundo, os setores mais avançados do proletariado e muitos  intelectuais progressistas tomavam consciência de que ali estava um grande  livro, um dos maiores se não o maior que a humanidade já produzira.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A luta pelo socialismo transforma-se em ciência&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Manifesto foi a pedra fundamental de todo um vasto edifício teórico que  ficou conhecido pelo nome de marxismo (contra a vontade de Marx, que preferia o  termo socialismo científico). Com ele, a luta dos trabalhadores pelo socialismo  elevou-se ao patamar de uma ciência - tendo como ponto de partida o pensamento  mais avançado de sua época, a filosofia alemã, a economia política inglesa, o  socialismo francês.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Dos filósofos alemães, em especial G. W. Friedrich Hegel, o marxismo tomou a  dialética - a concepção que analisa as coisas em seu incessante desenvolvimento,  a partir de suas contradições internas. No entanto, pôs a dialética hegeliana  "de cabeça para cima", libertando-a de seu vício de origem idealista, para  construir assim sua visão do mundo, o materialismo dialético, e da evolução  social, o materialismo histórico.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em economia, o marxismo partiu do pensamento de estudiosos como Adam Smith e  David Ricardo, expoentes da escola clássica. Essa escola, surgida na Inglaterra,  berço do capitalismo, estava impregnada de uma concepção burguesa mas chegara a  conclusões verdadeiras e importantes, como a teoria do valor. Com base nela, e a  partir de outra ótica de classe, Marx e Engels desenvolveram a teoria da  mais-valia, desvendando o mecanismo da exploração do trabalho pelo capital.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O socialismo pré-1848 florescera sobretudo na França, onde era maior a  experiência revolucionária das massas do povo pobre. O marxismo desenvolveu-o,  desvencilhou-o das ilusões utópicas, dotou-o de uma base de classe bem definida,  de um programa claro e revolucionário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A teoria e a prática da revolução proletária&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O corpo teórico do marxismo, porém, não parou aí. Desde antes mesmo do  Manifesto, Marx e Engels haviam proclamado que "os filósofos até hoje se  contentaram em explicar o mundo, mas trata-se agora de transformá-lo".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A jovem ciência da revolução proletária nasceu, portanto, em íntima relação  com a prática de sua classe. Acompanhava passo a passo a experiência, a vida e a  luta dos trabalhadores, extraindo daí ensinamentos sempre renovados para  aperfeiçoar-se - e sempre que necessário corrigir-se. Era um guia para a ação,  um método que consistia essencialmente na análise concreta da situação concreta.  Daí seu caráter vivo e dinâmico, em permanente desenvolvimento.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;"O Capital é um Vampiro"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O capitalismo mudou em profundidade as relações entre as classes  sociais.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nos modos de produção anteriores, as classes trabalhadoras - escravos, servos  feudais - eram sujeitadas através de meios não econômicos. E o mercado, embora  existisse desde a Antigüidade, jogava um papel marginal: e produção, em geral,  visava o consumo direto e não a comercialização.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No capitalismo, o mercado se agigantou até tornar-se a espinha dorsal de toda  a economia. O mundo virou uma enorme feira livre global, onde tudo está à venda.  À primeira vista, tanto o proletário como o burguês comparecem a esta feira em  igualdade de condições: o primeiro é vendedor e o último comprador de  determinada mercadoria - a força-de-trabalho. A contratação de um pelo outro é  uma operação comercial como tantas outras. O burguês compra a força-de-trabalho  de que precisa e paga o proletário com um salário.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Só o trabalho humano opera o "milagre da produção"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O valor da força-de-trabalho acompanha a lei do valor: como qualquer  mercadoria, a força-de-trabalho vale o equivalente ao trabalho socialmente  necessário para produzi-la, ou seja, no caso, para alimentar, vestir, abrigar e,  numa palavra, manter vivo o assalariado e sua família. Se a força-de-trabalho é  qualificada, o salário é maior, pois deve cobrir também os custos da  qualificação do assalariado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;De posse da força-de-trabalho que comprou, o capitalista emprega-a no seu  negócio - por exemplo uma indústria de tecidos. Ali já se encontram outras  mercadorias, igualmente adquiridas na feira livre do mercado, o galpão da  fábrica, os motores, os fusos, os teares, e a matéria-prima, algodão, lã, linho.  Nosso proletário e seus colegas são postos para operar as máquinas, fiar,  cardar, tecer, em uma palavra, produzir.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O trabalho humano opera aí o que poderia se chamar "o milagre da produção":  ele cria valor. Sozinha, nenhuma das outras mercadorias que o burguês comprou  teria esta capacidade. Mas o tecido fabricado pelas mãos e pelas mentes dos  trabalhadores vale mais que a matéria-prima, mais o combustível, o desgaste das  máquinas, etc., mais os salários.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Marx mostrou o mecanismo oculto da mais-valia&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O valor assim criado forma o lucro do burguês, e a taxa de lucro é a relação  entre ele e o capital investido. Porém a produção capitalista traz embutida uma  outra relação, que Marx trouxe à luz em obras como Trabalho assalariado e  capital, Salário, preço e lucro e principalmente O capital. Marx considerou a  matéria-prima, o combustível, o desgaste das máquinas, etc. como capital  constante, que, sozinho, não cria valor. E analisou o capital variável, agregado  pelo trabalhador: uma parte é gasta no pagamento do salário; mas outra, embora  criada pelo proletário, vai para o bolso do burguês, engordar seu capital. Esta  segunda parte é a mais-valia; a taxa de mais-valia é a taxa da exploração do  trabalho pelo capital.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx mostrou o mecanismo oculto dessa exploração. Explicou o porquê da  acumulação crescente da riqueza, no pólo burguês, enquanto o pólo proletário só  consegue o indispensável para sobreviver. "O capital - dizia - é trabalho morto,  que, como um vampiro, só se anima sugando o trabalho vivo, e quanto mais ele  suga mais alegre é sua vida".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ao longo da segunda metade do século passado, essa análise foi convencendo  parcelas crescentes do proletariado nos países onde o capitalismo se impunha.  Quando Marx morreu, em 1883, milhões de trabalhadores já engrossavam os  sindicatos e partidos operários de inspiração marxista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Batismo de Fogo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A França em 1871 já vivia em grande medida em uma economia capitalista -  embora a maioria da população vivesse no campo. Além disso, as transformações  políticas burguesas tinham seguido ali um caminho radical e conturbado: a grande  Revolução de 1792-1799, as Guerras Napoleônicas, a Revolução de 1830 e a de 1848  (ver o artigo 2 desta série). Em seu conteúdo básico esses movimentos tinham  sido antifeudais, democrático-burgueses. Mas tinham também contado com maciça  participação das classes trabalhadoras, inclusive o jovem proletariado francês,  escolado como nenhum outro em insurreições e barricadas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Apesar de tantas revoluções, o processo francês terminara truncado,  desembocando no golpe de 1852 e no regime imperial "cesarista" (ditatorial) de  Napoleão III. Em 1870 "Napoleão, o Pequeno" (apelido dado pelo escritor Victor  Hugo) envolve-se numa desastrosa guerra com a recém-unificada Alemanha. Após a  derrota estratégica de Sedan, o imperador cai, vem a República, mas a guerra  continua e os alemães já estão às portas da capital. Os operários se armam, na  Guarda Nacional, para defender Paris. Já o governo republicano de Thiers foge  para Versalhes e assina um armistício com os alemães que é uma capitulação.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Uma semana de heroísmo até cair a última barricada&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Uma tentativa de desarmar os operários precipita a insurreição. Em 15 de  março de 1871 o Comitê Central da Guarda Nacional, em aberto desafio a Thiers,  convoca a eleição do Conselho da Comuna, realizada dia 26. Os deputados eleitos  ganham o mesmo que um operário comum e seus mandatos podem ser revogados a  qualquer momento pelos eleitores. A influência marxista é minoritária no  movimento, predominam os blanquistas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O movimento começa a se estender às cidades de Marselha, Lyon, Toulouse e  Saint-Étienne, mas a grande massa camponesa permanece apática. Já o governo de  Versalhes, tão cordato no tratamento com o invasor alemão, trata os comuneiros a  ferro e fogo. Thiers proclama, declara e repete que "a conciliação é  impossível". O exército francês, com a ajuda das tropas alemãs que ainda ocupam  os arredores de Paris, entra na cidade em 21 de maio. A resistência comuneira é  heróica, mobilizando homens, mulheres, crianças. O combate desigual dura uma  semana, até a queda das últimas barricadas nos bairros operários, dia 28. Desde  o dia 24, começa o fuzilamento sumário dos revoltosos: o governo fala em 17 mil  mortos, outras fontes em até 35 mil. Uma minoria (9.950 homens, 132 mulheres e  80 crianças) obtém o privilégio de comparecer aos conselhos de guerra, que  decretam 270 condenações à morte e 7.523 à deportação.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Marx saúda a tentativa de "tomar o céu de assalto"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Termina assim, afogado em sangue, o primeiro e breve ensaio - apenas 74 dias  - de um poder político dos trabalhadores. A burguesia européia - mesmo a mais  liberal - aplaude a carnificina sem nenhum pudor. Já Marx e a Associação  Internacional dos Trabalhadores (I Internacional) saúdam a ousadia dos  comuneiros ao tentarem "tomar o céu de assalto". Marx estuda detidamente a  experiência no livrete A guerra civil na França, aprendendo com ela,  especialmente, a necessidade da revolução "quebrar" a máquina estatal do velho  regime, construindo um novo aparelho de Estado, com um novo conteúdo de  classe.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Comuna serve de batismo de fogo para a luta do proletariado. A onda  repressiva se espalha por outros países e termina obrigando a dissolução da  Internacional. Mas o heroísmo e a dignidade dos derrotados, em contraste com a  sanha assassina dos vitoriosos, contribuem fortemente para lançar luz sobre "a  guerra civil mais ou menos subterrânea" (palavras do Manifesto comunista) que  dilacera a sociedade moderna.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Acúmulo de Forças&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A fase entre a Comuna de Paris (1871) e a I Guerra Mundial (1914) foi de  desenvolvimento relativamente pacífico do capitalismo. Uma burguesia cada vez  mais possante enriqueceu "pacificamente", às custas de um proletariado cada vez  mais numeroso. As guerras e revoluções ficaram confinadas na periferia do  sistema.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O movimento operário inventa os partidos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para o movimento operário e socialista esta foi uma fase de acúmulo de  forças. O crescimento numérico e a relativa prosperidade industrial  permitiam-lhe avanços, na economia e na política.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os sindicatos cresciam em tamanho e prestígio. Greves e manifestações  popularizavam - e, às vezes, impunham - a causa dos direitos trabalhistas, tendo  como carro-chefe a luta pela jornada de oito horas: ao nascer, em 1890, o 1º de  Maio era uma espécie de dia de greve geral internacional pelas oito horas. A  extensão do direito de voto (embora quase sempre só para os homens) abria  brechas para a participação dos trabalhadores na política institucional. A I  Internacional dos Trabalhadores, sob forte perseguição policial, fora dissolvida  em 1876, mas em 1889 nascia a II Internacional. Na sua base estavam os partidos  operários, de orientação ou ao menos sob influência marxista, em geral adotando  o nome de social-democratas. O padrão dos partidos modernos, do século 20,  nasceu sobretudo dessas experiências.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Partido Operário Social-Democrata da Alemanha (SPD), fundado em 1869, era o  mais importante: mais sólido teoricamente, mais enraizado nos trabalhadores, nos  sindicatos e entidades populares, com organização mais estruturada, imprensa  mais ativa e uma legião de eleitores em rápido crescimento. Em 1871 o SPD tinha  pouco mais de 1% do eleitorado alemão; em 1877, 7%. Em 1878-1890, o governo  perseguiu-o com a lei contra o socialista, manteve encarcerado por cinco anos  seu líder, August Bebel, mas o tiro saiu pela culatra: os votos  social-democratas subiram para 20% do total em 1890 e 35% (110 deputados) em  1912.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na virada para o século 20, o clima entre os socialistas era otimista: os  trabalhadores continuariam crescendo em número, avançando em seus direitos,  elevando sua consciência e organização… até realizar mais ou menos  tranqüilamente, pela própria lógica desse avanço, a proposta do Manifesto  comunista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Surge o revisionismo: "O movimento é tudo…"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O conflito entre revolucionários e revisionistas mostraria que as coisas não  eram tão simples. Ele veio à tona em 1899, quando o dirigente do SPD Eduard  Bernstein publicou o livro O socialismo teórico e o socialismo prático.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Sem romper às claras com o marxismo, Bernstein pregava a revisão (daí o termo  revisionismo) da sua essência revolucionária: julgava que o capitalismo se  capacitara a superar suas crises, que o socialismo era possível mas não  inevitável, e seria fruto da acumulação gradual e pacífica de pequenas  conquistas. Seu lema - "O movimento é tudo, o objetivo, nada" - sintetizava o  conteúdo de todas as tendências reformistas no movimento operário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Contra Bernstein ergueram-se numerosas vozes, desde o então prestigiado Karl  Kautsky e a jovem Rosa Luxemburgo, no próprio SPD, até Lênin, na Rússia. Ao  menos na teoria, o marxismo revolucionário venceu essa primeira batalha contra o  revisionismo. A fase de desenvolvimento relativamente pacífico do capitalismo  levara o movimento a certa acomodação. Quando a I Guerra inaugurou uma nova  fase, de turbulência e crise revolucionária, o dilema entre o caminho da  revolução e o do reformismo retornou com toda força, abrindo a primeira grande  divisão do movimento.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O mundo sob o imperialismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na virada para o século 20, o mundo parecia relativamente tranqüilo (ver o  artigo 6 desta série), mas era só aparência. Nas profundezas da base econômica,  ocorriam transformações de grande vulto, destinadas a fazer a tranqüilidade  saltar pelos ares. O capitalismo entrava em uma nova etapa, a do  imperialismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Hoje, esta palavra ganhou uma carga ideológica tão forte que quem a profere é  logo excomungado pelo "pensamento único" neoliberal. Há cem anos, porém,  imperialismo era um termo de uso geral , inclusive pelos círculos oficiais  imperialistas, e também por inúmeros estudiosos do fenômeno. Entre estes, merece  destaque o dirigente marxista Vladimir Ilich - que usava o "nome de guerra"  Lênin -, autor do livro O imperialismo, fase suprema do capitalismo (1916).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O capitalismo da época dos monopólios&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em resumo, Lênin encarava o imperialismo não como uma política, arquitetada  pelos governantes das grandes potências, mas como uma realidade objetiva, fruto  inevitável do próprio desenvolvimento capitalista. O capital, pelos mecanismos  da concorrência no mercado, tende a se concentrar e centralizar. Já no fim do  século 19 isso engendrara enormes conglomerados empresariais, com atuação  global, na época chamados trustes, mais tarde multinacionais. Com uns poucos  mega-grupos controlando os ramos-chave da produção, a livre concorrência dos  velhos tempos cedia lugar a uma economia dos monopólios. O imperialismo - dizia  Lênin - é o capitalismo da época dos monopólios. Os grandes grupos industriais  foram também fundindo seus capitais com os dos grandes bancos, gerando o capital  financeiro - uma poderosa oligarquia, verdadeira nata da burguesia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os monopólios atuavam no mundo todo, sem fronteiras. Além de exportarem  produtos, passaram à exportação de capitais, inclusive na vasta periferia  asiática, africana e latino-americana. O planeta foi repartido entre as  mega-empresas. E, para garantir maiores privilégios, elas levaram os governantes  de seus países a dominarem os países periféricos também politicamente. A forma  típica de domínio era o colonialismo, em que as metrópoles governavam  diretamente suas áreas de influência. Mas, já então, países formalmente  independentes, como a China ou o Brasil, na prática caíam na "esfera de  influência" de uma ou várias potências.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A guerra e as crises revolucionárias&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Chegou um momento em que o mundo inteiro estava dividido entre as potências  imperialistas - Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França, Itália, Japão e,  com atraso, a Rússia. A expansão dos monopólios reclamava mais e mais domínios,  porém não havia para onde se expandir a não ser avançando sobre áreas que já  tinham "dono". Os conflitos decorrentes daí levaram à Grande Guerra (a I Guerra  Mundial), que ceifou perto de 20 milhões de vidas entre 1914 e 1918.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O imperialismo e a guerra tiveram enorme impacto no movimento operário e  socialista. Ao lado da contradição entre o capital e o trabalho, pelo menos duas  outras entravam na ordem do dia: a que opõe os países dependentes às metrópoles;  e a que opõe as potências e blocos imperialistas entre si. Era preciso enfrentar  problemas completamente novos. A fase de desenvolvimento gradual e mais ou menos  pacífico acabara. Com a guerra, crises revolucionárias instalaram-se em  numerosos países. Os socialistas estavam chamados a, finalmente, realizarem o  programa revolucionário do Manifesto comunista. Mas para isso deveriam primeiro  superar sua própria crise interna, como veremos na próxima edição.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1914: a Grande Divisão&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Guerra de 1914-18 não foi surpresa. A II Internacional Socialista há muito  debatia o tema, assumindo uma atitude internacionalista: os trabalhadores não  deviam se matar uns aos outros em defesa dos interesses de "suas" burguesias,  mas sim se opor à carnificina por todos os meios, sob o lema "guerra à  guerra".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Porém, quando o conflito começou, aumentou brutalmente a pressão guerreira de  cada bloco burguês sobre "seus" trabalhadores. E os partidos da II Internacional  racharam de alto a baixo, em três tendências principais e incontáveis  nuances.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A ala chauvinista, a de centro, a internacionalista&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em quase toda parte a maioria dos social-democratas aderiu à febre belicista:  os alemães alegavam a necessidade de combater o absolutismo russo; os franceses,  a urgência de libertar os povos oprimidos pelos impérios austríaco e otomano.  Cada um tinha sua boa desculpa. A votação dos créditos especiais de guerra  simbolizou essa atitude social-chauvinista (do francês chauvin, nacionalista  reacionário, adepto do lema "Minha pátria, certa ou errada").&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Uma facção de centro, minoritária mas com nomes famosos como Kautsky (ver o  artigo 6), pregava a volta da paz, sem levar em conta as causas de fundo do  conflito inter-imperialista. Tentava, em vão, colar os cacos da II  Internacional.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Por fim, a ala esquerda manteve o internacionalismo. Propunha que os  operários voltassem as armas contra "seus" burgueses, transformassem a guerra  imperialista em guerra revolucionária. E denunciava sem piedade os  social-chauvinistas e centristas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Esta tendência era minoritária. Na Alemanha, a votação dos créditos de guerra  só teve o voto contrário de um deputado, o jovem Karl Liebknecht - que em 1916  fundou com Rosa Luxemburgo a Liga Espártaco. Sua força era maior na Bulgária e  especialmente na Rússia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O papel do bolchevismo russo e de Lênin&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Rússia, um imenso império semi-asiático, atrasado mas em rápida  industrialização, vivia sob a tirania dos tzares. Em 1905 passara por uma grande  revolução operária e camponesa, projetando-se como referência internacional. O  movimento operário e o partido marxista eram jovens, muito perseguidos, mas  vigorosos. Havia também um ativo partido de base camponesa, o  Social-Revolucionário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A esquerda era forte na Rússia, tanto que fora apelidada de bolchevique  (maioria). Tinha ligação de massas, imprensa atuante, tradição de luta em  condições difíceis, a experiência de 1905 e uma direção muito firme, onde  avultava a figura de Lênin.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A luta entre reformistas e revolucionários seguira ali um caminho próprio,  mais nítido e precoce. O choque de idéias já era aberto em 1902, quando Lênin  escreveu Que fazer?. Desde a Conferência de Praga (1910) os bolcheviques tinham  sua organização própria , separada dos mencheviques (minoria).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Face à cisão do movimento, Lênin e os bolcheviques proclamaram as claras a  "falência da Internacional" e a necessidade de se criar outra. Em relação à  guerra, defendiam a luta pela derrota da "sua" burguesia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Depois da histeria, o cansaço e a revolta&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No início da guerra, os internacionalistas ficaram isolados. Uma  ensurdecedora propaganda belicista embriagava as massas. Militantes bolcheviques  linchados ao fazerem propaganda entre os soldados.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Esse clima foi mudando conforme o conflito se arrastava, com seu cortejo de  mortes e mutilações, fome e barbárie. A histeria dos primeiros anos  transformou-se em cansaço e a seguir em revolta. A esquerda começou a ganhar  adeptos. Em 1917 passaria à ofensiva, tendo a Rússia como centro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Revolução de Outubro&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em fevereiro de 1917 uma revolução popular derrubou o Tzar. Sus forças  motrizes foram os operários, camponeses e soldados (na maioria, camponeses  fardados); as formas de luta, greve geral, protesto de massas, rebelião na  tropa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Nascem os soviets exemplo de democracia direta&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Rússia saiu da tirania tzarista para uma fervilhante liberdade. Os exilados  retornaram. O governo passou aos cadetes (partido liberal-burguês, de oposição  moderada) e em maio aos social-revolucionários e mencheviques.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ao mesmo tempo, os trabalhadores criavam os soviets (conselhos). Nascidos na  Revolução de 1905, eles eram uma organização revolucionária de massas, ágil,  desburocratizada, uma típica democracia direta, onde o trabalhador não só elegia  representantes, mas participava. Agiam como verdadeiro poder paralelo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os soviets exprimiam a revolta dos trabalhadores com uma revolução que não  resolvera seus problemas. Em especial, exigiam o fim da guerra. Após novas  derrotas no front, as enormes Jornadas de Julho mostraram que o ímpeto  revolucionário russo estava longe do fim. O livro Dez dias que abalaram o mundo,  do jornalista norte-americano John Reed, reporta o clima reinante.&lt;br /&gt;Da  revolução democrática à revolução socialista&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Após a Revolução de Fevereiro, os bolcheviques ainda eram minoritários. Até  no Soviet de Petrogrado não chegavam a 20% dos votos. Essa correlação de forças  se inverteu com uma rapidez que só a crise revolucionária permite.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin voltou do exílio dando vivas ao socialismo. Defendeu, nas Teses de  abril, que a revolução democrático-burguesa bem ou mal estava feita, era hora de  passar à revolução socialista, sob o lema "Todo o poder aos soviets". Outro  lema, "Paz, pão e terra", exprimia as tarefas imediatas da revolução. Em agosto,  Leon Trotsky, recém-incorporado aos bolcheviques, foi eleito dirigente do Soviet  de Petrogrado. A ala esquerda dos social-revolucionários aliou-se aos  comunistas. Eram sinais de que os trabalhadores aprendiam com sua  experiência.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Afora os soviets havia outro poder paralelo, da ultra-direita. O general  tzarista Lavr Kornílov, chefe supremo do exército, rebelou-se em agosto visando  restaurar o velho regime, fracassando devido à deserção de suas tropas. O  episódio da "kornilovada" desmoralizou de vez o governo, que passara ao  social-revolucionário de direita Alexandr Kerensky.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estavam maduras as condições para transformar o lema "Todo o poder aos  soviets", de palavra-de-ordem de agitação em palavra-de-ordem de ação, e em  realidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No dia 7 de novembro (25 de outubro no antigo calendário russo), os  marinheiros rebeldes do cruzador Aurora deram o sinal (uma salva de tiros).  Houve resistência na tomada do Palácio de Inverno, sede do governo (descrita no  belo filme Outubro, de Sergei Eisenstein), mas a insurreição triunfou nas  maiores cidades com relativa facilidade, após poucos dias e uma centena de  mortes. Seu primeiro decreto foi a reforma agrária entregando a terra aos que a  trabalham. Em seguida, começaram as conversações de paz em separado com a  Alemanha.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O verdadeiro enfrentamento veio depois: Kornílov e outros generais tzaristas  reuniram os brancos (anti-bolcheviques, inclusive mencheviques e  social-revolucionários) e tropas de 14 países na Guerra Civil. Mas trabalhadores  e o novo Exército Vermelho, exaustos, e famintos, dessa vez tinham por que  lutar. Após três anos de sacrifícios e heroísmo, a revolução antevista por Marx  consolidava seu triunfo no mais vasto país da Terra.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Ofensiva Nazifascista&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A maré revolucionária de 1917 refluiu em 1923. O único estado socialista que  vingou foi o soviético (afora a Mongólia). O capitalismo estava longe de se  afiançar. Em 1929 mergulhou na Grande Depressão, que foi até emendar com a II  Guerra Mundial (1939-45): falências em massa, colapso no comércio, desemprego  nunca visto. No entanto, a crise não teve uma saída pela esquerda. Ao contrário,  prevaleceu a resposta de ultra-direita, o fascismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Nos anos 20-30 os regimes fascistas se alastram&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O fascismo é o nome da corrente de Benito Mussolini, que se impôs na Itália  em 1922-44 (o nome vem do italiano fascio, feixe). Em sentido mais amplo,  designa toda a onda de extrema direita que se alastrou na Europa nos anos 20-30  - de Portugal de Salazar à Polônia do marechal Pilduski (e influenciou o Estado  Novo no Brasil). Outra designação, nazi-fascismo, indica também a principal  variante fascista, o nazismo, que triunfou na Alemanha em 1933 com a ascensão de  Adolf Hitler.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na origem, o fascismo italiano e o nazismo alemão foram movimentos de massas,  até com algum parentesco com as esquerdas. Mas logo assumiram uma postura  ultra-conservadora, embora com bases em especial nas camadas médias empobrecidas  pela crise e nos trabalhadores desempregados e desorganizados. Toda a ala  direita das classes dominantes européias, assombrada pelo fantasma do comunismo,  apostou no fascismo ou simplesmente aderiu a ele.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A ditadura mais terrorista do grande capital&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Duas características definem o conteúdo do fascismo: o chauvinismo e o  terrorismo.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O chauvinismo (de Chauvin, personificação, na França, do nacionalista  fanático belicoso) explorava sentimentos nacionais, dando-lhes um sentido  xenófobo e com freqüência racista. Exprimia os interesses das burguesias  européias derrotadas na I Guerra Mundial - sobretudo a grande burguesia  alemã.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O terrorismo se exprimia na pregação totalitária, antiparlamentar,  anti-igualitária, antidemocrática. Não tolerava qualquer oposição e exigia cega  obediência ao chefe (duce na Itália, fuhrer na Alemanha). Desde o início os  nazifascistas declararam guerra ao comunismo, que consideravam seu pior inimigo.  Incontáveis militantes foram encarcerados e assassinados. Na Alemanha, onde o  Partido Comunista elegeu 100 deputados em 1932, Hitler logo que chegou ao  governo montou uma farsa judicial para culpar o secretário-geral da III  Internacional, o búlgaro George Dimitrof (1882-1949) pelo incêndio do Reichtag  (parlamento). A farsa terminou em fiasco; Dimitrof, que fez sua própria defesa,  foi libertado, mas a caça aos comunistas prosseguiu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A política de frente da Internacional Comunista&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O 7º Congresso da Internacional Comunista, (1935) traçou a linha geral para  enfrentar essa ofensiva, sintetizada no informe de Dimitrof. A nova linha  propunha a unidade antifascista. Preconizava a frente única (no seio da classe  operária) e a frente popular (em plano mais) e o fim da fase de enfrentamento  entre comunistas e social-democratas, que, ao cindir o movimento operário,  facilitara a escalada fascista (caso da Alemanha).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Esta linha levou à vitória da esquerda na França, inspirou a heróica  resistência da República Espanhola durante a Guerra Civil (vencida pelo fascista  Franco) e repercutiu no Brasil, na formação da Aliança Nacional Libertadora.  Orientou a Resistência nos países ocupados pelo Eixo durante a II Guerra. E  inclui elementos que até hoje devem ser levados em conta - por exemplo na  resistência à ofensiva neoliberal, que em vários aspectos se assemelha à  ofensiva nazifascista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Guerra Antifascista&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A ofensiva nazifascista assumiu, sobretudo após 1939, a forma de guerra de  conquista - a II Guerra Mundial, maior conflito bélico da história. Após testar  suas armas e tropas na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), as potências do Eixo  (Alemanha, Itália e Japão) trataram de impor uma redivisão do mundo sob sua  hegemonia. A Alemanha hitlerista em poucos meses de blitzkrieg (guerra  relâmpago) dominou grande parte da Europa. Em 1941, lançou o grosso de seus  exércitos contra a União Soviética, violando o acordo de não-agressão de  1939.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O movimento operário, os social-democratas e principalmente os comunistas  eram o alvo principal da fúria nazifascista. O dirigente comunista checo Júlio  Fuchik deixou um eloqüente testemunho desta sanha - e da luta contra ela - no  livro Testamento sob a forca. Em contrapartida, os operários conscientes  estiveram entre os primeiros que se lançaram à Resistência. O combate aos  nazistas e aos Quisling (nome de um fascista norueguês, sinônimo de  colaboracionista) recorria a todas as formas: da participação nos sindicatos  fascistas - para manter os vínculos com as massas - às ações clandestinas de  propaganda, sabotagem e guerrilha. Na URSS a resistência ficou conhecida como  Grande Guerra Patriótica - nome que indica uma flexão política, pois chamava à  luta não só os partidários do socialismo, mas todos que desejassem enfrentar o  invasor.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A batalha de Stalingrado marcou a virada na guerra&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No início de 1943 as tropas de Hitler haviam ocupado a parte mais rica e  populosa da URSS e estavam às portas das maiores cidades soviéticas, Moscou e  Leningrado (hoje São Petersburgo). Os soviéticos adotaram uma estratégia de  terra arrasada: evacuavam as áreas ocupadas, e organizavam guerrilhas na  retaguarda alemã. Ocorreu então a batalha decisiva de Stalingrado, que marcou a  virada em todo o curso da guerra.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os alemães conquistaram a cidade de Stalingrado (hoje Volvogrado), após meses  de cerco e feroz combate casa por casa. Buscavam o controle do petróleo do mar  Cáspio, e o trunfo simbólico daquela que, desde a Guerra Civil (ver o artigo 9),  chamava-se "Cidade de Stálin". Empenharam aí seu corpo de elite (o 6° Exército).  Porém, assim que tomaram a cidade, viram-se por sua vez cercados e, após outros  duríssimos combates, capitularam em 2 de fevereiro de 1942. A partir daí, o  nazifascismo caiu na defensiva e começou a perder terreno.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A esquerda era quem dava o tom na Resistência&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para os povos sob o jugo fascista, Stalingrado foi o sinal de que era hora da  contra-ofensiva. A Resistência, antes subterrânea, ganhou ímpeto. Chegara o  momento da revanche pelos anos de terror e miséria do III Reich. As guerrilhas  antifascistas ganharam caráter de massas, sobretudo nos Bálcãs (Iugoslávia,  Albânia, Grécia), entre os maquis franceses e os partigiani italianos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;As forças da Resistência compunham um leque político-ideológico bastante  variado, às vezes combatendo unidas, às vezes não. Havia grupos de direita,  partidários da antiga ordem pré-fascista - às vezes com força, como os  gaullistas (partidários do general de Gaulle) na França ou o Exército Secreto na  Polônia. Mas quem dava o tom era a esquerda, com destaque para os comunistas. Na  Iugoslávia e na Albânia a guerrilha comunista chegou a tomar o poder. Na Itália,  capturou e executou Mussolini. Na França, o PCF conquistou enorme prestígio como  "o partido dos 70 mil fuzilados" durante a ocupação.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estava aberto o caminho para, como veremos, um novo e formidável ascenso da  luta pelo socialismo no mundo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Socialismo se alastra&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A derrota de Hitler na II Guerra abriu caminho para um ascenso sem  precedentes na luta pelo socialismo em plano mundial. A União Soviética saiu do  conflito como a grande responsável pela vitória. Os povos soviéticos, o PCUS e  seu líder, Joseph Stálin [1879-1953], conquistaram enorme prestígio aos olhos  das massas trabalhadoras e povos do mundo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Europa e na Ásia criam as democracias populares&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na Europa Oriental de 1944-1946, surgiram das ruínas da Guerra os regimes de  democracia popular, sob hegemonia comunista. Regimes com esse caráter se  formaram na Polônia, Checoslováquia, Hungria, Alemanha Oriental, Romênia,  Iugoslávia e Albânia. Ao lado de tarefas imediatas antifascistas, foram aos  pouco assumindo também tarefas de passagem para o socialismo. Alguns deles  tinham raízes próprias relativamente débeis, formaram-se basicamente graças à  presença do Exército Vermelho da URSS. Outros tinham bases mais sólidas,  forjadas na resistência aos invasores nazistas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O vendaval revolucionário atingiu também a Ásia. Na China a luta armada  continuou após o fim da II Guerra e da ocupação japonesa, agora opondo o  Exército Vermelho, sob direção comunista, e as tropas de Chiang Kai-shek, com  apoio dos Estados Unidos (ver o próximo artigo); a China Popular terminou  triunfando, a 1º de outubro de 1949, enveredando a nação mais populosa da Terra  rumo ao socialismo. No Vietnã o povo também pegara em armas, liderado pelos  comunistas, e prosseguiu lutando, contra o colonialismo francês e contra o  neocolonialismo norte-americano, até a vitória final em abril de 1975 (ver o  artigo 15). Também na parte norte da Coréia, a guerrilha anti-nipônica levou a  uma democracia popular.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Criou-se assim o chamado Campo Socialista. A experiência de construção da  nova sociedade já não se resumia à URSS; transbordara para um conjunto de  países, com um terço da população do planeta.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O ascenso chegou também ao Brasil&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O ascenso atingiu com força os países que permaneceram no campo capitalista.  Na Europa, o Partido Comunista Italiano alcançou 30% do total de votos do país,  o Francês, 27%. Os movimentos sociais, em especial os sindicatos, iniciaram uma  nova fase de expansão. A maré de esquerda chegou também à América Latina. No  Brasil, forçou o fim do Estado Novo, a Assembléia Constituinte de 1945-1946, e  deu ao Partido Comunista do Brasil, recém-saído da clandestinidade, 10% dos  votos, 14 deputados federais e um senador (Luís Carlos Prestes).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A parte do planeta sob jugo colonial começou igualmente a se agitar. Em 1948  a imensa Índia, segunda nação mais populosa, sacudia o domínio britânico. As  lutas patrióticas ganharam nova força na África e no mundo árabe. Ainda que os  comunistas nem sempre fossem a força principal desses movimentos, em todos se  fazia sentir o impulso do ascenso socialista. Conforme indicara Lênin, a luta  pelo socialismo e a luta antimperialista dos povos subjugados convergiam em um  mesmo sentido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;As potências capitalistas, já sob indiscutível hegemonia norte-americana,  reagiram com um duplo movimento. Por um lado, os EUA puseram em ação o Plano  Marshall, ajudando generosamente os regimes europeus que se opunham à guinada  para a esquerda. Por outro, deflagraram a Guerra Fria, fustigando, econômica,  política e militarmente o campo socialista em formação. O discurso do  primeiro-ministro conservador britânico W. Churchill contra a "cortina de  ferro", em março de 1946, marca o início da Guerra Fria, logo confirmada pelo  engajamento dos EUA na Guerra da Coréia (1950-1953).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Revolução Chinesa&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O evento revolucionário mais importante do século 20, depois de 1917, foi o  triunfo da Revolução Chinesa, em 1º de outubro de 1949. Com ele, a velha China  semicolonial e semifeudal deu lugar a uma nova China, democrático-popular, sob a  direção do Partido Comunista Chinês (PCCh).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A transformação no país mais populoso da Terra tomou impulso no início do  século. O império manchú, sustentáculo da ordem feudal e submisso às potências  imperialistas que garroteavam a China, veio abaixo com a Revolução Democrática  de 1911. À sua frente estava o Kuomintang (Partido do Povo do País) de Sun  Yat-sen (1866-1925) - um intelectual convertido ao cristianismo, progressista,  após 1917 aliado à Rússia Soviética.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mao Tsetung e a linha da guerra popular&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No entanto, a queda do imperador não levou a uma nova ordem estável. O  Kuomintang só governava uma pequena parte da China. O restante ficou à mercê dos  chamados senhores de guerra, chefes militares (em geral senhores feudais) que  faziam a lei graças a exércitos privados. Em meio a um nascente movimento  operário, agitações estudantís (Movimento 4 de Maio) e levantes camponeses, Sun  Yat-sen lançou a Expedição ao Norte - uma operação militar contra os senhores de  guerra. Dela participava o jovem Partido Comunista da China (PCCh), fundado por  intelectuais em 1921. Em 1927, Chiang Kai-shek, sucessor de Sun Yat-sen no  Kuomintang, deu uma guinada à direita, massacrando os comunistas nas cidades e  os movimentos camponeses, e unificou o país sob uma ditadura militar, com apoio  anglo-americano. O PCCh resistiu em suas bases camponesas no Sul: a guerra civil  entrava em uma nova etapa (1927-1937).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nessa fase, começaram a sobressair no partido as idéias de Mao Tsetung  (1893-1976). Se a maioria da direção adotava uma via do tipo russo -  inssurreição urbana com base operária -, Mao, com base nas particularidades  chinesas, apontava outra linha. Na China, dizia ele, a revolução armada combate  desde o início a contra-revolução armada. O proletariado e seu partido têm a  direção, mas a força principal vem dos camponeses (80% da população). O caminho  não é a insurreição, mas a guerra popular, prolongada, partindo do campo para  cercar as cidades, recorrendo à guerrilha e à guerra de movimento.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estas posições vingaram após o Exército Popular revolucionário sofrer uma  profunda derrota militar, em 1934, tendo de abandonar suas bases no sul, na  célebre Grande Marcha (mais de 10 mil km). Já sob a direção de Mao, formaram-se  novas bases de apoio camponesas nas montanhas de Yenan.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A vitória de 1949, no quadro da Guerra Fria&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Por esta época a situação sofreu uma mudança de fundo: o Japão militarista,  aliado de Hitler anexou uma parte do país, entregou outra a um governo fantoche  e enviou exércitos para ocupar o resto da China. Chiang Kai-shek foi preso por  seus próprios generais e forçado a aliar-se ao PCCh, numa frente antijaponesa. A  Revolução Chinesa entrou em sua terceira fase (1937-1945), vitoriosa com a  derrota do Eixo na II Guerra.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Exército Popular possuía então vastas bases no interior, reforçadas pela  ofensiva da URSS na Manchúria. Já o Kuomintang alinhava-se aos EUA na Guerra  Fria. Contrariando a opinião de Stálin, o PCCh enfrentou Chiang Kai-shek e a  luta entrou em sua quarta fase, vencedora em 1949. Os contra-revolucionários  fugiram para Taiwan (onde criaram a chamada China Nacionalista). Um quarto do  gênero humano começava a construir uma nova sociedade, em busca de seu caminho  para o socialismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Primeiros Passos da URSS&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para conhecer de fato a história da luta pelo socialismo, é indispensável  examinar mais detidamente a trajetória soviética. Afinal, ela contém em si a  principal vitória, a principal experiência e a principal derrota na construção  da nova sociedade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Não foi uma trajetória fácil, nem linear. Enfrentou contingências históricas  em geral adversas. Comportou gigantescos enfrentamentos, no front das idéias ou  no da luta armada, e conflitos mais ou menos subterrâneos. Atravessou também  diferentes fases, com características próprias: 1) A Guerra Civil (1917-1920);  2) A Nova Política Econômica (1921-1927); 3) Os primeiros planos qüinqüenais  (1928-1941); 4) A Guerra Patriótica contra o nazifascismo (1941-1945); 5) A  eclosão da Guerra Fria (1946-1956); 6) A guinada revisionista de Kruschev  (1956-1964); 7) A fase de lenta degradação (1964-1985); e 8) A fase final, de  rápida degradação e crise terminal (1985-1991).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Comunismo de Guerra e Nova Política Econômica&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Estado dos Soviets venceu a Guerra Civil e a intervenção militar de 14  potências estrangeiras (ver artigo 10), pagando porém um preço altíssimo. Sofreu  perdas territoriais (Polônia, Estados Bálticos e Finlândia, que integravam o  antigo império russo). Sua já atrasada e combalida economia entrou em colapso.  As cidades se esvaziaram. O povo passava fome. A política econômica da época,  conhecida como Comunismo de Guerra, subordinava-se às imposições do combate à  contra-revolução armada.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Logo após a vitória, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (nome  adotado em 1922) adotou outra linha, conhecida como NEP (Sigla de Nova Política  Econômica). Lênin, ao defendê-la, reconhecia francamente que era uma linha de  concessões ao capitalismo. Justificava-a devido ao secular atraso e ao  lastimável estado da economia. Ela incluía a vigência de relações mercantís no  comércio interno, na produção camponesa, e em especial o emprego do capitalismo  de Estado - empresas onde o poder socialista se associava a capitais privados,  inclusive estrangeiros. A orientação socialista era garantida pelo Estado  soviético, que controlava o comércio externo, os bancos e a grande  indústria.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A NEP surtiu efeito: em 1927 a produção retornou ao nível anterior à guerra  de 1914. Ao mesmo tempo, deixou importantes indicações - nem sempre valorizadas  - sobre os caminhos da passagem ao socialismo em países atrasados como a  Rússia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A morte de Lênin e a ascensão de Stálin&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Também na esfera política os primeiros anos da URSS foram tumultuados. Em 21  de janeiro de 1924 morreu Lênin, com apenas 53 anos de idade, após longa doença  agravada pelo atentado político que o ferira em 1920. Chorado pelos  trabalhadores no mundo inteiro, o líder da Revolução de Outubro deixou a  construção da nova sociedade ainda em seus primeiros passos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A direção do PC(b)US passou Joseph Vissarianovic Djugashvili (1879-1953), um  veterano bolchevique georgiano, secretário-geral do partido, mais conhecido por  seu nome frio, o "Homem de Aço", Stálin. Começou então uma fase de luta interna  aguda, polarizada por León Trotsky (1879-1940), que contestava desde a NEP até a  viabilidade da construção do socialismo em um só país. Trotsky terminou  derrotado, expulso do partido (1927) e banido (1929), passando a liderar o  movimento que daria lugar às atuais tendências trotskistas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Dentro da URSS, prosseguiu o debate sobre os rumos da construção socialista,  já no ambiente mundial carregado pela escalada do nazifascismo (ver artigo 12).  Em 1928 a política da NEP foi substituída por uma ofensiva geral socializante,  concretizada na política dos planos qüinqüenais.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Acertos e Desacertos Soviéticos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em 1928 a URSS passou da NEP (ver o artigo 15) para a política dos planos  qüinqüenais, de completa socialização. Em 1930-33, a coletivização agrícola  reuniu as pequenas economias camponesas em grandes cooperativas - os  kolkozes.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;As transformações foram fulminantes, causando transtornos, inclusive  políticos e especialmente no campo. Porém tiveram um sucesso econômico  estupendo, ainda mais em contraste com a crise de 1929 no mundo capitalista. Nos  dez anos entre 1929 e 1938, segundo fontes norte-americanas, o PIB da URSS  cresceu 72%, enquanto o da Alemanha crescia 40% e o PIB dos EUA diminuía  6,2%.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A economia soviética tornou-se a segunda maior do planeta. Instalou-se o  pleno emprego - nem um só desempregado. E o povo melhorou sensivelmente de vida,  fosse em termos de alimentação, de instrução ou de saúde. Era essa a base real  do enorme e crescente prestígio do regime soviético, do Partido Comunista e de  Stálin, dentro e fora do país, durante toda a época de ascensão socialista que  vai até os anos 50.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Insuficiências e erros: o porquê da derrota&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Porém ao lado dos êxitos, havia insuficiências e erros também inegáveis. E  eles merecem a maior atenção, pois no fundo explicam o porquê da guinada de  direita em 1956, do retrocesso posterior e da derrota final da experiência  soviética.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Provavelmente os êxitos subiram à cabeça da direção. A teoria, em vez de  avançar sempre mais, estagnou-se e "manualizou-se". Já então surgiam  manifestações de burocratismo, carreirismo, nepotismo e formalismo, que mais  tarde se generalizaram.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Estado dos Soviets, nascido como um poder exercido pelas massas  trabalhadoras, muito mais democrático que a mais democrática república burguesa,  foi por assim dizer se enferrujando. Aos poucos, centralizou-se, passou a violar  a legalidade e abusar da repressão policial. A soberania popular tornou-se  passiva e acrítica, sob o pretexto de que "a direção sabe o que faz".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A direção cabia ao partido, o PCUS. Porém este foi se confundindo com o  Estado e as entidades de massas, açambarcando tudo, tratando de tudo, mas  isolando-se das massas e renunciando à condição de destacamento de classe.  Dentro do partido, as decisões se concentravam na direção e em Stálin, que  passou a ser endeusado. Fora dele, a iniciativa criadora das massas e o controle  operário de baixo para cima, tão valorizados por Lênin, tornou-se formais.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Essas deformações se manifestaram até no campo das ciências e das artes.  Conhece-se o alto preço que elas impuseram à biologia soviética, assim como a  mediocridade que se abateu sobre a talentosa pátria de Maiakovsky e Eisenstein  depois que entraram em vigor as normas da "arte do realismo socialista".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Sentido histórico pioneiro da experiência soviética&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Essas insuficiências e erros devem ser encaradas com rigor. Ao mesmo tempo,  há que situá-las historicamente: a URSS realizava uma experiência pioneira, sem  precedentes na trajetória da humanidade, sem exemplos nos quais basear-se (afora  a fugaz Comuna de Paris, ver o artigo 4) e em condições internas e externas  extremamente difíceis. Era até certo ponto compreensível que cometesse erros,  assim como se compreende que uma criança de colo tropece e caia ao aprender a  andar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Hoje, o acervo dos acertos e desacertos da experiência soviética serve como  um valiosíssimo referencial. Os lutadores pelo socialismo aprendem com eles -  inclusive com os erros! - para melhor conduzir as experiências de um socialismo  renovado que nos esperam no século 21.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Direita Volver&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os erros referidos no artigo anterior se agravaram após a II Guerra, servindo  de base e, ao mesmo tempo, de álibi para uma guinada à direita da direção  soviética, nos anos 50. Stálin morrera em 1953, reverenciado na URSS e em todo o  mundo. Nikita Kruschov (1894-1971) assumiu a secretaria-geral do partido e, no  célebre 20º Congresso do PCUS (1956) lançou a nova orientação, enquanto atacava  Stálin em seu "Relatório secreto", a pretexto de combater o culto à  personalidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Resposta oportunista para problemas reais&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A política do 20º Congresso ficou conhecida pelo lema dos "Três pacíficos":  coexistência pacífica e competição pacífica com o capitalismo, transição  pacífica para o socialismo. Na verdade, não se reduzia à oposição entre meios  pacíficos e violentos. Era toda uma nova linha geral, uma resposta de direita  para os problemas reais que vinham se acumulando.&lt;br /&gt;Em 1957 esboçou-se uma  reação neste rumo, liderada por Molotov, Malenkov e Kaganovitch, prestigiados  expoentes da velha guarda bolchevique, porém por vias burocráticas e cupulistas.  O Comitê Central chegou a votar a destituição de Kruschov, mas foi cercado pelos  tanques de um general pró-Kruschov, a votação foi revertida e os  antikruschovistas expulsos como "grupo antipartido". A base partidária e as  massas assistiram a tudo passivamente, adormecidas pela cantilena de que "a  direção sabe o que faz".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A nova direção soviética tratou de repassar a linha do 20º Congresso para  todo o movimento comunista mundial, nas reuniões de 1957 e 1960, esta com 81  partidos comunistas e operários de todos os continentes. A maioria das direções  partidárias acompanhou-a - uns por seguidismo, outros por convicção. Mas houve  também fortes resistências, abrindo uma fase de polêmica e divisão. Os partidos  da China e da Albânia, no poder, contestaram a orientação soviética, assim como  o do Vietnã - que dirigia uma heróica guerra popular contra a agressão  norte-americana (veja o próximo artigo). Muitos partidos se cindiram em uma ala  pró-Kruschov - em geral majoritária - e outra anti-revisionista. Em nosso país a  cisão, referenciada sobretudo nas questões da revolução brasileira, levou à  reorganização do Partido Comunista do Brasil, em 1962.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Lições da luta contra o revisionismo soviético&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Kruschov promoveu sua guinada às claras, mal mantendo uma precária folha de  parreira "marxista". Após derrotas nos planos externo (crise de Berlim, 1958,  crise dos mísseis em Cuba, 1962) e interno (fracassos na agricultura), terminou  caindo, em 1964. A direção do PCUS passou a Leonid Brejnev, que manteve o mesmo  curso geral porém de forma matizada, preocupando-se com as aparências e até  polemizando com oportunistas mais assumidos como os "eurocomunistas". A URSS  passou a uma degradação lenta e encoberta, até a crise terminal da perestroika  (reestruturação), com Mikhail Gorbachov, que retomou o oportunismo assumido de  Kruschov e terminou de enterrar a experiência iniciada em 1917.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A história deu razão, portanto, aos que denunciaram e combateram o  revisionismo soviético (veja o artigo 6). A linha revisionista - marxista em  palavras, mas abandonando a essência revolucionária do marxismo - conduziu de  fato à derrota, à capitulação face ao capitalismo em geral e aos EUA em  particular. Ao mesmo tempo, hoje fica claro que este combate foi unilateral: ao  denunciar a traição revisionista, caiu no equívoco de defender em bloco a fase  anterior, sem apontar os erros que, já então, abriam caminho para a guinada à  direita e o desvirtuamento do socialismo soviético.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Da Crise ao Colapso&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A guinada à direita na direção da URSS abriu uma etapa de paulatina  degradação da experiência socialista: queda permanente dos índices econômicos;  queda também dos índices de bem-estar social, criando um clima de surda  insatisfação; desigualdades crescentes entre as massas do povo e a elite dos  aparatchik (homens do aparato), que foi virando uma casta privilegiada;  desprestígio internacional (sobretudo após a invasão da Tchecoslováquia, em  1968); e derrota militar (a desastrosa ocupação do Afeganistão, que se converte  no "Vietnã da URSS").&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Esse socialismo degenerado ainda assim jogava um papel mundial positivo, ao  se contrapor à superpotência norte-americana. E também internamente mantinha não  poucas conquistas da fase de construção, embora degradando-as. Hoje está claro  que o combate dos marxistas-leninistas ao revisionismo, embora essencialmente  justo, pecava por simplificação ao caracterizar a URSS dos anos 60 em diante  como uma superpotência capitalista, social-imperialista, e ponto final.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Mikhail Gorbatchev, o coveiro do socialismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em 1985, após uma rápida sucessão de herdeiros de Brejnev, subiu à direção  soviética Mikhail Gorbatchev, logo saudado pela mídia ocidental como um grande  estadista. Em 1987 Gorbatchev lançou o livro Perestroika (reestruturação),  retomando a linha kruschovista, de um direitismo mais assumido, mas sempre  maquiado de "socialismo avançado". A gestão de Gorbatchev foi um completo  desastre. Por um lado, a crise objetiva da experiência soviética entrou na sua  fase aguda: o que ocorria em câmara lenta ganhou um ritmo vertiginoso. Por  outro, a linha da Perestroika em vez de combater impulsionou o colapso.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na virada dos anos 90 eclodiu a crise terminal. A justa revolta das massas,  em especial da juventude, explodiu em protestos abertos, habilmente manipulados  pelas forças internas e externas pró-capitalistas. Os fatos-símbolo dessa fase  são a derrubada do Muro de Berlim, em novembro de 1989, e a destruição das  estátuas de Lênin. Da Europa Oriental o colapso passou à URSS, com a secessão  das repúblicas soviéticas, a começar pelas bálticas. Gorbatchev perdeu o  controle da derrocada que ajudara a detonar. Apesar do aplauso dos EUA de Ronald  Reagan e da Inglaterra de Margaret Thatcher, dentro da URSS era impopularíssimo,  pois as condições de vida despencavam sempre mais. Terminou superado por Bóris  Ieltsin, um anticomunista sem máscara, que em junho de 1990 elegeu-se presidente  da Rússia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em agosto de 1991 um grupo de dirigentes tenta reverter a derrocada e  destitui Gorbatchev. Porém tal como em 1957 a tentativa é burocrática,  cupulista, um golpe de estado sem respaldo de massas. Ieltsin aproveita a  oportunidade para defenestrar Gorbatchev, dissolver formalmente a URSS e  enveredar pela plena restauração capitalista, conforme o modelo neoliberal.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Terror e miséria na Rússia pós-soviética&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Rússia pós-soviética já conta quase uma década, sempre sob a batuta de  Ieltsin, com apoio decisivo dos EUA. No balanço dessa fase, três fatos se  destacam.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A restauração plena do capitalismo vem se mostrando muito mais difícil e  traumática do que imaginavam Ieltsin &amp;amp; Cia - o que comprova o quanto foi  profunda a experiência socialista na URSS, distintamente do que ocorreu na  Europa Oriental. Em particular, ele se depara com a inexistência uma classe  burguesa formada. A "nova acumulação primitiva" que procura formá-la baseia-se  no banditismo organizado de tipo mafioso.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A piora das condições de vida do povo atingiu níveis raramente vistos na  história mundial em tempos de paz. O dado mais eloqüente é a expectativa média  de vida, que entre 1989 e 1994 caiu 2,8 anos, na população feminina, e 6,5 anos  na masculina (!).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O povo trabalhador, antes tarde do que nunca, desperta do torpor e das  ilusões, retoma suas tradições combativas e sai às ruas. Significativamente, a  fortíssima oposição tem à frente o Partido Comunista da Federação Russa - que  embora sem levar até o fim o exame autocrítico da experiência soviética tem uma  plataforma de firme oposição ao ieltsenismo. A história também ali está longe de  acabar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Revolução Vietnamita&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A crise da experiência soviética, apesar de seu papel negativo, não deteve a  luta pelo socialismo e os movimentos de libertação nacional. Nos anos 60 e 70,  uma epopéia deste combate emocionou o mundo: a Revolução Vietnamita.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Um povo disposto a tudo pela liberdade&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Vietnã possui uma cultura multimilenar, relacionada com a chinesa mas muito  ciosa de sua independência. Em 1857-1884 foi submetido ao domínio colonial  francês (que se estendia ao Laos e Cambodja, formando a Indochina Francesa). A  classe dominante feudal se acomodou, mas o povo trabalhador buscou o caminho da  resistência. Em 1930, fundou o Partido Comunista, tendo à frente Ho Chi-min -  poeta e ex-marinheiro que correra o mundo, conhecendo a França, a URSS e até o  Brasil. A ação anticolonial aumentou.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Durante a II Guerra, a França capitulou face aos alemães, e as autoridades da  Indochina Francesa fizeram o mesmo frente aos japoneses. Os vietnamitas, porém,  formaram o Vietmin e partiram para a guerrilha, pelo fim de todo jugo  estrangeiro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Finda a guerra, em 1945, a França tratou de recuperar sua colônia, mas  deparou com um povo armado e disposto a tudo pela liberdade. Irrompeu um segunda  guerra de libertação. Os vietnamitas, após anos de guerrilha, venceram a batalha  decisiva de Diem Bienfu (1954), forçando a retirada francesa. Porém pelo tratado  de paz o país foi dividido em dois: o Norte, onde a guerrilha era mais forte,  levou Ho Chi-min à presidência, fez a reforma agrária e iniciou a construção  socialista. Mas o Sul caiu sob a ditadura de Ngô Diem e do neocolonialismo  americano. Um plebiscito, previsto para reunificar o país, jamais ocorreu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O triunfo de Davi sobre o Golias imperialista&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A guerrilha recomeçou e Diem retrucou chamando tropas dos EUA. De 1962 a  1968, estes puseram no Vietnã até 550 mil soldados. Fiados no seu colossal  poderio econômico e militar, nem pensavam em uma derrota.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Porém aquele povo de camponeses miúdos e tenazes deu ao mundo um exemplo  talvez sem igual de unidade e bravura. Cavou centenas de quilômetros de túneis,  fez granadas com ninhos de marimbondos, montou um sistema de transporte por  bicicletas… Em breve, o planeta assistia abismado ao triunfo do Davi  guerrilheiro sobre o Golias imperialista. Em 1968, a Ofensiva do Tet acuou os  marines em umas poucas cidades, enquanto as áreas rurais eram bases da guerrilha  vietcong (vietnamita comunista, apelido depreciativo dados pelos  americanos).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os cadáveres de marines não cessavam de chegar aos EUA, envoltos em plástico  negro. O governo de Washington passou a encarar outro front, com a juventude  americana erguendo-se em enormes manifestações pacifistas. E as próprias tropas  começavam a se desagregar, com deserções e rebeliões. O governo Nixon decidiu  então pela vietnamização da guerra: os EUA entrariam apenas com as armas, o  dinheiro, os bombardeios indiscriminados do Vietnã do Norte.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Mais uma vez os vietnamitas resistiram, e avançaram, até que os EUA  propuseram conversações de paz, em Paris. Estas chegaram a uma solução de  compromisso, mas em seguida os combates reiniciaram, já com os EUA completamente  impedidos, pela opinião pública interna e mundial, de se engajar mais a fundo.  Em 30 de abril de 1975, uma ofensiva final da guerrilha libertou a capital do  Sul, Saigon (hoje Ho Chi-min). Os últimos soldados americanos, e seus  testas-de-ferro vietnamitas, fugiram às pressas, em helicópteros superlotados. O  país, reunificado e em paz, iniciou um longo trabalho de construção, que o  converteu em uma espécie de "tigre asiático vermelho".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Revolução Cubana&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Revolução Cubana triunfou quando a União Soviética já estava sob direção  kruschovista. Seu alcance mundial, e especialmente latino-americano, traz esta  marca.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Da guerrilha à vitória e às convicções socialistas&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Cuba vivera na virada do século 20 um processo revolucionário avançado,  dirigido por José Martí, mas este fracassara e a ilha vivia sob abjeta  dependência dos Estados Unidos. O regime de Fulgêncio Batista, rapidamente se  despira das cores progressistas iniciais para assumir as de uma típica tirania  latino-americana.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;De outro lado, o Partido Comunista Cubano sofrera forte influência do  liquidacionismo browderista (do norte-americano Earl Browder), que pregara em  1944 a sumária extinção dos partidos comunistas. O Partido cubano chegara a  mudar de nome, para Partido Socialista Popular (PSP); estava despreparado para  assumir um papel de vanguarda.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No vácuo assim criado, um jovem advogado assumiu a contestação radical da  ditadura de Batista. Chamava-se Fidel Castro e dirigiu, em 26 de julho de 1953,  o assalto ao quartel de Moncada. Derrotado, preso, defendeu-se com um libelo - A  história me absolverá - e fundou no exílio o Movimento Revolucionário 26 de  Julho. Não era então marxista, mas um seguidor de Martí. Em 2 de dezembro de  1956 o 26 de Julho desembarcou 72 homens em Cuba, vindos do México no iate  Granma, e após perder muitos deles iniciou a guerrilha na Sierra Maestra. Com  apoio de uma frente que incluía o PSP, galvanizou a oposição e em 1º de janeiro  de 1959 entrava triunfalmente em Havana.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No início os EUA, incomodados com a impopularidade de Batista, não  hostilizaram Fidel. Mas quando Cuba iniciou a reforma agrária e o estímulo a  movimentos similares na América Latina, o Império do Norte tratou de derrubar  Castro. Em abril de 1962, financiou o desembarque de mercenários na baía dos  Porcos. Cuba reagiu radicalizando-se. Fidel, sob influência de seu irmão Raul  Castro e do jovem médico-guerrilheiro argentino Ernesto Che Guevara, aderiu ao  marxismo e aproximou-se da URSS. Em 1963, o 26 de Julho e o PSP se fundiam, com  predomínio do primeiro, no Partido Comunista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A crise mostra quem são os revolucionários&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ao enveredar pelo socialismo, Cuba alinhou-se em geral com a URSS de Kruschov  &amp;amp; Cia, porém desobedecendo amiúde o seu reformismo. Estimulou os movimentos  revolucionários, especialmente na América Latina e na África, onde o Che  combateu até seu assassinato na selva boliviana. Também internamente seguiu um  curso original, com raízes no legado de Martí e no elã do 26 de Julho,  valorizando o papel da consciência na transformação da realidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A prova de fogo da experiência cubana veio na virada dos anos 90. Com a  derrocada soviética, cessou bruscamente a ajuda econômica de Moscou. A economia  da ilha entrou em colapso, o povo passava fome e os observadores previam uma  iminente capitulação do tipo europeu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Cuba, porém, resistiu e resiste. Em um cenário de imensas dificuldades,  manteve a bandeira da revolução. É certo que faz concessões, inevitáveis e até  indispensáveis nas circunstâncias. Abriu espaço para iniciativas capitalistas,  investimentos estrangeiros. Em política externa, busca uma ampla união  antineoliberal e recebeu festivamente em 1997 a visita do papa. Por esta senda,  escarpada e sinuosa, vai superando os desafios de manter as conquistas da  Revolução. É nas crises mais agudas que se fica sabendo quem é de fato  revolucionário. E a sustentação de Cuba revolucionária, a 160 km de Miami,  continua a encorajar as forças revolucionárias latino-americanas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os Comunistas na Virada do Século&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O colapso da experiência soviética, por um lado, e a ofensiva do  neoliberalismo, por outro, criaram uma situação nova para o movimento comunista  mundial. Evidentemente, uma situação de dificuldades, de uma luta de  resistência, a partir de posições defensivas. Porém, paradoxalmente, também uma  situação de reencontro, renovação autocrítica e relançamento.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os muitos caminhos que levam à mesma trincheira&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Diz o ditado que se conhece os bons amigos nos maus momentos. A fase aguda da  crise do socialismo confrontou os partidos comunistas com enormes desafios,  desde o plano da prática até o dos fundamentos teórico-ideológicos. Os que  venceram esta prova de fogo saíram revitalizados. E ao ultrapassá-la  identificaram não poucos companheiros de combate que haviam percorrido  trajetórias convergentes, embora diferenciadas. Alguns exemplos podem  ajudar:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A via percorrida pelo PCdoB - assim como o caminho, distinto, do PC da China  - marcaram-se desde o início pela denúncia e o combate frontais ao revisionismo  soviético. E não há como negar-lhes razão, hoje que a tragédia soviética chegou  ao fim. Mas outros destacamentos marxistas trilharam itinerários diferentes e  nem por isto deixam de se encontrar hoje na mesma trincheira.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Vários partidos, em especial na Ásia, adotaram uma postura de neutralidade  face à grande cisão do movimento comunista 40 anos atrás. Foi, em especial, o  caso do Vietnã e o da Coréia. Porém o duríssimo teste da última década  evidenciou que não foi uma daquelas neutralidades de fundo oportunista que  apenas escondem a capitulação. Pelo contrário, passada a tempestade, mantêm  hasteadas as suas bandeiras.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Houve os que formaram ao lado da URSS na grande polêmica dos anos 60, porém  mantendo certa independência. Foi o caso do PC Cubano, cuja política na América  Latina e em seguida na África não poucas vezes desafiava abertamente as  diretivas de Moscou.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Houve ainda os que acataram a linha internacional que vinha do "partido-pai"  soviético, porém mantiveram tenazmente, em seus países, políticas e condutas de  classe e de combate, opostas ao revisionismo. Entre estes, poderíamos citar o PC  Português, na resistência ao salazarismo, no apoio à luta armada nas colônias e  no impulsionamento da crise revolucionária de 1974-75. Ou o do Chile,  protagonista da mais firme resistência à ditadura Pinnochet. Ou da Colômbia  guerrilheira. Ou ainda o da África do Sul, força principal do CNA e da autêntica  revolução vitoriosa naquele país com a eleição de Mandela, em pleno apoteose  mundial do neoliberalismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em outros exemplos, o contágio do oportunismo, embora maior, foi alvo de  lutas internas e processos autocríticos. Algumas vezes não se chegou ainda a um  desfecho, como na França. Em outras, o oportunismo radicalizado ficou em maioria  e obrigou a refundação do Partido Comunista, como na Itália. Na própria Rússia,  um jovem partido comunista com vasta base de massas renasce das cinzas da crise  pós-soviética.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os muitos caminhos que levam à mesma trincheira&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;De todas essas trajetórias distintas, e em todos os quadrantes da Terra,  emerge uma postura comum: de aprendizado com os acertos e erros do passado, de  resistência à ofensiva neoliberal e busca dos caminhos do socialismo nesta  alvorada do século 21.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Este reencontro ainda está em andamento, até porque carece ainda de um  referencial do porte do que foi a Revolução de 1917. Mas já se percebe a olhos  vistos o seu avanço, à medida que a ofensiva neoliberal perde ímpeto, revela  seus limites e impõe aos trabalhadores a necessidade de voltarem à arena da luta  de classe.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Ofensiva Neoliberal&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;À medida que a experiência soviética desmoronava, o capitalismo, sob comando  norte-americano, passou afanosamente à revanche. O porta-estandarte do  contra-ataque foi Ronald Reagan, presidente republicano dos EUA nos anos 80,  secundado pela ultra-conservadora primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher e  por Mikhail Gorbatchev (ver o artigo 18) na própria URSS.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A desforra burguesa continua até hoje e tem alcance mundial. Por sua natureza  e porte, assemelha-se à outra grande investida reacionária do século, a  nazifascista, de 1922-43. Seus defensores chamam-na "globalização", mas hoje ela  é conhecida como ofensiva neoliberal. Pode ser definida como a ofensiva geral do  capital, e em especial dos EUA, em condições de renovação tecnológica e  estagnação produtiva.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O ataque geral da burguesia e dos EUA&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ofensiva, porque aproveita a derrota temporária do socialismo e dos  trabalhadores para assumir a iniciativa e ditar sua lei. Os lutadores pelo  socialismo, mesmo se estão no poder, são forçados a usar estratégias defensivas,  de resistência e acúmulo de forças.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Geral, porque o neoliberalismo não é um simples receituário econômico, ou  econômico-social. Atua na política, mutilando direitos como a liberdade  partidária e aprovando reformas conservadoras como o instituto da reeleição no  Brasil, Argentina e Peru. Recorre à ação militar, como na Guerra do Golfo  (1990-91), no bombardeio da Iugoslávia (1999) e várias agressões de menor porte.  Manifesta-se na ideologia, através do "pensamento único" que orquestra a mídia  planetária. Nada lhe escapa: é uma ofensiva em toda linha.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Do capital, porque tem claro caráter de classe, da burguesia contra os  trabalhadores. Desde 1917, e mais ainda após 1945, o sistema burguês tolerara  não poucas conquistas sociais (ver o artigo 13) por medo do socialismo: cedera  os anéis para não perder os dedos. Agora, quer os anéis de volta… Em toda parte,  inclusive EUA, Europa e Japão, os assalariados perdem prerrogativas sociais,  crescem a concentração de renda e a exclusão.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em especial dos EUA porque o neoliberalismo não beneficia por igual todos os  segmentos burgueses, privilegia o grande capital imperialista americano. Na  chamada "globalização", ele é o "globalizador", os outros são os "globalizados".  As maiores vítimas são as nações dependentes, mas até a Europa e o Japão têm de  engolir indigestos sapos, no incômodo papel de sócios minoritários em um mundo  unipolar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A ofensiva começa a dar sinais de esgotamento&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Por fim, a ofensiva neoliberal é condicionada pela renovação tecnológica e a  estagnação produtiva, que a um só tempo a impulsionam e a fragilizam. O impulso  vem principalmente do desemprego, que represa as lutas dos trabalhadores. Já a  fragilidade vem da constatação - hoje estatisticamente demonstrável - de que a  receita neoliberal não garante sequer uma fase de prosperidade burguesa. O bolo  da riqueza não cresce. A fatia dos trabalhadores diminui. E a luta  antineoliberal vai se impondo como única saída.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Assim, a ofensiva leoliberal perde ímpeto e dá sinais de esgotamento. Na  Europa, quase todos os neoliberais assumidos já foram apeados do poder. Na Ásia,  a crise de 1997 deflagrou uma onda de mobilizações e instabilidade política. E  na nossa sofrida América Latina, talvez a maior vítima da onda neoliberal, a  mudança é patente - seja na tendência das urnas venezuelanas, argentinas,  uruguaias e chilenas, seja na Colômbia conflagrada ou no Brasil, México,  Equador. Não é ainda o fim da ofensiva, mas são, sim, os prenúncios do fim.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Século 21 Será Socialista!&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Concluída esta breve História da luta pelo socialismo, podemos olhar para  trás e abranger com a vista o conjunto do percurso. Por certo não foi - nem é,  nem será - um passeio. Os homens e mulheres que o trilharam tiveram de abrir  caminho combatendo a cada passo inimigos poderosos, impiedosos e traiçoeiros.  Foram forçados, ao mesmo tempo, a desbravar trilhas nunca antes palmilhadas,  veredas escarpadas, sinuosas, com freqüência escorregadias, cheias de  encruzilhadas e desvios. Tiveram ainda de arcar com o peso de suas próprias  limitações e erros, pois eram - e são, e serão - simples homens e mulheres de  carne e osso.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Tudo isso só os engrandece. Realizaram uma proeza sem igual na saga da raça  humana, uma epopéia do tamanho da Terra, cheia de amor e fúria, destemor e  generosidade, consciência e sonho. Já somam muitas gerações, e incontáveis  milhões, cada um com seu modesto heroísmo de sonhadores combatentes. Ou não era  uma heroína a tecelã inglesa dos anos 1830, descalça e analfabeta, que após doze  horas na fábrica ia em busca de quem lhe lesse os panfletos dos cartistas?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Nossa marcha começou há apenas 150 anos…&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nosso relato pára aqui, mas a marcha da história real segue, sempre  combatendo, dia após dia, sem descanso. É certo que ainda não vencemos, ainda  carregamos os grilhões da escravidão assalariada, não saímos do Reino da  Necessidade para o Reino da Liberdade. E daí? Temos apenas um século e meio, um  pouco mais se incluímos o socialismo pré-Manifesto Comunista. Aos olhos da  história, somos quando muito adolescentes. Se usamos a Europa como referência, a  Antigüidade escravista levou mais de 2 mil anos para sucumbir, sob as ruínas do  Império Romano, e o feudalismo durou outro milênio, até ser varrido pelas  revoluções dos séculos 18-19. A burguesia nasceu em sua primitiva versão  mercantil por volta do século 15, e só em meados do século 19 se afiançou no  poder - já com o proletariado nos calcanhares. É natural que a transformação  socialista, cem vezes mais radical - pois rompe com todos os sistemas baseados  na exploração do homem pelo homem -, esteja ainda a caminho.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Historicamente, a luta pelo socialismo atravessou duas grandes crises: A  primeira, surgida da Guerra de 1914, foi superada no plano teórico pelo  leninismo e no prático pela Revolução de 1917. A segunda instalou-se com a  regressão soviética, e continua até hoje. Porém há crises e crises. Umas  acometem sistemas caducos, retrógrados, e precipitam sua morte. Outras atingem  as propostas históricas novas, progressistas, e ao serem enfrentadas  desembaraçam seu avanço. As vicissitudes das últimas décadas podem muito bem ser  a crise de adolescência da luta pelo socialismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A ofensiva começa a dar sinais de esgotamento&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No plano objetivo, o próprio capitalismo criou uma a uma as premissas de sua  superação. A produção se socializa mais e mais, entrelaçada em complexas redes  de interdependência que freqüentemente cobrem o Globo. Já a propriedade privada  se concentra como nunca, como atestam as megafusões dos anos 90. A revolução  científica e tecnológica abre pela primeira vez a possibilidade de dar trabalho,  alimentação, moradia, educação, saúde, transporte, cultura, lazer, bem-estar  social, a todos os seres humanos do planeta. É a lógica do antigo regime que  contrai o bem-estar em vez de universalizá-lo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;"Apenas" as relações capitalistas e o poder burguês se interpõem entre a  sociedade e esse passo emancipador - ainda que seja um "apenas" cercado de  grossas aspas. Superá-las depende de nós.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-1877413512841074129?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/1877413512841074129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=1877413512841074129' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/1877413512841074129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/1877413512841074129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/histria-da-luta-pelo-socialismo.html' title='História da Luta Pelo Socialismo'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-2094423646975338144</id><published>2008-06-17T10:29:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:30:23.052-07:00</updated><title type='text'>Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i&gt;Nereide Saviani&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Texto &amp;amp; Contexto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em 1875, Eugênio Dühring, professor da Universidade de Berlim,  &lt;figura&gt;publicou um livro que daria conta de uma teoria socialista e de um  plano de reorganização da sociedade. Uma tentativa de chamar a seu redor setores  do movimento operário para enfraquecimento do Partido Socialista da Alemanha,  que vinha se tornando uma potência. Engels escreveu uma série de artigos com  severas críticas às pretensões reacionárias desse escritor, reunindo-os em um  livro sob o título "A subversão da Ciência pelo senhor Eugênio Dühring",  publicado em 1878, que passou a ser conhecido como Anti Dühring. Em 1880, Engels  destacou três capítulos desse livro para ser publicado em um folheto sob o  título "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote mais sobre o  contexto: Prefácio à edição inglesa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Texto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estruturado em três capítulos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No Capítulo I, Engels assinala os méritos das teorias socialistas do passado  (principalmente as dos socialistas utópicos) e discute seus limites e equívocos,  salientando que, "para converter o socialismo em ciência era necessário, antes  de tudo, situá-lo no terreno da realidade".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No Capítulo II, sintetiza características do método dialético (em oposição ao  metafísico) e da concepção materialista (em oposição à idealista), mostrando que  é a concepção materialista de história (o materialismo dialético-histórico) que  permite a análise científica do modo capitalista de produção, o entendimento de  como se dá a exploração do trabalho sob esse regime e a demonstração da  necessidade e possibilidade de sua superação. "Desse modo o socialismo já não  aparecia como a descoberta casual de tal ou qual intelecto genial, mas como o  produto necessário da luta entre as duas classes formadas historicamente: o  proletariado e a burguesia".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No Capítulo III, analisa as contradições básicas do capitalismo (capital x  trabalho, burguesia x proletariado) e suas manifestações no conflito entre as  forças produtivas e as relações de produção: "a incompatibilidade entre a  produção social e a apropriação capitalista"; "o antagonismo entre a organização  da produção dentro de cada fábrica e a anarquia da produção no seio de toda a  sociedade". Enfatiza a revolução proletária como ato que socializa os meios de  produção, põe fim à anarquia e inicia a superação da exploração, rumo ao "salto  da humanidade do reino da necessidade para o reino da liberdade". E situa o  socialismo científico como "expressão teórica do movimento proletário" - capaz  de infundir-lhe "a consciência das condições e da natureza de sua própria  ação".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns Destaques&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;I - O socialismo científico tem suas raízes nos fatos materiais da  sociedade moderna e nas idéias dos grandes pensadores do século XVIII.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Os socialistas utópicos: Socialistas, porque suas idéias - enquanto crítica  das injustiças e das condições de exploração da sociedade capitalista - traziam,  em germe, posições econômicas e políticas que apontavam para o fim da exploração  do homem pelo homem. Utópicos, no sentido de vislumbrar uma ordem social ideal,  não realizável nas condições concretas em que viviam.&lt;br /&gt;· Traço comum entre  eles: não atuavam como representantes dos interesses do proletariado - "suas  teorias incipientes refletem o estado incipiente da produção capitalista e a  incipiente condição de classe" (o proletariado ainda não despontara com ação  política própria). Predominavam, em suas teorias:&lt;br /&gt;- a reiteração das idéias  da revolução francesa: império da razão e da justiça eterna - instauração de um  Estado racional, capaz de ajustar a sociedade aos ditames da razão;&lt;br /&gt;- a  constatação de que as instituições sociais e políticas reais não correspondiam  às idealizadas pelos revolucionários burgueses;&lt;br /&gt;- a idéia de que as  injustiças seriam corrigidas se aparecesse um gênio capaz de convencer os homens  sobre a verdade, enfim descoberta;&lt;br /&gt;- a pretensão de tirar da cabeça a solução  para os problemas sociais e traduzi-la em experiências que pudessem servir de  modelo para um sistema mais perfeito de ordem social.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Principais idéias&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;a)&lt;/b&gt; Saint-Simon (1760-1825) - intelectual de origem nobre.&lt;br /&gt;- somente  os que trabalham podem usufruir dos bens da sociedade: "todos os homens devem  trabalhar";&lt;br /&gt;- necessidade da luta dos "trabalhadores" (os operários  assalariados, mas também os fabricantes, comerciantes e banqueiros) contra os  "ociosos" ( a nobreza, o clero e todos os que viviam de renda, sem atuar na  produção ou no comércio);&lt;br /&gt;- a Revolução Francesa como luta de classes entre a  nobreza, a burguesia e os despossuídos; segundo Engels, "uma descoberta  verdadeiramente genial" para a época;&lt;br /&gt;- a política como ciência da produção -  em germe, a noção da situação econômica como base das instituições políticas e a  idéia de "abolição do Estado".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;b) &lt;/b&gt;Fourier (1772-1837) - escritor, crítico da sociedade burguesa.&lt;br /&gt;-  crítica das condições sociais existentes - desmascarando a falácia do discurso  burguês;&lt;br /&gt;- crítica das relações entre os sexos e da posição da mulher na  sociedade - "o grau de emancipação da mulher numa sociedade é o barômetro  natural pelo qual se mede a emancipação geral";&lt;br /&gt;- análise das contradições da  civilização - "a pobreza brota da própria abundância";&lt;br /&gt;- visão dialética -  "toda fase histórica tem sua vertente ascensional, mas também sua ladeira  descendente".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;c)&lt;/b&gt; Owen (1771-1858) - sócio e gerente de uma indústria têxtil.&lt;br /&gt;-  defesa de condições humanas de vida e educação aos operários e seus filhos - com  medidas colocadas em prática na sua empresa, uma espécie de colônia-modelo:  jardins de infância, redução da jornada de trabalho, manutenção de emprego e  salário, mesmo em ocasiões de crise;&lt;br /&gt;- constatação de que a filantropia não  diminuía a distância entre ricos e pobres; daí a perspectiva comunista - idéia  de reforma social que mexesse na propriedade privada;&lt;br /&gt;- participação em  movimentos sociais e luta por progressos para a classe trabalhadora: limitação  do trabalho da mulher e da criança nas fábricas; criação de cooperativas de  produção e de consumo ("o comerciante e o fabricante não são  indispensáveis");&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote outras idéias  dos socialistas utópicos e comentários de Engels sobre seus méritos e equívocos:  Capítulo I.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;II - O Socialismo Científico expressa os avanços do pensamento filosófico,  sintetizando, dialeticamente, o materialismo mecanicista francês e a dialética  idealista alemã.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· A elaboração do materialismo histórico só se tornou possível com o  desenvolvimento da filosofia, as descobertas científicas e os fatos históricos  do século XIX e como fruto de uma dupla revolução:&lt;br /&gt;- na concepção da natureza  - noção de que a natureza tem sua história no tempo, com base em descobertas  como as de Darwin (1809-1882), mostrando que os mundos e as espécies orgânicas  que os habitam em condições propícias desenvolvem-se, transformam-se;&lt;br /&gt;- na  concepção de história - idéia de luta de classes, com base em fatos históricos  como a insurreição operária em Lyon (1831) e o movimento dos cartistas ingleses  (1838-1842), revelando que a luta entre o proletariado e a burguesia assumia o  primeiro plano da história dos países europeus (nos quais se desenvolvia, de um  lado, a grande indústria e, de outro, a dominação política recém-conquistada da  burguesia).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;table style="border: 1px solid ; font-family: arial; text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;"&gt; &lt;colgroup&gt; &lt;col style="width: 269pt;" width="359"&gt; &lt;col style="width: 287pt;" width="382"&gt; &lt;/colgroup&gt;&lt;tbody&gt; &lt;tr style="height: 10.5pt;" height="14"&gt; &lt;td class="xl22" colspan="2" bg height="20" width="741" style="color:#cccccc;"&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Dialética e Metafísica – métodos de  investigação da realidade&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 10.5pt;" height="14"&gt; &lt;td class="xl23" height="14" width="359"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Dialética&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl23" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Metafísica&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 31.5pt;" height="42"&gt; &lt;td class="xl24" height="42" width="359"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- análise de  conjunto: fatos, fenômenos, processos em sua dinâmica, substancialmente  variáveis (transições,&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;concatenações,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;fluxos e  refluxos);&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl24" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- análise das partes: fatos,  fenômenos, processos estaticamente, isolados, como substâncias fixas, (em ciclos  estreitos, um após outro, como algo perene);&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 21pt;" height="28"&gt; &lt;td class="xl24" height="28" width="359"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- pólos  antitéticos, mas inseparáveis – penetram-se mutuamente (algo é &lt;span class="font6"&gt;e&lt;/span&gt;&lt;span class="font5"&gt; não é ao mesmo tempo).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl24" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- sim &lt;span class="font6"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;span class="font5"&gt; não, isto &lt;/span&gt;&lt;span class="font6"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;span class="font5"&gt; aquilo, é &lt;/span&gt;&lt;span class="font6"&gt;ou&lt;/span&gt;&lt;span class="font5"&gt; não é, positivo x negativo, causa x  efeito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 10.5pt;" height="14"&gt; &lt;td class="xl25" colspan="2" bg height="14" width="741" style="color:#cccccc;"&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Materialismo e Idealismo –  concepções de mundo, de homem e de sociedade&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 10.5pt;" height="14"&gt; &lt;td class="xl23" height="14" width="359"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Materialismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl23" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Idealismo&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 21pt;" height="28"&gt; &lt;td class="xl23" height="28" width="359"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- concebe as idéias  como imagens mais ou menos abstratas dos objetos e fenômenos da  realidade;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl23" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- concebe as coisas e seu  desenvolvimento como projeções realizadas da idéia, que lhes  antecede;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 10.5pt;" height="14"&gt; &lt;td class="xl24" height="14" width="359"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- explica a  consciência do homem por sua existência.&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl24" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- explica a existência do  homem por sua consciência.&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 10.5pt;" height="14"&gt; &lt;td class="xl25" colspan="2" bg height="14" width="741" style="color:#cccccc;"&gt; &lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Concepção de História como  movimento da sociedade – análise dialética&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 10.5pt;" height="14"&gt; &lt;td class="xl24" height="14" width="359"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span class="font6"&gt;Concepção materialista de história&lt;/span&gt;&lt;span class="font5"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl26" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Concepção idealista de  história&lt;span class="font5"&gt;:&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 42pt;" height="56"&gt; &lt;td class="xl23" height="56" valign="top" width="359"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- em  cada época,&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;as idéias, crenças,  conhecimentos e instituições jurídicas e políticas relacionam-se reciprocamente  com a base econômica (relações de produção e de troca).&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl24" valign="top" width="382"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- a produção e  todas as relações econômicas só existem como elemento secundário dentro da  “história cultural”.&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote outras  características desses métodos e concepções: Capítulo II .&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O desenvolvimento dos métodos de pensamento e das concepções de mundo se deu  não de forma linear e independente, mas de modo dialético, com relações  recíprocas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;a)&lt;/b&gt; Já na antiga filosofia grega aparece a dialética, mas ainda  rudimentar, insuficiente para permitir o conhecimento da realidade:&lt;br /&gt;- a  ciência progrediu, principalmente a partir do século XV, com o emprego do método  metafísico no estudo de fenômenos particulares;&lt;br /&gt;- esse método, importante nas  ciências naturais, foi transportado para a filosofia, sob a forma do método  metafísico de especulação (separação corpo x espírito, coisa x idéia da coisa,  matéria x consciência).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;b)&lt;/b&gt; A moderna filosofia alemã, especialmente com Hegel (1770-1831),  recupera a dialética&lt;br /&gt;na análise da natureza, da sociedade e do  pensamento:&lt;br /&gt;- concebendo como totalidade a natureza, a sociedade e o espírito  humano, em íntima conexão, constante movimento, transformação e desenvolvimento  e examinando a história da humanidade não como caos, mas como processo, que pode  ser acompanhado pelo pensamento, em suas leis internas, suas etapas graduais,  seus desvios;&lt;br /&gt;- Hegel libertou da metafísica a concepção de história,  tornando-a dialética, mas viu-se limitado pelos próprios conhecimentos, pelos  conhecimentos e concepções de sua época e por sua concepção essencialmente  idealista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;c) &lt;/b&gt;A consciência da inversão em que incorria o idealismo alemão levou  ao materialismo&lt;br /&gt;histórico, substancialmente dialético:&lt;br /&gt;- concepção da  história da humanidade como processo de desenvolvimento, procurando descobrir  suas leis dinâmicas;&lt;br /&gt;- entendimento da luta de classes como fruto das  relações de produção e de troca, refutando as doutrinas burguesas da identidade  entre capital e trabalho e da harmonia universal e bem-estar geral das nações  com base na livre concorrência;&lt;br /&gt;- explicação da relação entre a estrutura  econômica e a superestrutura (instituições jurídicas e políticas, idéias,  conhecimentos e crenças) de cada época histórica.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote outras  características das relações entre dialética, metafísica, materialismo e  idealismo, ao longo da história: Capítulo II&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;table style="border: 1px solid ; font-family: arial; text-align: left; margin-left: 0px; margin-right: 0px;"&gt; &lt;colgroup&gt; &lt;col style="width: 246pt;" span="2" width="328"&gt; &lt;/colgroup&gt;&lt;tbody&gt; &lt;tr style="height: 12.75pt;" height="17"&gt; &lt;td class="xl22" style="padding-bottom: 0cm; width: 246pt; padding-top: 0cm; height: 12.75pt;color:#cccccc;" bg height="17" width="328"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Socialismo  Utópico&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl23" style="width: 246pt;color:#cccccc;" bg width="328"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;Socialismo Científico&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 31.5pt;" height="42"&gt; &lt;td class="xl24" style="width: 246pt; height: 31.5pt;" height="42" width="328"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- incompatível com a visão materialista de história (do  mesmo modo que a concepção de natureza do materialismo francês não se ajustava à  dialética e às novas ciências naturais);&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl24" style="width: 246pt;" width="328"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;-  exposição do modo capitalista de produção em suas conexões históricas, pondo a  nu seu caráter interno, ainda oculto;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 42pt;" height="56"&gt; &lt;td class="xl24" style="width: 246pt; height: 42pt;" height="56" width="328"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- crítica ao modo capitalista de produção existente e suas  conseqüências, mas sem conseguir explicá-lo nem destruí-lo ideologicamente, e  também sem explicar claramente como nascia e em que consistia a exploração da  classe operária.&lt;/span&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl24" style="width: 246pt;" str="- descoberta da mais-valia – massa cada vez maior do capital acumulado pelas classes que detêm os meios de produção (na compra da força de trabalho do operário, o capitalista se apropria do trabalho não pago); " width="328"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;- descoberta da mais-valia – massa cada vez maior do capital  acumulado pelas classes que detêm os meios de produção (na compra da força de  trabalho do operário, o capitalista se apropria do trabalho não  pago);&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt; &lt;tr style="height: 42pt;" height="56"&gt; &lt;td class="xl25" style="width: 246pt; height: 42pt;" height="56" width="328"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt; &lt;td class="xl24" style="width: 246pt;" width="328"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;-  reconhecimento do capitalismo como modo de produção necessário para uma  determinada época histórica, demonstrando também a necessidade e possibilidade  de sua superação.&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote outras  características do socialismo científico: Capítulos II e III.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;III- O Socialismo Científico explica o modo de produção capitalista,  examinando-o em suas condições e características concretas, captando suas  contradições e apontando para a sua superação.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O capitalismo nasceu e desenvolveu-se no seio das  contradições do regime feudal e buscando superar seus entraves:&lt;br /&gt;- sob o  regime feudal, a troca, compra e venda de mercadorias permitiam a satisfação das  necessidades dos produtores individuais, numa elementar divisão social de  trabalho, sem plano nem sistema, e a propriedade dos produtos baseava-se no  trabalho pessoal;&lt;br /&gt;- a manufatura e o artesanato, que se desenvolviam sob a  influência da burguesia, chocavam-se com os entraves feudais das corporações e  com os privilégios e vínculos institucionais caraterísticos da ordem  feudal;&lt;br /&gt;- no regime capitalista, instituem-se a livre concorrência, a  liberdade de domicílio, a igualdade de direitos dos possuidores de mercadorias;  o vapor e a maquinaria possibilitam a transformação da manufatura em grande  indústria e acelera-se o movimento as forças produtivas; implanta-se a  organização planificada em cada fábrica, revolucionando a produção, tornando-a  social - mantendo, contudo, as formas privadas de apropriação das  mercadorias.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Faça um quadro  comparativo, anotando características do regime feudal e sua transformação, com  o advento do capitalismo. (Capítulo III).&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Em um nível mais alto de desenvolvimento, a grande  indústria passa a encontrar entraves no modo de produção capitalista:&lt;br /&gt;- o  trabalho assalariado torna-se regra e forma fundamental de toda a produção e  converte-se em ocupação exclusiva do operário - expressando o divórcio entre os  proprietários dos meios de produção e os possuidores da força de trabalho;&lt;br /&gt;-  a expansão dos mercados não pode desenvolver-se ao mesmo ritmo que a da  produção, levando a crises, cada vez mais freqüentes;&lt;br /&gt;- aprofunda-se o  conflito entre as forças produtivas e as relações de produção: produção social  versus apropriação privada; organização da produção em cada fábrica versus  anarquia da produção no seio da sociedade;&lt;br /&gt;- "o socialismo moderno não é mais  que o reflexo desse conflito material na consciência, sua projeção ideal nas  cabeças, a começar pelas da classe que sofre diretamente suas conseqüências: a  classe operária".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote manifestações  das contradições do capitalismo e de suas crises - Capítulo III.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O caráter social das forças produtivas compele à  transformação das relações de produção, que exige a socialização dos meios de  produção.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;- no capitalismo avançado, os capitalistas isolados se juntam em sociedades  anônimas e trustes; o Estado - representante oficial da burguesia - toma a seu  cargo o comando direto da produção, mas as forças produtivas mantêm sua condição  de capital (fruto da exploração do trabalho); quanto mais forças produtivas  passam à propriedade do Estado capitalista tanto mais ele se converte em  "capitalista coletivo" e tanto maior quantidade de cidadãos ele explora;&lt;br /&gt;- a  propriedade do Estado sobre as forças produtivas não é a solução para as  contradições do capitalismo, mas abriga já em seu seio o instrumento para chegar  à solução - que exige o reconhecimento do caráter social das forças produtivas  modernas e, conseqüentemente, a harmonização dos modos de produção, de  apropriação e de troca; para isso, só há um caminho: que a sociedade tome posse  das forças produtivas e passe a dirigi-las;&lt;br /&gt;- é necessário termos consciência  dessa possibilidade: as forças da sociedade atuam, enquanto não as conhecemos,  de modo cego e violento - mas, uma vez conhecidas, logo que saibamos compreender  sua ação, suas tendências e seus efeitos, está em nossas mãos sujeitá-las e por  meio delas alcançar os fins propostos;&lt;br /&gt;- o proletariado toma em suas mãos o  poder do Estado e principia por converter os meios de produção em propriedade do  Estado; quando não houver mais classe que precise ser submetida, quando o Estado  se converter, finalmente, em representante efetivo de toda a sociedade,  tornar-se-á por si mesmo supérfluo; o governo sobre as pessoas será substituído  pela administração das coisas e pela direção dos processos de produção;&lt;br /&gt;-  apossando-se o proletariado dos meios de produção, a anarquia da produção social  cederá lugar a uma organização planejada e consciente, criando condições para  que os homens comecem a ter plena consciência do que fazem: donos por fim de sua  existência social, tornam-se donos da natureza, senhores de si mesmos, homens  livres.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote argumentos de  Engels sobre: a necessidade de superação do capitalismo; as condições para essa  superação; as tendências do desenvolvimento do Estado e das relações sociais,  sob o socialismo. (Capítulo III)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Atenção!&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A afirmação de que o marxismo converteu o socialismo em ciência refere-se ao  esforço teórico para a explicação do modo de produção capitalista, na  perspectiva de sua superação: em especial, a concepção materialista de história  e a revelação do segredo da exploração capitalista através da mais valia, que  devemos a Marx. Longe de constituir-se em verdades prontas e acabadas, trata-se  de um sistema de pensamento que, como diz Engels, "nos resta desenvolver em  todos os seus detalhes e concatenações" - estudando cada realidade, em suas  transformações.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Reflita e Discuta&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;(retomando os Capítulos I, II e III)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1.&lt;/b&gt; O que Engels quer dizer com "situar o socialismo no terreno da  realidade"?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2.&lt;/b&gt; Como a concepção materialista de história se contrapõe  à concepção idealista?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;3.&lt;/b&gt; Comente as seguintes afirmações de Engels:  "as causas profundas das transformações sociais e das revoluções políticas devem  ser procuradas não na filosofia, mas na economia" ; os meios para acabar com os  males sociais "não devem ser tirados da cabeça de ninguém, mas a cabeça é que  tem de descobri-los nos fatos materiais da produção, tal e qual a realidade os  oferece".&lt;br /&gt;&lt;b&gt;4.&lt;/b&gt; Qual é o conflito básico do capitalismo e quais  contradições ele expressa?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Não deixe de ler&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do  Marxismo - Lênin - Em: Obras Escolhidas, volume 1, Ed. Alfa-Omega. Ou na  brochura de mesmo título - Ed. Global.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;A Doutrina  de Marx (O Materialismo Filosófico/A Dialética/A Concepção Materialista de  História/A Luta de Classes) - Lênin - Idem.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Materialismo Mecanicista e Materialismo Dialético -  Paul Langevin - Princípios n.º 18.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Por que o  socialismo? - Albert Einstein - Princípios n.º 36.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;…E o Socialismo Virou Ciência&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Bernardo  Joffily&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Vários atributos contribuíram para transformar Do socialismo utópico ao  socialismo científico no segundo texto marxista mais lido e relido pelos  trabalhadores do mundo inteiro - atrás apenas do Manifesto do partido comunista.  Pesa, aí, a linguagem simples, enxuta, direta, acessível do livrete de Friedrich  Engels. Mas basta folhear esta pequena obra-prima do maior colaborador de Marx  para perceber que não é um mero texto de vulgarização.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Engels, em resumo, historia como e por que o socialismo se transformou em  ciência. Para tanto, recupera os grandes pensadores socialistas que precederam o  marxismo - Claude Henri de Saint-Simon (1760-1825), Charles Fourier (1772-1837)  e Robert Owen (1771-1858). Destaca sua contribuição à crítica do capitalismo,  mas também as limitações de suas doutrinas, que continham intuições às vezes  geniais mas careciam de alicerces sólidos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Dois caminhos opostos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os socialistas utópicos, como ficaram conhecidos (o nome vem da palavra grega  utopia, "lugar nenhum") dedicaram seus principais esforços a conceber como seria  uma sociedade futura, nova, avançada, próspera, fraterna, racional, livre dos  males do capitalismo. Descreveram-na minuciosamente, e tanto Fourier como Owen  chegaram a tentar levá-la à prática, em escala experimental.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Já Marx e Engels seguiram o caminho inverso. Pouco se ocuparam em esmiuçar a  sociedade do futuro, descrevendo-a apenas em seus traços mais gerais. Todos os  seus estudos tiveram como foco a sociedade do presente. Trataram de dissecar o  capitalismo, reconstituir seu nascimento e sua trajetória, revelar suas  entranhas, expor à luz do dia os mecanismos secretos do seu funcionamento,  estudar suas contradições e as forças sociais que o protagonizam.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os utópicos escreveram e lutaram em nome da "razão", da "justiça" e da  "verdade" abstratas e a-históricas, dentro da melhor tradição do século 18. Marx  e Engels, ao contrário, descobriram que os homens não "vivem como pensam" mas  sim "pensam como vivem".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;"Desse modo - afirma Engels - o socialismo já não aparecia como a descoberta  casual de tal ou qual intelecto genial, mas como o produto necessário da luta  entre as duas classes formadas historicamente: o proletariado e a  burguesia".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Convém sublinhar aqui, entre parênteses, que isso não significa desprezar o  pensamento e a dinâmica de seu desenvolvimento. O próprio Engels, no prefácio à  edição inglesa, normalmente publicado junto com Do socialismo, fornece um  excelente exemplo de "história das mentalidades" (como os acadêmicos de hoje  costumam dizer) firmemente ancorada no método materialista dialético.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;As premissas do socialismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Engels localiza, dentro do próprio desenvolvimento capitalista, as  contradições que abrem caminho para o socialismo. A produção é social, e  socializa-se sempre mais, enquanto a apropriação é privada, e concentra-se a  cada dia - através da concorrência - em um círculo mais reduzido de grandes  burgueses. Desta contradição básica nasce o irremediável (embora tantas vezes  negado, contestado e exconjurado) antagonismo entre as duas classes fundamentais  da sociedade moderna, o proletariado e a burguesia. E nasce também daí uma  terceira contradição, entre a organização cada vez mais expandida e sofisticada  da produção, no nível de cada empresa, e a anarquia da produção, no nível de  toda a sociedade, condenando o sistema à tortura das crise cíclicas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Mais de um século depois de escrita, a análise de Engels impressiona pela  atualidade. Ali está, exposta a nu, a explicação dos verdadeiros motivos  econômico-sociais do chamado desemprego tecnológico. É verdade que o ciclo das  crises já não é dez anos, como ocorria no século 19. Os mecanismos de  intervenção "anticíclica", criados no nível dos Estados burgueses (após o crack  de 1929) e de todo o mundo capitalista (ao fim da II Guerra) quebraram essa  regularidade de relógio. Mas mostram-se impotentes para evitar ou vencer as  crises, como mostra a onda recessiva de 1997-98, que já derrubou os tigres  asiáticos, o Japão, a Rússia e agora o Brasil.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os "neo-utópicos"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No ambiente político-ideológico pós-URSS, a utopia vem sendo relançada por  certas áreas de esquerda. Os "neo-utópicos" se assumem como tal como forma de  contestarem o conformismo dos intelectuais do tipo Fernando Henrique Cardoso,  que renunciaram as transformações de fundo na sociedade, acomodando-se à onda  neoliberal. Ao mesmo tempo, não é por acaso que ressuscitaram o nome usado  pejorativamente pelos comunistas desde o Manifesto de 1848. Tratam - às vezes  explícita e ativamente - de diferenciar-se do marxismo, contestando justamente a  possibilidade de uma fundamentação científica para a luta por uma nova  sociedade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A ressurreição de um rótulo que parecia relegado ao museu das relíquias  doutrinárias é um sinal do clima ideológico deste fim-de-século de restauração e  reação. E nós marxistas temos, hoje mais do que antes, todos os motivos para  reafirmarmos e defendermos o caráter científico de nosso corpo teórico. Nem por  isso deixamos de saudar a disposição dos "neo-utópicos" para integrar a  frente-única da resistência ao "pensamento único" neoliberal.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-2094423646975338144?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/2094423646975338144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=2094423646975338144' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/2094423646975338144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/2094423646975338144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/do-socialismo-utpico-ao-socialismo.html' title='Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico - Friedrich Engels'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-8481179479920921959</id><published>2008-06-17T10:27:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:28:48.574-07:00</updated><title type='text'>Prefácio de " A Dialética da Natureza " - Friedrich Engels</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;i&gt;Olival Freire Júnior&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;center style="font-family: arial;"&gt;&lt;/center&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Contexto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Este prefácio é a introdução a uma obra, que Engels pretendia escrever desde  o início da década de 1870, e que deveria se intitular " A dialética da natureza  ". Absorvido com as tarefas práticas da direção do movimento operário, e com a  tarefa de concluir a edição de " O Capital " após a morte de Marx em 1883,  Engels nunca conseguiu concluir seu projeto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os manuscritos preparatórios para a redação desta obra foram resgatados pelos  bolcheviques soviéticos após a revolução de Outubro de 1917, e publicados em  russo e alemão em 1925, por iniciativa de Riazanov. A primeira edição inglesa só  apareceu em 1939, com um prólogo de J.B.S. Haldane, grande cientista e marxista  britânico.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No projeto desta obra Engels tinha uma dupla preocupação : combater a  influência do materialismo mecanicista e vulgar no movimento operário,  especialmente alemão, e sistematizar a aplicação da dialética à natureza.  Dialética que, como concepção e método, havia empregado com Marx na análise da  sociedade, constituindo o materialismo histórico.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Texto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Apesar de o prefácio ser um texto único , ele pode, para fins de leitura e  estudo, ser dividido em duas partes :&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;A  primeira dedicada a mostrar como o desenvolvimento histórico das diversas  ciências da natureza - no continente europeu, entre os séculos XV e XVIII -  sugere o desenvolvimento histórico da própria natureza. Engels procura também  inscrever o surgimento da ciência da sociedade, do materialismo histórico, no  grande painel que desenhou da história da ciência. Esta é, sem dúvida, a parte  mais forte do texto, que o credencia, por exemplo, para ainda ser estudado nos  dias de hoje em cursos universitários de história da filosofia e história da  ciência.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;A  segunda, que pode começar na frase " Entretanto, tudo quanto é criado acaba  perecendo ", é mais voltada para estudar o problema do desaparecimento da vida  devido ao esfriamento do universo. Nesta parte Engels discute, com argumentos  filosófica e cientificamente consistentes, um problema que, à época, recebia  bastante atenção do público culto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns Destaques da Primeira Parte do Texto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;A  moderna investigação da natureza data, como toda a história moderna, dessa época  poderosa a que nós , os alemães, denominamos a Reforma, depois da desgraça  nacional que, por sua causa, nos aconteceu, a que os franceses chamam de  Renascença e os italianos de Cinquecento, época que nenhum desses nomes explica  exatamente. (…) Foi essa a maior revolução progressista que a humanidade havia  vivido até então, uma época que precisava de gigantes e, de fato, engendrou-os :  gigantes em poder de pensamento, paixão, caráter, multilateralidade e  sabedoria.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Faça um breve  panorama dos aspectos culturais, sociais, econômicos, políticos e geográficos da  época que Engels está comentando.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;A  investigação da natureza forneceu alguns mártires, levados à fogueira ou aos  cárceres da Inquisição.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Você sabe que só  recentemente o Vaticano 'absolveu' Galileu Galilei - Leia a sua biografia  escrita pelo marxista italiano L. Geymonat (Editora Nova Fronteira). Você tem  conhecimento da atuação da Inquisição no Brasil ?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;O ato  revolucionário pelo qual a investigação da natureza declarou sua independência e  repetiu, de certo modo, a queima de bulas papais, realizada por Lutero, foi a  edição da obra imortal em que Copérnico, embora timidamente e já próximo da  morte, lançou à autoridade eclesiástica sua luva de desafio a respeito das  coisas da natureza. A partir desse ponto, as ciências naturais se emanciparam da  teologia, …&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Quem foi Copérnico e  qual o tema de sua obra ?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;A tarefa  principal, nesse primeiro período das ciências naturais, então iniciado, era o  domínio das questões mais imediatas. (…) em primeiro lugar as ciências naturais  mais elementares : a ciência dos corpos celestes e terrestres; e, ao lado dela,  a seu serviço, a criação e o aperfeiçoamento dos métodos matemáticos. (…) Os  demais ramos das ciências naturais ficaram muito distanciados do desenvolvimento  fundamental daquelas outras.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Note que este campo  do conhecimento pode ser englobado na ciência da mecânica, cujas bases foram  assentadas por Isaac Newton.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;O que  caracteriza esse período é a elaboração de uma peculiar concepção de conjunto,  cujo centro é constituído pela noção de invariabilidade absoluta da natureza.  Fosse qual fosse o modo pelo qual a natureza tivesse chegado a existir, uma vez  passando a existir devia permanecer tal como era, enquanto existisse. ( … ) Em  contraste com a história da humanidade, que se desenvolve no tempo,  prescreveu-se à história natural um desenvolvimento apenas no espaço. Negava-se  toda a modificação, todo o desenvolvimento na natureza.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Identifique no texto  exemplos de concepções presentes na ciência da época que possam ilustrar a  crítica feita por Engels.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;A  primeira brecha nessa concepção petrificada da Natureza foi aberta, não por um  naturalista, mas por um filósofo… (…) A obra de Kant não encontrou eco imediato  ; só longos anos depois, Laplace e Herschel tiveram ocasião de aplicar sua  doutrina, dando-lhe fundamentos mais detalhados e impondo, gradualmente, a  hipótese da nebulosa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Note que tais idéias  desenvolvidas por Kant, Laplace e Herschel, estão hoje, no seu conteúdo  científico concreto, ultrapassadas, mas a concepção geral desenvolvida por  aqueles pensadores de um sistema solar, e de um universo que 'se foi formando no  transcurso do tempo' está totalmente corroborada pela astronomia e cosmologia do  século XX.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Quanto  mais profunda e exata se ia fazendo a investigação sobre a natureza, tanto mais  se ia desfazendo aquele rígido sistema de uma natureza orgânica invariavelmente  fixa. [Com os trabalhos, entre outros, de Lamarck, que culminam na obra de  Charles Darwin, ganha corpo a teoria da evolução das espécies]. A nova concepção  da natureza ficava, assim, configurada em suas linhas gerais: tudo aquilo que se  considerava rígido, se havia tornado flexível; tudo quanto era fixo, foi posto  em movimento; tudo quanto era tido por eterno, tornou-se transitório ; ficara  comprovado que toda a natureza se movia num eterno fluxo e permanente  circulação.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Faça um breve  comentário sobre a "Evolução das espécies ", de Charles Darwin, e sobre suas  repercussões e implicações filosóficas e culturais.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Darwin  não teve a menor idéia da amarga sátira que escrevia sobre os homens (E  especialmente sobre seus compatriotas), quando afirmou que a livre competição, a  luta pela existência, que os economistas celebram como sendo a maior conquista  histórica do homem, constitui exatamente o estado natural do reino animal.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Escrita há mais de  cem anos esta frase soa tão atual em uma época na qual o neoliberalismo  dominante no mundo festeja exatamente o primado do mercado e da livre  concorrência como expressão maior da civilização.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Somente  uma organização consciente da produção social, de acordo com a qual se produza e  se distribua obedecendo a um plano, pode elevar os homens, também sob o ponto de  vista social, sobre o resto do mundo animal, assim como a produção, em termos  gerais, conseguiu realiza-lo para o homem considerado como espécie.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Engels prega,  portanto o socialismo como a perspectiva capaz de levar adiante o processo de  humanização dos homens, enquanto que a persistência do sistema capitalista se  constitui em uma ameaça a esta mesma humanidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Atenção !&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Apesar  de se tratar de uma obra inacabada, e de seus manuscritos conterem considerações  sobre a ciência que estão superadas face ao desenvolvimento científico ocorrido  desde então, a " Dialética da natureza " comporta várias reflexões de valor  mesmo nos dias atuais, e em especial seu prefácio, que é o texto sugerido para  estudo, apresenta grande atualidade para a cultura marxista e para a reflexão  filosófica em geral.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;O  prefácio é um texto sintético, muito denso de informações, que procura mostrar  como o desenvolvimento das ciências contribuiu para enfrentar as concepções  teológicas de mundo herdadas do catolicismo medieval e como este mesmo  desenvolvimento ulterior, em especial a partir do século XVIII sugere uma visão  de um mundo em permanente transformação, de uma natureza que se desenvolve e se  transforma no espaço e no tempo, enfim de uma natureza que só pode ser  compreendida no processo de sua história.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Reflita e discuta&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;1. Que limitações para o conhecimento derivam do fato de a mecânica ter sido  a primeira disciplina a ganhar tratamento sistemático na era moderna ? Note, por  exemplo, que Augusto Comte, criador da filosofia positivista, sugeria para a  disciplina dedicada ao estudo da sociedade a denominação de Sociologia, ou de …  Física Social.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;2. Quais obstáculos ao desenvolvimento do pensamento científico Engels quer  assinalar com a seguinte frase : " Copérnico, no início desse período, lança a  luva do desafio à teologia ; Newton o termina com o postulado do primeiro  impulso divino ".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;3. Por que Engels atribui tanto papel aos trabalhos de Lamarck e de Darwin na  mudança da concepção de natureza formulada pelos primeiros cientistas da época  moderna ?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;4. Como Engels inclui o pensamento formulado por Marx e por ele mesmo no  desenvolvimento das idéias científicas ?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Para saber mais, não deixe de ler&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Notas críticas sobre uma  tentativa de 'ensaio popular' de sociologia - Capítulo III de Concepção  dialética da história - Antônio Gramsci.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Ludwig Feuerbach e o fim da  filosofia clássica alemã - Friedrich Engels.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Friedrich Engels e as ciências da  natureza - Olival Freire Jr. - Princípios n.º 39, 1995.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;A física e as leis da dialética -  José Lourenço Cindra - Rev. Bras. de Ensino de Física, 20(2), 1998.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Contradições na dialética e na  lógica formal - Erwin Marquit, Princípios n.º 43, 1996.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;... e assistir&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Giordano Bruno - Filme - Um  excelente quadro da perseguição inquisitorial católica.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;b&gt;• &lt;/b&gt;&lt;/span&gt;O &lt;/span&gt;nome da rosa -  Filme - Um belo painel da transmissão do conhecimento na Europa medieval.&lt;br /&gt;·  Miguel de Servet - Série de TV - Exemplo, citado por Engels, de como os  protestantes não ficaram atrás da Inquisição Católica na repressão à ciência  moderna.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Galileu Galilei - Peça teatral,  escrita pelo dramaturgo marxista alemão Bertold Brecht.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Com Engels a Natureza Tem História&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Olival  Freire Júnior&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;" Copérnico, no início desse período, lança a luva do desafio à  teologia;&lt;br /&gt;Newton o termina com o postulado do primeiro impulso divino "&lt;br /&gt;F.  Engels&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A leitura do Prefácio à "Dialética da Natureza", de Friedrich Engels, deve  nos levar a perguntar quais foram as principais motivações do autor na  elaboração deste texto, ou seja, quais problemas ele pretendia enfrentar, bem  como refletir sobre a eventual atualidade de um texto como este escrito há mais  de cem anos. Estas perguntas não são de fácil resposta, especialmente porque se  trata de um prefácio a uma obra inacabada. Como sabemos, ele é a introdução a  uma obra, que Engels pretendia escrever desde o início da década de 1870, e que  deveria se intitular " A dialética da natureza ". Absorvido com as tarefas  práticas da direção do movimento operário, e com a tarefa de concluir a edição  de " O Capital " após a morte de Marx em 1883, Engels nunca conseguiu concluir  seu projeto, e os manuscritos preparatórios desta obra foram publicados na  década de vinte deste século.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Muitos pensadores marxistas têm, ao longo de todo o século XX, valorizado as  reflexões de Engels sobre as ciências da natureza como estudos que estabeleceram  uma dialética da natureza. Defendem este estudo engelsiano pelo seu lado  ontológico, isto é, pretendem que Engels teria demonstrado que as leis e  categorias dialéticas operam na própria natureza, logo operam também na  sociedade e no pensamento. Efetivamente uma análise do conjunto dos manuscritos  de "Dialética da Natureza" evidenciará preocupações deste tipo. Penso, contudo,  que tais tentativas procuram o valor destes estudos pelo lado errado, ou pelo  menos pelo seu lado mais controverso, e deixam de lado o valor, que considero  inquestionável, maior destas reflexões, presente na sua dimensão epistemológica,  isto é, enquanto análise crítica do conhecimento científico existente. A análise  do "Prefácio" do "Dialética da Natureza" reforçará esta última posição. Ele é um  texto sintético, muito denso de informações, que procura mostrar como o  desenvolvimento das ciências contribuiu para enfrentar as concepções teológicas  de mundo herdadas do catolicismo medieval e como este mesmo desenvolvimento  ulterior, em especial a partir do século XVIII, sugere uma visão de um mundo em  permanente transformação, de uma natureza que se desenvolve e se transforma no  espaço e no tempo, enfim de uma natureza que só pode ser compreendida no  processo de sua história.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Quais foram então as razões que levaram Engels a concentrar o "Prefácio"  nestes aspectos? A primeira razão foi combater a influência, crescente na  segunda metade do século XIX, de associação entre ciências da natureza e um  materialismo de tipo mecanicista ou mesmo vulgar. Os porta vozes desta  identificação eram muitas vezes membros atuantes do próprio movimento  socialista, como Büchner, ou então acadêmicos que se pretendiam socialistas, mas  divergiam em questões essenciais das formulações engelsianas e marxianas, como  Dühring. Foi esta motivação propriamente militante que levou Engels a escrever o  "Anti-Dühring" e a iniciar os estudos sobre a pretendida obra "Dialética da  Natureza", inconclusa devido ao seu envolvimento com a edição d' "O Capital",  após o desaparecimento de Marx, em 1883. Note-se que na luta contra o  materialismo mecanicista, Engels quer precisar a insuficiência de seus aspectos  dialéticos, ou a sua insuficiente historicização dos fenômenos naturais e  sociais.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Uma outra razão é, precisamente, a influência das idéias científicas na  constituição das "visões de mundo". Aqui cabe assinalar que Engels, e Marx,  buscavam abrir caminho no cenário cultural do século XIX, para a tese do  capitalismo como uma etapa histórica, a ser superada, no desenvolvimento das  sociedades. Esta tese se acomoda melhor a uma visão de mundo onde sociedade e  natureza estão em permanente transformação que a uma visão de mundo, como aquela  dominante na ciência do século XIX, onde a natureza efetua movimentos, mas  movimentos cíclicos, repetitivos, estacionários, isto é, sem evolução no tempo.  Assim é que se compreende o entusiasmo de Engels e Marx com o trabalho de  Charles Darwin - A origem das espécies - com a teoria da evolução. A visão de um  universo estacionário estava ancorada, por outro lado, na principal realização  da ciência moderna até meados do século XIX, a elaboração da mecânica por Isaac  Newton. Por esta razão é que Engels precisava criticar a visão de mundo  decorrente da mecânica newtoniana, ou pelo menos decorrente de como os séculos  XVIII e XIX leram a obra de Newton.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Se estas observações são fundamentadas, posso chegar à conclusão de que ao  enfrentar o que era o seu principal problema - combater uma visão de mundo  mecanicista, estacionária - Engels fez reflexões que guardam interesse  histórico, mas que também se projetam para os nossos dias pela sua atualidade.  Dito de outro modo: dos estudos inacabados de Engels, sobre as ciências da  natureza, a reflexão mais profunda, a meu ver, é a análise crítica da disciplina  científica que havia adquirido um elevado grau de acabamento no século XIX, a  mecânica clássica, formulada originariamente por Isaac Newton no século XVII,  com desenvolvimentos ulteriores de Maupertuis, Euler, D'Alembert, Lagrange,  Laplace e Hamilton, dentre outros. Tais críticas foram formuladas em período no  qual a "sacrossanta" mecânica newtoniana desfrutava o seu apogeu entre os  cientistas, e não se acumulavam problemas que indicassem uma possível crise nos  fundamentos desta teoria.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Apoiando-se exclusivamente em considerações filosóficas de ordem dialética,  Engels considerou o tipo de determinismo, implícito na mecânica clássica, como  forma de fatalismo , e, em uma das mais belas páginas literárias da história da  ciência , criticou a mecânica newtoniana pela sua cosmologia (logo pela sua  visão de mundo implícita) estacionária, sem história, sem desenvolvimento, enfim  um mundo dominado por uma descrição fatalista, defendendo um universo que  evolui, desenvolve-se no espaço e no tempo. Neste sentido, talvez este seja o  trecho mais expressivo do "Prefácio': "O que caracteriza esse período é a  elaboração de uma peculiar concepção de conjunto, cujo centro é constituído pela  noção de invariabilidade absoluta da natureza. Fosse qual fosse o modo pelo qual  a natureza tivesse chegado a existir, uma vez passando a existir devia  permanecer tal como era, enquanto existisse. ( … ) Em contraste com a história  da humanidade, que se desenvolve no tempo, prescreveu-se à história natural um  desenvolvimento apenas no espaço. Negava-se toda a modificação, todo o  desenvolvimento na natureza."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O leitor, instruído cientificamente pelas aquisições da física do século XX,  verá nestes "insights" engelsianos um prenúncio das teorias relativísticas e  quânticas, e da cosmologia do nosso século, admirando-se, portanto da imensa  atualidade das idéias engelsianas nas ciências da natureza, e, principalmente,  admirando-se do valor, para o desenvolvimento da cultura, da análise crítica dos  conhecimentos científicos existentes, valor do qual a análise de Engels é um  exemplo clássico. No seu esforço de crítica, ao que poderíamos chamar de  newtonianismo, nem sempre Engels formulou os melhores argumentos , mas a  fraqueza destes, revelada apenas com o desenvolvimento ulterior da ciência e da  história da ciência, não diminui, contudo, o valor atual dos manuscritos  inacabados de Engels enquanto obra crítica, em especial de crítica ao  mecanicismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Arrisquei há algum tempo atrás a conjectura de que se a "Dialética da  Natureza" tivesse sido efetivamente publicada em fins do século passado seu  impacto na cultura e na ciência teria sido comparável à influência - suprema  ironia para a história do marxismo - da crítica à mecânica desenvolvida por  Ernst Mach. Suprema ironia porque, como se sabe, Mach foi um dos principais  alvos da crítica de Lênin no Materialismo e Empiriocriticismo. A crítica de  Lênin dirigia-se, contudo, ao Mach filósofo, e não ao Mach físico, como aliás  ressaltado por Lênin. A contribuição de Mach, que aqui me refiro, prende-se  precisamente à sua crítica epistemológica à mecânica newtoniana, a qual  contribuiu para abalar a confiança ilimitada que se tinha na ciência newtoniana,  contribuindo deste modo, ainda que indiretamente, para abrir caminho ao  surgimento da teoria da relatividade, teoria física que está na base da  concepção cosmológica contemporânea de um universo em desenvolvimento.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-8481179479920921959?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/8481179479920921959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=8481179479920921959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/8481179479920921959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/8481179479920921959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/prefcio-de-dialtica-da-natureza.html' title='Prefácio de &quot; A Dialética da Natureza &quot; - Friedrich Engels'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-2244514206125821754</id><published>2008-06-17T10:25:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:27:30.877-07:00</updated><title type='text'>Contribuição à Crítica da Economia Política - Karl Marx</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Madalena Guasco Peixoto&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Introdução [À Crítica da Economia Política] e Prefácio Para a Crítica da  Economia Política - Karl Marx. In: Manuscritos Econômico - Filosóficos e Outros  Textos Escolhidos. Os Pensadores. V. XXXV. São Paulo, Abril Cultural. Julho de  1974.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Texto &amp;amp; Contexto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Introdução&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A Introdução À Crítica da Economia Política marca o início dos apontamentos  econômicos de Marx, dos anos de 1857 a 1958. Estes apontamentos foram  publicados, em seu conjunto, pela primeira vez em 1939 em Moscou. No entanto a  Introdução foi descoberta em 1902, entre os manuscritos deixados por Marx, e  publicada pela primeira vez por Kautsky, na revista "Die Neue Zeit" em 1903.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Esta introdução é mencionada por Marx no Prefácio de "Para a Crítica da  Economia Política". No entanto o título "Introdução à Crítica da Economia  Política " não foi dado por Marx, mas representa o título outorgado à obra em  sua primeira publicação, tornando-se depois disso seu título tradicional. O  texto original não foi preparado por Marx para ser publicado. Por este motivo,  quando deparamos com suas várias publicações encontramos palavras entre  colchetes, que não fazem parte do manuscrito, mas que foram incluídas na  publicação para melhorar a compreensão do texto original. Encontramos ainda  palavras entre parênteses, que são do próprio autor, ou traduções para o  português de expressões estrangeiras contidas no texto original.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A importância desta obra reside fundamentalmente na elaboração, aplicação e  precisão das categorias do método dialético do movimento histórico transformado  em instrumento metodológico do estudo da economia política. O que se encontra  nesta Introdução será depois retomado por Marx no Capital de maneira mais  precisa e conectada. No entanto, é somente nela que encontraremos, destacada  pelo autor, uma exposição teórica do método da economia política. Se não fosse  por outros elementos, somente esta exposição do método já tornaria esta obra  fundamental.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Prefácio&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A brilhante obra Para Crítica da Economia Política representa um importante  marco na construção da economia política marxista, tendo sido escrita no período  de agosto de 1958 a janeiro de 1959.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Engels, na resenha que escreveu para o Volk ( MEW.13,486), ressalta o  significado deste livro para o "partido proletário alemão" e o método da  "dialética materialista" empregado. A realização de toda a obra, da qual aqui  nos referimos apenas ao prefácio, custou a Marx um trabalho de 15 anos, durante  os quais estudou uma enorme quantidade de literatura sócio- econômica e elaborou  as bases de sua própria teoria econômica.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx, ao escrever para Engels em 22 de julho de 1859, assinala : "No caso de  que escrevas algo [sobre o livro], não deves esquecer : 1º - que o proudhonismo  é aniquilado em suas bases , 2º - que exatamente na forma mais simples , a forma  de mercadoria , é analisado o caráter especificamente social da produção  burguesa, mas não se trata de forma alguma de seu caráter absoluto." Marx  refere-se neste trecho enviado para Engels à importância teórico ideológica da  obra. [Proudhonismo: liga-se a Proudhon (1809 - 1865). O proudhonismo  difundiu-se amplamente na França. Pode-se dizer que se tratava de ideologia  pequeno-burguesa, que sonhava em perpetuar a pequena propriedade privada,  criticando a grande propriedade capitalista de um ponto de vista  pequeno-burguês. Propunha reformar o regime capitalista e colocar em seus  fundamentos a pequena propriedade privada. Proudhon propunha entre outras coisas  a organização de um Banco Popular Especial que supostamente, através do "crédito  gratuito, como ele chamava , ajudaria os operários a se converterem em pequenos  proprietários e terem eles próprios os seus meios de produção. A critica de Marx  à Proudhon assumiu profundidade teórica na medida que o estudo da economia  política em geral e da economia política do capitalismo em particular colocaram  abaixo as teses defendidas por Proudhon. Mas a crítica de Marx à Proudhon teve  também profundo caráter ideológico. Isto porque representou um profundo embate  com as idéias pequeno-burguesas defendidas na época pelos socialistas utópicos  (entre os quais Proudhon), idéias estas que causavam confusão ideológica e  contribuíam para manter a classe operária dividida em escala nacional e  internacional. Isto numa época na qual já se amadureciam as condições para a sua  unidade.]&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Estudos Econômicos de Marx&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O texto está dividido em quatro partes: - 1. Produção; 2. A Relação Geral da  Produção com a Distribuição, Troca e Consumo; 3. O Método da Economia Política;  4. Produção, Meios de Produção e Relações de Produção. Relações de Produção e  Relações Comerciais. Formas de Estado e de Consciência em relação com as  Relações de Produção e de Comércio. Relações Jurídicas. Relações Familiares.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Destaco neste fichamento duas partes deste texto: A primeira parte,  denominada por Marx de Produção. Nela o autor evidencia as categorias básicas do  materialismo histórico dialético que darão sustentação metodológica para os seus  estudos de Economia Política.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nesta parte elabora uma crítica teórica à Economia Política Clássica,  representada por Smith e Ricardo, e a obras como O Contrato Social, de Rousseau.  Marx salienta uma essencial diferença entre a sua concepção e as anteriormente  citadas. Para Marx, elas cometeram um erro fundamental ao se apoiarem nas  "aparências", quando não entendem o indivíduo na sociedade "como um resultado  histórico - porque o consideram como um indivíduo conforme à natureza -, dentro  da representação que tinham de natureza humana; que não se originou  historicamente, mas foi posto como tal pela natureza. Esta ilusão tem sido  partilhada por todas novas épocas até o presente."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Diante disto, Marx afirma qual é o seu objeto de estudo: "O objeto deste  estudo é, em primeiro lugar, a produção material."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Uma produção material entendida da seguinte maneira: " indivíduos produzindo  em sociedade, portanto a produção dos indivíduos determinada socialmente, é por  certo o ponto de partida."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Quando se trata de produção, trata-se de produção em um grau determinado do  desenvolvimento social, da produção dos indivíduos sociais.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Diante disto se coloca um novo problema: é possível falar em Produção Geral,  quando se parte do entendimento de Produção em um determinado grau do  desenvolvimento social? A isto Marx responde: "Por isso, poderia parecer que ao  falar da produção em geral seria preciso querer seguir o processo de  desenvolvimento e suas diferentes fases, quer declarar desde o primeiro momento  que se trata de uma determinada época histórica, da produção burguesa moderna,  por exemplo, que propriamente constitui o nosso tema". Continua Marx: "Mas todas  as épocas da produção têm certas características comuns. A produção em geral é  uma abstração, mas uma abstração razoável, na medida em que, efetivamente  sublinhando e precisando os traços comuns , poupa-nos a repetição".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O que há de particular no processo histórico da produção material? Sobre este  problema afirma Marx: "Esse caráter geral, contudo, ou este elemento comum, que  se destaca através da comparação, é ele próprio um conjunto complexo, um  conjunto de determinações diferentes e divergentes." E continua Marx: "as  determinações que valem para a produção em geral devem ser precisamente  separadas, a fim de que não se esqueça a diferença essencial."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ao estudar a produção material em determinado momento histórico, deve-se  compreender como os elementos gerais se efetivam na produção material  particular, é preciso "desenvolver em outro lugar a relação entre as  determinações gerais da produção, num dado grau social, e as formas particulares  de produção."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Passo a destacar agora mais o item 3 do texto em questão, intitulado O Método  da Economia Política. Nele Marx não só evidencia o método aplicado ao  entendimento do movimento dos fenômenos econômicos, como explicita porque é este  o método que entende e revela de maneira cientificamente exata suas  determinações.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx inicia a exposição sobre o método da seguinte maneira: "Quando estudamos  um dado país do ponto de vista da Economia Política, começamos por sua  população, divisão de classes, sua repartição entre cidade e campo, na orla  marítima; os diferentes ramos de produção, a exportação e a importação, a  produção e o consumo anuais, os preços das mercadorias, etc. Parece que o  correto é começar pelo real e pelo concreto, que são a pressuposição, que são a  base e o sujeito do ato social de produção como um todo."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Mas aquilo que aparentemente parece o correto, revela-se depois de uma  "observação mais atenta" completamente falso isto porque: "A população é uma  abstração, se desprezarmos, por exemplo, as classes que a compõem. Por seu lado,  estas classes são uma palavra vazia de sentido se ignorarmos os elementos em que  repousam, por exemplo: o trabalho assalariado, o capital, etc. Estes supõem a  troca, a divisão do trabalho, os preços etc." ... "assim, se começarmos pela  população, teríamos uma representação caótica do todo, e através de uma  determinação mais precisa, através de uma análise, chegaríamos a conceitos cada  vez mais simples; do concreto idealizado passaríamos a abstrações cada vez mais  tênues até atingirmos determinações as mais simples."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx revela então a existência de dois métodos de estudo da Economia  Política: "O primeiro constitui o caminho que foi historicamente seguido pela  nascente economia. Os economistas do século VIII, por exemplo, começam sempre  pelo todo vivo: a população, a nação, o Estado, vários Estados, etc., mas  terminam sempre por descobrir, por meio da análise, certo número de relações  gerais abstratas que são determinantes, tais como a divisão do trabalho, o  dinheiro, o valor, etc. Estes elementos isolados, uma vez mais ou menos fixados  e abstraídos, dão origem aos sistemas econômicos, que se elevam do simples, tal  como o trabalho, divisão do trabalho, necessidade, valor de troca, até o Estado,  a troca entre nações e o mercado mundial."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx depois de descrever o caminho percorrido pelo primeiro método acentua as  diferenças em relação ao segundo: "O ultimo método é manifestamente o método  cientificamente exato. O concreto é concreto porque é síntese de muitas  determinações, isto é, unidade do diverso. Por isso o concreto aparece no  pensamento como processo de síntese, como resultado, não como ponto de partida,  ainda que seja o ponto de partida efetivo e, portanto, o ponto de partida também  da intuição e da representação."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A diferença entre os dois métodos é a seguinte: "No primeiro método, a  representação plena volatiza-se em determinações abstratas, no segundo, as  determinações abstratas conduzem a reprodução do concreto por meio do  pensamento."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O pensamento se movimenta assim: ele se eleva do abstrato ao concreto, para  se apropriar do concreto, para reproduzi-lo como concreto pensado. O primeiro  método, ao considerar o concreto o que não é concreto mais, é abstrato; deixa de  compreender as muitas determinações que compõem o próprio concreto. O pensamento  deixa de entender as determinações do concreto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;"O todo, tal como aparece no cérebro, como um todo de pensamentos, é um  produto do cérebro pensante que se apropria do mundo do único modo que lhe é  possível."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para a consciência, pois, o movimento das categorias aparece como ato de  produção efetivo - que recebe infelizmente apenas um impulso do exterior - ,  cujo resultado é o mundo, e isto é certo ... na medida em que a totalidade  concreta, como totalidade de pensamentos, como um concreto de pensamentos, é de  fato um produto do pensar, do conceber; não é de modo algum o produto do  conceito que pensa separado e acima da intuição e da representação, e que se  engendra a si mesmo, mas da elaboração da intuição em conceitos".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O não entendimento deste movimento próprio do pensamento, segundo Marx, fez  com que Hegel caísse "na ilusão de conceber o real como resultado do pensamento  que se sintetiza em si, se aprofunda em si, se move por si mesmo."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Utilizando as próprias palavras do autor , destaquei neste fichamento algumas  das principais idéias contidas no Texto (Introdução à crítica da Economia  Política) dando ênfase em duas de suas partes: 1. A Produção e 3. O Método da  Economia Política.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Sobre o Texto: Prefácio Para a Crítica da Economia Política&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Este prefácio tem extrema importância para o entendimento do Marxismo em suas  partes constitutivas: concepção filosófica; economia política e socialismo  científico. Neste texto Marx sintetiza o núcleo da teoria Marxista, aponta as  conclusões basilares de sua teoria da história social.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O texto em questão está estruturado da seguinte maneira:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em seu início Marx sintetiza como deve ser entendidos os seus estudos do  Sistema da Economia Burguesa. "capital, propriedade fundiária, trabalho  assalariado; Estado, comércio exterior, recado mundial." O prefácio antecede a  publicação da primeira parte de seus estudos , representando a primeira parte do  livro Primeiro, que trata do CAPITAL e de suas subdivisões em capítulos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No início do texto Marx faz uma interessantíssima abordagem explicitando qual  o percurso que o levou a estudar Economia Política.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Neste percurso destaca-se o trabalho por ele elaborado de revisão crítica da  Filosofia do Direito em Hegel da qual retirou em síntese as seguintes  conclusões: "relações jurídicas, tais como formas de Estado, não podem ser  compreendidas nem a partir de si mesmas, nem a partir do assim chamado  desenvolvimento geral do espírito humano, mas, pelo contrário, elas se enraízam  nas relações materiais de vida, cuja totalidade foi resumida por Hegel sob o  nome de "sociedade civil"."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Após ter terminado este trabalho de Crítica da Filosofia do direito em Hegel,  Marx, pelas conclusões a que chegou, compreende que a anatomia da sociedade  burguesa deveria ser procurada na Economia Política. Tendo como indicativo este  caminho, inicia seus estudos em Paris, continuando - os em Bruxelas, explicita  então neste prefácio a conclusão geral que serviu de fio condutor a estes  estudos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Passarei agora , utilizando as palavras do autor, a destacar algumas das  interfaces desta grande conclusão geral: "Na produção social da própria vida, os  homens contraem relações determinadas, necessárias e independentes de sua  vontade, relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de  desenvolvimento de suas forças produtivas materiais."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;"A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da  sociedade, a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e  política, e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;"Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é  o seu ser social que determina sua consciência".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Sobre o movimento dialético da sociedade, movimento este que constitui o seu  processo histórico, Marx conclui: "Em uma certa etapa de seu desenvolvimento, as  forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações  de produção existentes ou, o que nada mais é do que sua expressão jurídica, com  as relações de propriedade destro das quais aquelas até então tinham se movido".  De maneira que: "De formas de desenvolvimento das forças produtivas estas  relações de produção se transformam em seus grilhões. Sobrevem então uma época  de revolução social".&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Quando ocorre esta contradição coloca - se na pauta histórica a necessidade  de transformação de uma dada formação social. "Uma formação social nunca perece  antes que estejam desenvolvidas todas as forças produtivas para as quais ela é  suficientemente desenvolvida, e novas relações de produção mais adiantadas  jamais tomarão o lugar antes que suas condições materiais de existência tenham  sido geradas no sei mesmo da velha sociedade. È por isso que a humanidade só se  propõe as tarefas que pode resolver, pois, se considera mais atentamente, se  chegará à conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições  materiais de sua solução já existem, ou, pelo menos, são captadas no processo de  seu devir".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx descreve da seguinte maneira o processo de transformação social: "Com a  transformação da base econômica, toda a enorme superestrutura se transforma com  maior ou menor rapidez. Na consideração de tais transformações é necessário  distinguir sempre entre a transformação material das condições econômicas de  produção, que pode ser objeto de rigorosa verificação da ciência natural, e as  formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em resumo as  formas ideológicas pelas quais os homens tomam consciência deste conflito e o  conduzem até o fim".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Não se julga a consciência social de uma época à partir dela mesma e sim "é  preciso explicar esta consciência a partir das contradições da vida material, a  partir do conflito existente entre as forças produtivas sociais e as relações de  produção".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx termina o prefácio relatando o intercâmbio de idéias que manteve com  Engels, de grande importância no desenvolvimento de seus estudos, destaca o  Manifesto do Partido Comunista escrito conjuntamente com Engels; o Discurso  sobre o livre - comércio; Miséria da Filosofia e Trabalho assalariado e Capital  como importantes obras através das quais se explicita, de maneira científica, os  pontos decisivos de sua concepção teórica.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx finaliza o prefácio com a seguinte idéia que faço questão de destacar:  "Este esboço sobre o itinerário dos meus estudos no campo da economia política  tem apenas o objetivo de provar que minhas opiniões, sejam julgadas como forem e  por menos que coincidam com os preceitos ditados pelos interesses das classes  dominantes, são o resultado de uma pesquisa conscienciosa e demorada. Mas na  entrada da ciência - como na entrada do inferno - é preciso impor a  exigência:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Qui si convien lasciare ogni sospetto Ogni viltà convien che sai morta."(que  aqui se afaste toda a suspeita .Que neste lugar se despreze todo o medo)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;A Modernidade e o Século XX&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Madalena Guasco  Peixoto&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O período que se inicia no século XVI e vai até o final do século XIX ,  designado costumeiramente como moderno, foi sacudido pelas clássicas revoluções  burguesas e por uma intensa, fértil e multifacética luta de idéias. Este  movimento no campo das idéias se desenvolveu tendo como suporte as marcantes  mudanças qualitativas na história concreta da sociedade e constituiu - se como  parte integrante destas mudanças. Não representou apenas o reflexo do que  ocorria no campo social e econômico. Este movimento no campo das idéias se  transformou em força material.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Algumas questões fundamentais marcaram este intenso debate teórico.  Destacam-se as seguintes idéias: - É possível o homem conhecer a natureza e a  sociedade? Como se dá o processo de produção do conhecimento? Como ocorre o  processo de transformação histórica? Qual a relação entre a objetividade e a  subjetividade no movimento histórico social?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na história das idéias esta não foi a primeira vez em que estas questões  foram colocadas como centrais. No entanto, o que neste período havia de novo era  o contexto histórico no qual elas estavam sendo recolocadas e, dentro deste  contexto, a nova capacidade adquirida em respondê-las.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em conjunto, elas compõem questões de caráter epistemológico e as respostas  que lhes foram formuladas representou um grande salto qualitativo no campo  teórico e prático.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A luta teórica na modernidade se produziu como parte integrante da luta de  classes, representando primeiramente o antagonismo entre a velha sociedade  feudal e a nova sociedade capitalista que se erguia poderosamente. Depois passou  a expressar os novos antagonismos que a sociedade burguesa produziu.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Por este motivo, a modernidade, que é apresentada pela ideologia dominante  como monolítica, não foi. O que constituiu o moderno foi o contraditório.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx e seu parceiro Engels são herdeiros e construtores da modernidade. Dela  participaram colhendo os avanços científicos e teóricos e criticando as  concepções produzidas com base ideológica dominante. Deste movimento resultou a  única teoria conseqüentemente crítica da sociedade burguesa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O marxismo se produziu, assim, como parte e crítica da modernidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os textos A Introdução à crítica da Economia Política e o Prefácio para a  crítica da Economia Política são basilares desta complexidade teórica produzida  por Marx. Neles Marx descreve a trajetória de sua produção teórica, situa os  interlocutores e as idéias com quem debate, nos dando uma panorâmica da  modernidade em toda sua fertilidade.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nestes textos Marx construiu uma potente e crítica teoria da história,  contribuindo para o desenvolvimento da epistemologia moderna com a estruturação  do método mais avançado de conhecimento, o materialismo dialético, tornado por  ele também instrumento do estudo da economia e da história social.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O século XX incorporou e desenvolveu o debate da modernidade. A luta de  idéias de forma atualizada em suas bases manteve os mesmos antagonismos .O novo  século foi marcado por um desenvolvimento do sistema capitalista e pela  construção das primeiras experiências socialistas e, estas, sendo palco  histórico também da produção de idéias que se desenvolve no sentido de uma  avaliação crítica destas experiências.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Neste final de século, produto do desenvolvimento das contradições do próprio  capitalismo e da crise das experiências socialistas, recoloca-se, em nome de uma  nova era, as questões basilares da modernidade. O debate desenvolve-se entre os  que propugnam o fim da razão, a impossibilidade de conhecer a realidade, a  impossibilidade da existência de qualquer teoria científica da história e que  negam a possibilidade de construção de qualquer projeto coletivo de emancipação  social e política - os apologistas do fim da história. Contra estes encontram-se  aqueles que não só buscam desvendar os intentos ideológicos de tais idéias mas  que compreendem que, no processo de desenvolvimento da produção de conhecimento,  o entendimento dos novos fenômenos produzidos pela realidade pressupõem um  esforço teórico de grande envergadura, e isto somente é possível partindo-se de  uma teoria da história e da sociedade capaz de desvendar as leis gerais e as  particularidades de nosso tempo. Para tal, a concepção metodológica a ser  utilizada deve ser capaz de instrumentalizar para o entendimento de fenômenos  complexos de múltiplas determinações, deve ser capaz de desvendar as  contradições de nosso tempo. Este método e esta teoria crítica surgiram no  século XIX. Suas bases fundamentais aparecem de forma brilhantemente expostas  nos textos: Introdução à crítica da Economia Política e Prefácio para a crítica  da Economia Política. Seu artífice foi Karl Marx.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-2244514206125821754?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/2244514206125821754/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=2244514206125821754' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/2244514206125821754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/2244514206125821754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/contribuio-crtica-da-economia-poltica.html' title='Contribuição à Crítica da Economia Política - Karl Marx'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-4922085769377488414</id><published>2008-06-17T10:22:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:25:17.447-07:00</updated><title type='text'>Salário, Preço e Lucro - Karl Marx</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Dilermando Toni&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;(Obras Escolhidas de Marx e Engels, Ed. Alfa-Omega, volume I, pág. 333 a  378)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Contexto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;circunstância,  objetivos e alcance&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em 1998 completaram-se 100 anos da primeira publicação do trabalho de Karl  Marx Salário, Preço e Lucro, elaborado para uma palestra que proferiu em duas  sessões no mês de junho de 1865 perante o Conselho Geral da Associação  Internacional dos Trabalhadores (AIT), também conhecida como Primeira  Internacional. Nessa ocasião, o pensamento de Marx sobre economia política já  estava bastante amadurecido. Há 20 anos ele se dedicava ao assunto tendo escrito  várias obras em que, à base da crítica da economia política clássica, foi  desenvolvendo seus pontos de vista sobre as leis econômicas fundamentais do  capitalismo, concebendo a doutrina econômica de Marx, cujo corpo definitivo  convergiu para O Capital, sua obra principal da qual o primeiro livro viria a  lume logo depois, em 1867.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A palestra de Marx surgiu da necessidade de orientar a atividade prática da  Primeira Internacional, fundada havia menos de um ano e no seio da qual  diferenciavam-se pelo menos quatro correntes. Uma delas, a maior numericamente,  era representada pelos operários ingleses ligados às "Trade Unions" que  subestimavam a importância da ação política da classe operária e entre os quais  havia mesmo quem defendesse a opinião de que a elevação dos salários teria como  conseqüência o aumento do custo de vida e, portanto, não melhoraria a situação  dos trabalhadores.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No Salário, Preço e Lucro Marx pretendeu refutar esses pontos de vista e  elevar o nível de consciência teórica dos dirigentes ingleses. Para tanto  estabeleceu quatro objetivos para sua palestra: 1 - rebater a opinião de que "os  preços das mercadorias são determinados ou regulados pelos salários"; 2 -  demonstrar que a variação geral dos salários para cima ou para baixo leva à  variação da taxa geral de lucro em sentido inverso e, portanto, para aumentarem  seus lucros os patrões tendem a reduzir os salários dos trabalhadores; 3 -  demonstrar que as tentativas periódicas dos trabalhadores para conseguir um  aumento de salários são ditadas pelo próprio fato de o trabalho se achar  equiparado às mercadorias, por conseguinte submetido às leis que regulam o  movimento geral dos preços; e, por isso, 4 - que havia possibilidades de  vitórias na luta pela elevação dos salários, vitórias sempre limitadas pela ação  do capital, donde se impunha a necessidade de os trabalhadores lutarem, ao mesmo  tempo, politicamente, contra o próprio sistema, a fim de aboli-lo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Texto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx dividiu sua exposição em 14 partes e, de forma bastante didática, expôs  os conceitos e as relações em sua dinâmica, entre salários dos trabalhadores,  preços das mercadorias e lucros dos capitalistas, partindo das leis essenciais -  e não das aparências - que regulam o funcionamento do capitalismo. No Salário,  Preço e Lucro Marx desenvolveu a sua própria teoria dos salários, em relação ao  que havia escrito, por exemplo, em Trabalho Assalariado e Capital, de 1847.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os argumentos de Marx&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1 - Valor, trabalho e preço&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Inicialmente Marx procurou situar corretamente a relação entre concorrência  capitalista e lucro, de um lado, e entre oferta e procura das mercadorias e seus  preços, de outro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na procura incessante de melhor remuneração o capital se desloca para aqueles  ramos onde os lucros são maiores, o que acaba por aumentar a oferta e, portanto,  a taxa de lucro tende a se reduzir, pelo efeito da concorrência, a um nível  médio. Mas a concorrência entre os capitalistas não pode jamais determinar a  taxa geral de lucro (parte V).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Por sua vez, a lei da oferta e da procura regula simplesmente as oscilações  temporárias dos preços no mercado, explica "porque o preço de um artigo no  mercado se eleva acima ou desce abaixo do seu valor, mas não explica jamais esse  valor em si mesmo." (parte IV).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx afirmava que o lucro se obtém vendendo a mercadoria pelo seu valor. A  origem do lucro e a explicação do mecanismo da formação dos preços das  mercadorias se encontra na esfera da produção e não da circulação das  mercadorias (parte X). E, para que seus ouvintes entendessem sua afirmação, Marx  se debruçou sobre a teoria do valor-trabalho começando por conceituar o valor de  uma mercadoria e como se determina esse valor (partes VI e IX), analisou a  singularidade da mercadoria força de trabalho (parte VII) e expôs de forma  simples e acessível a teoria da mais-valia (parte VIII).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx parte da constatação de que o valor de troca (o valor relativo) de uma  mercadoria são as quantidades proporcionais em que ela é trocada pelas outras  mercadorias. Mas como se regulam as proporções dessa troca? Para responder esse  problema identificou no trabalho social a substância comum a todas as  mercadorias, já que para produzir uma mercadoria tem-se que incorporar a ela uma  determinada quantidade de trabalho. Nesse aspecto, o que distingue uma  mercadoria de outra não é senão a quantidade de trabalho, maior ou menor, nelas  cristalizado; quantidade de trabalho que se mede pelo tempo que dura o trabalho.  "Portanto - dizia Marx - os valores relativos das mercadorias se determinam  pelas correspondentes quantidades ou somas de trabalho investidas, realizadas,  plasmadas nelas".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Com isso ficava já "morta" uma das questões da polêmica: não era a  retribuição do trabalho, o salário, que determinava o valor das mercadorias e  sim a quantidade de trabalho necessário à sua produção. Retribuição do trabalho  e quantidade de trabalho são coisas distintas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx chamava a atenção para o fato da quantidade de trabalho necessário para  produzir uma mercadoria variar constantemente ao variarem as forças produtivas  do trabalho aplicado, porque quanto maiores são as forças produtivas do  trabalho, mais produtos se elaboram num tempo de trabalho dado, e quanto menores  são, menos se produzem na mesma unidade de tempo. Daí que quanto maior é a força  produtiva do trabalho, menos trabalho se inverte numa dada quantidade de  produtos e, portanto, menor é o valor destes produtos. Marx estabeleceu então da  seguinte forma a lei geral do valor-trabalho: "Os valores das mercadorias estão  na razão direta do tempo de trabalho invertido em sua produção e na razão  inversa das forças produtivas do trabalho empregado."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O preço de uma mercadoria não é outra coisa senão a expressão em dinheiro do  valor dessa mercadoria, mas, valor e preço nem sempre são iguais pois há toda  uma via complicada a ser percorrida entre o valor social de uma mercadoria e o  seu preço individual em um momento exato no mercado. Há que se considerar as  variações de preço de acordo com as flutuações da oferta e da procura, mas essas  variações se dão em torno de um preço central ou preço natural - que é o valor  real - porque a longo prazo oferta e procura tendem a se equilibrar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx dizia então que considerando-se um período de tempo bastante longo as  mercadorias se vendem pelos seus respectivos valores e então seria um absurdo  supor que o lucro constante brota do fato de que uma mercadoria seja vendida por  um preço que exceda o seu valor.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2 - Força de trabalho, salário, mais-valia e lucro&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nesse ponto o raciocínio de Marx deparava-se com a seguinte questão: de onde  provinha mesmo o lucro? Se uma mercadoria é vendida pelo seu valor, a força de  trabalho, que é uma mercadoria, também é vendida pelo seu valor. E esse valor é  determinado, como vimos, pelo tempo de trabalho necessário para produzir a  mercadoria. Então o valor da força de trabalho é determinado pelo tempo  necessário à sua conservação e reprodução, ou seja, "pelo valor dos artigos de  primeira necessidade exigidos para produzir, desenvolver, manter e perpetuar a  força de trabalho." (parte VII). Aparentemente, toda a força de trabalho que o  operário despendeu é remunerada pelo patrão ao final de uma semana, por exemplo.  Mas essa é uma aparência enganadora pois o capitalista, ao comprar a mercadoria  força de trabalho, passa a ter direito de servir-se dela fazendo-a funcionar  durante todo o dia, sucessivamente. E aqui é preciso entender que o valor da  força de trabalho é completamente distinto de seu funcionamento.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Acontece que a força de trabalho na sociedade capitalista é uma mercadoria  especial. "Tem a propriedade - como disse Engels - de ser uma força que cria  valor, uma fonte de valor, e, principalmente, mediante uso apropriado, a fonte  de um valor superior ao dela própria." (Introdução de Engels ao Trabalho  Assalariado e Capital)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para além da aparência: o operário em sua jornada de trabalho acrescenta  valores, produtos que ultrapassam o seu salário, ou seja, uma parte da jornada  de trabalho é remunerada, a outra não. A parte pela qual o capitalista não paga  equivalente algum, são as horas de sobretrabalho e esse sobretrabalho se traduz  em mais-valia e em sobre-produto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx diz que "este tipo de intercâmbio entre o capital e o trabalho é o que  serve de base à produção capitalista, ou ao sistema do salariado, e tem que  conduzir, sem cessar, à constante reprodução do operário como operário e do  capitalista como capitalista." (parte VIII)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Portanto, toda mercadoria tem sua parte de trabalho remunerado e outra parte  não remunerado; logo o capitalista quando vende a mercadoria pelo seu valor está  vendendo a quantidade total de trabalho nela cristalizado e forçosamente está  vendendo-a com lucro. Como diz Marx: "Vende não só o que lhe custou um  equivalente, como também o que não lhe custou nada, embora haja custado o  trabalho do seu operário".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3 - Relação entre salário e lucro&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os salários dos operários e os lucros dos capitalistas são retirados do valor  que o trabalho dos operários adiciona à mercadoria no processo de sua produção,  ou seja, do valor da mercadoria descontados o valor das matérias-primas e dos  outros meios de produção empregados.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Esse valor líquido, digamos assim, é delimitado pela quantidade de tempo de  trabalho dos operários que contém mas, as proporções em que se divide o montante  entre salários e lucros pode variar. Quanto maior um menor o outro e  vice-versa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Chamemos a mais-valia de m, a taxa de mais-valia de m', e o capital que o  patrão desembolsa em salários de capital variável ou v. A taxa de mais-valia é a  proporção em que o capital variável cresceu, é a grandeza relativa entre a  mais-valia e os salários, ou seja, é a proporção entre o trabalho pago e o não  remunerado: m' = m/v. Portanto, quanto mais crescer o denominador da fração, que  são os salários, menor será a taxa de mais-valia. E o contrário, quanto menos o  patrão desembolsar em salários, maior será o seu lucro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O palavra lucro é usada por Marx "para exprimir o montante total de  mais-valia extorquida pelo capitalista". Chamemos o lucro de l, a taxa de lucro  de l', e o capital que o patrão investe em máquinas, ferramentas, construções,  matérias-primas, energia, etc., de capital constante ou c. O capital total é a  soma do capital constante com o capital variável, ou C = c + v. A taxa de lucro  é a proporção em que cresceu o total do capital, ou seja, é a grandeza relativa  entre a mais-valia e o conjunto do capital ou, l' = m/(c + v). Portanto, na  busca de uma taxa de lucros elevada, necessariamente, o capitalista procura  manter a mais-valia (m) elevada, o numerador da fração elevado, ou seja, a maior  quantidade de trabalho não remunerado possível. Ou, se quisermos, a taxa de  lucro (l') é função direta da mais-valia (m) e função inversa de (c + v).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4 - A luta salarial&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Constante e objetivamente processa-se a luta entre o capital e o trabalho em  torno da divisão do montante do valor agregado à mercadoria no processo de  produção ou, como Marx dizia: "as lutas da classe operária em torno do padrão de  salários são episódios inseparáveis de todo o sistema do salariado; que, em 99%  dos casos não são mais que esforços destinados a manter de pé o valor dado do  trabalho e que a necessidade de disputar o seu preço com o capitalista é  inerente à situação em que o operário se vê colocado e que o obriga a vender-se  a si mesmo como uma mercadoria." (parte XIV).&lt;br /&gt;Marx, no sentido de orientar a  luta salarial examina a dinâmica da disputa entre lucros capitalistas e salários  dos trabalhadores, sob diversos cenários (parte XIII):&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4.1.&lt;/b&gt; Aumento da produtividade ou diminuição da produtividade do  trabalho, variações que decorrem de tal ou qual força produtiva do trabalho seja  empregada. No primeiro caso a taxa de mais-valia cresceria com o crescimento da  mais-valia e, ainda que o padrão de vida absoluto do trabalhador continuasse o  mesmo, a posição social relativa do operário em relação à do capitalista  pioraria. No segundo caso seria preciso mais tempo de trabalho para produzir uma  dada quantidade de mercadorias que consequentemente teriam mais valor. Se os  salários não acompanharem esta elevação no valor das mercadorias o padrão de  vida do trabalhador também piorará.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx constata que o desenvolvimento das forças produtivas acelera a  acumulação do capital e que com a acumulação progressiva opera-se uma mudança  progressiva na composição do capital. A parte do capital global formada por  máquinas, matérias-primas, meios de produção de todo o gênero, cresce com maior  rapidez que a outra parte do capital destinada à compra da força de trabalho, ou  seja, c cresce mais rápido que v. Não é que essa última deixe de crescer, mas o  faz em proporção constantemente decrescente quando comparada à primeira. E isso  acontecendo, a balança se inclina mais a favor do capitalista contra o  operário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4.2. &lt;/b&gt;Aumento do preço em dinheiro dos gêneros de primeira necessidade  sem que haja variação do valor da força de trabalho do operário. Nessa hipótese  inflacionária com salários arrochados, tão comum nos dias de hoje, Marx chama a  atenção de que haveria uma piora assustadora no padrão de vida dos  trabalhadores, afirmando que "toda a história do passado prova que sempre que se  produz uma depreciação do dinheiro, os capitalistas se aprestam para tirar  proveito da conjuntura e enganar os operários".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4.3. &lt;/b&gt;Alongamento da jornada de trabalho. Marx diz que "o capital tende  constantemente a dilatá-la ao máximo de sua possibilidade física, já que na  mesma proporção aumenta o sobretrabalho e, portanto, o lucro que dele deriva".  Nesse caso, mesmo que o trabalhador consiga aumentar seu salário, o valor do  trabalho pode diminuir "se o aumento dos salários não corresponde à maior  quantidade da trabalho extorquido e ao mais rápido esgotamento da força de  trabalho que daí resultará".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Por outro lado, o capital tem também a tendência a aumentar da intensidade do  trabalho tanto com a aceleração da velocidade das máquinas como aumentando o  número de máquinas que cada trabalhador deve fazer funcionar. Se isto acontece  com a manutenção da mesma jornada de trabalho sairá perdendo mais uma vez o  operário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4.4.&lt;/b&gt; Influências das fases do ciclo econômico - de calma, de animação  crescente, de prosperidade, de superprodução, de estagnação e crise - sobre os  salários e a luta salarial. "Durante as fases de crise de estagnação - diz Marx  - o operário, se é que não o põem na rua, pode estar certo de ver rebaixado o  seu salário". E nada mais certo que lutar então pela elevação dos salários - na  realidade pela compensação - durante as fases de prosperidade, quando o  capitalista obtém lucros extraordinários.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx chama a atenção ainda para o fato de que a luta pelo aumento dos  salários vai sempre atrás das modificações previamente ocorridas no volume de  produção, nas forças produtivas do trabalho, no valor do trabalho ou do  dinheiro, no alongamento da jornada de trabalho, na intensificação do trabalho,  nas flutuações da oferta e da procura decorrentes da fase do ciclo  industrial.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Entretanto o destaque principal de toda a argumentação de Marx é que a  tendência do capital não é para elevar o padrão médio de salários, mas para  reduzi-lo. Essa é a característica quase única dos cenários acima descritos. E  Marx pergunta: "se tal é a tendência das coisas neste sistema, quer isto dizer  que a classe operária deva renunciar a defender-se contra os abusos do capital e  abandonar seus esforços para aproveitar todas as possibilidades que se lhe  ofereçam de melhorar em parte a sua situação? Se o fizesse - responde ele -  ver-se-ia degradada a uma massa informe de homens famintos e arrasados, sem  probabilidade de salvação". (parte XIV)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Assim, os operários ao lutarem pela elevação dos salários não fazem mais que  cumprir um dever com eles mesmos, pois "toda a história da moderna indústria  demonstra que o capital, se não se lhe põe um freio, lutará sempre,  implacavelmente e sem contemplações, para conduzir toda a classe operária a este  nível de extrema degradação ... (de) simples máquina, fisicamente destroçada e  espiritualmente animalizada, para produzir riqueza alheia".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Conclusão Central&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A obra de Marx Salário, Preço e Lucro cumpre um duplo papel. Tanto valoriza a  luta dos trabalhadores pelo aumento de salários quanto mostra as limitações  dessa luta colocando a necessidade da luta política dos trabalhadores, de uma  ação política geral.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Dizia Marx que: "a classe operária não deve exagerar a seus próprios olhos o  resultado final destas lutas diárias. Não deve esquecer-se de que luta contra os  efeitos, mas não contra as causas desses efeitos, que logra conter o movimento  descendente, mas não fazê-lo mudar de direção; que aplica paliativos, mas não  cura a enfermidade. Não deve, portanto, deixar-se absorver exclusivamente por  essas inevitáveis lutas de guerrilhas, provocadas continuamente pelos abusos  incessantes do capital ou pelas flutuações do mercado" - por isso - "em vez do  lema conservador de 'um salário justo por uma jornada de trabalho justa!',  deverá inscrever na sua bandeira esta divisa revolucionária: 'abolição do  sistema de trabalho assalariado' ".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os sindicatos, indicava Marx, além de levarem a cabo as batalhas contra os  efeitos do sistema existente, deveriam ao mesmo tempo se esforçarem para  mudá-lo, utilizando suas forças organizadas como alavanca para a emancipação  final da classe operária.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Para Melhor Entender&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;b&gt;• &lt;/b&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;Marx  usou no transcurso de sua exposição numerosos exemplos práticos com o objetivo  de dar vida às suas teorias. As unidades de medidas são diferentes das vigentes  no Brasil. De &lt;b style=""&gt;volume&lt;/b&gt;:&lt;b style=""&gt; &lt;/b&gt;1 quarter = 8 bushels &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;@&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;  291 litros &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;\&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;  1 bushel &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;@&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;  36,25 litros. De &lt;b style=""&gt;peso&lt;/b&gt;: 1&lt;b style=""&gt; &lt;/b&gt;libra peso (lb.) = 16 onças, 1 libra  peso = 453,59&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;gramas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;\&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;  1 onça = 28,35 gramas. De &lt;b style=""&gt;peso de metais  preciosos&lt;/b&gt; como o ouro: onça troy = 31,1 gramas. De &lt;b style=""&gt;moeda&lt;/b&gt;: àquela época 1 libra esterlina  (£) = 20 xelins&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;= 240 pence &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;\&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;  1 xelim = 12 pence, ou&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;1/12 xelim = 1  penny (singular de pence). Em 1971 fez-se a decimalização do sistema monetário  inglês 1 libra = 20 xelins = 100 novos pence, ou 1 xelim = 5 novos pence. Hoje,  £ 1 &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;@&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 8pt; color: black;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;R$ 3,0&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;No  Salário, Preço e Lucro, por questões meramente didáticas e de forma  explicitamente consciente, Marx fala de dois tipos de taxa de lucro. Uma que  expressa a proporção entre a mais-valia e os salários pagos aos trabalhadores  para produzir determinada quantidade de mercadorias (m/v), também chamado de  grau real de exploração. A segunda que expressa a proporção entre a mais-valia e  o valor do montante do capital empregado (salários + máquinas + matérias primas  + energia etc.) para produzir determinada quantidade de mercadorias: m/(c+v). O  primeiro dos tipos é o que Marx chamava de taxa de mais-valia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;Ao  avaliar as possibilidades e limites da luta salarial dos trabalhadores Marx  refere-se à mudança progressiva da composição do capital onde a parte formada  por maquinaria, matérias-primas, meios de produção de todo o gênero - aqui  chamada por ele, também por questões didáticas, de capital fixo - cresce mais  rápido que a outra parte do capital destinada a salários. Ao que Marx chama no  texto de capital fixo é o que ele designa de capital constante. O capital fixo é  a parte do capital constante que passa aos poucos o seu valor ao produto final:  máquinas e equipamentos, edificações, etc. À parte do capital constante que  passa de uma vez seu valor ao produto final como a energia e as matérias-primas  somada com o capital variável (salários dos trabalhadores) chama-se de capital  circulante.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;• &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;O método  de análise que Marx usa para observar os fenômenos econômicos do capitalismo  foge sempre ao dia a dia, ao curto prazo, à sua manifestação localizada. Procura  desvendar a essência e suas tendências principais à escala social, média, em  períodos mais dilatados. Marx alertava para que: "As verdades científicas serão  sempre paradoxais, se julgadas pela experiência de todos os dias, a qual somente  capta a aparência enganadora das coisas". Lênin quando resumiu a doutrina  econômica de Marx referiu-se ao seu método da seguinte forma: "é absolutamente  natural que, numa sociedade de produtores de mercadorias dispersos, apenas  ligados uns aos outros pelo mercado, as leis que regem essa sociedade não possam  exprimir-se senão através de resultados médios, sociais, gerais pela compensação  recíproca dos desvios individuais num ou noutro sentido". (Lênin, OE, vol. I,  pág. 19). Assim é que se deve procurar entender o trabalho social médio, valor  médio, lucro médio etc.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Trabalho Assalariado e Capital&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;(Obras Escolhidas de Marx &amp;amp; Engels, Ed. Alfa Omega, vol. 1, pp.  52-82)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Sob este título, Marx pronunciou uma série de conferências, no período de 14  a 30 de dezembro de 1847, publicadas pela primeira vez na Nova Gazeta Renana, em  abril de 1849. Já depois de sua morte, em 1891, Engels publicou-as sob a forma  de folheto - destinado à propaganda entre operários - acrescentando-lhe uma  Introdução e algumas notas, para esclarecer aspectos que Marx teria aprofundado  ou até mesmo corrigido em obras posteriores. A principal alteração diz respeito  à mercadoria que o operário vende ao capitalista, em troca do salário: a força  de trabalho (e não o trabalho, como aparece no texto original). Engels adverte  que: "Por volta de 1850, Marx ainda não tinha concluído sua crítica à economia  política" e ainda não questionava a noção de que os fabricantes compram de seus  operários a mercadoria trabalho, cujo preço - calculado pelos mesmos critérios  dos de qualquer outra mercadoria - é pago sob a forma de salário. É a partir de  1859 que Marx vai dar mais consistência à sua crítica, culminando com a grande  obra O Capital, em que sistematiza o conceito de mais valia, a partir do valor  da mercadoria força de trabalho.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Embora o livro Trabalho Assalariado e Capital conste da lista publicada no  N.º 160 d'A Classe, não apresentaremos sua ficha de leitura, pois os aspectos  que exigiram correção e/ou acréscimo são contemplados por Marx em Salário, Preço  e Lucro, fichado a partir desta edição. No entanto, consideramos importante sua  leitura: a) porque o texto revela a profundidade dos conhecimentos econômicos de  Marx já desde os primeiros escritos e, comparado aos posteriores, permite que se  perceba a evolução da sua produção teórica; b) porque é um exemplo de como Marx  conseguia explicar complexos problemas econômicos, tornando-os acessíveis a  massas de operários.A&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Comissão Nacional de Formação&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Salários e Preços - Polêmica Antiga e Ainda  Atual&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Umberto Martins&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A polêmica em torno das relações entre salário e preços é bem antiga na  sociedade e no movimento operário. A obra de Karl Marx intitulada Salário, Preço  e Lucro - que reproduz uma longa intervenção do autor nas sessões do Conselho  Geral da Associação Operária Internacional, realizada entre os dias 20 a 27 de  junho de 1865 - trata exaustivamente deste assunto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Seu propósito era contestar os argumentos de que os trabalhadores deveriam  renunciar à luta por reajustes salariais, a título de reposição de perdas ou por  outra razão, pois tal movimento era inócuo e se revelaria, mais tarde, um  contra-senso, uma vez que seu único resultado seria uma alta proporcional dos  preços ou (o que vem a dar no mesmo) uma desvalorização da moeda, que na prática  anularia o aumento nominal dos salários ao impor a depreciação real do poder  aquisitivo dos mesmos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nas entrelinhas do debate, ficava evidente, já naquela época, que as posições  assumidas a este respeito refletem, bem mais do que divergências científicas, os  interesses que presidem a luta entre capital e trabalho. Ao lado disto,  registra-se a força e hegemonia das idéias das classes dominantes sobre o  movimento operário e suas lideranças. No momento em que Marx fez sua intervenção  a Europa presenciava "uma verdadeira epidemia de greves e um clamor geral por  aumentos salariais". O operário inglês Jonh Weston acabara de defender perante a  Associação a tese de que os trabalhadores não deviam lutar por aumentos  salariais, uma opinião "profundamente impopular no seio da classe  operária".&lt;br /&gt;Embora louvando a coragem moral de Weston, que "deve calar fundo  em todos nós", Marx fez uma contundente crítica ao conteúdo reacionário de suas  idéias, mostrando que elas careciam de fundamentos científicos e históricos e,  no fundo, apenas serviam aos interesses dos capitalistas, refletindo a reação  destes ao movimento operário em curso na ocasião.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Recorrendo a diversos exemplos históricos e destacando o aumento de salários  ocorrido na Grã-Bretanha decorrente da Lei das Dez Horas e Meia (que reduziu a  jornada de trabalho e foi promulgada em 1848), Marx mostrou que as premissas do  "cidadão Weston" eram falsas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A idéia de que aumento de salário gera inflação nunca passou de uma grande  tolice. Em Salário, Preço e Lucro, e em outros escritos, Marx observa que as  oscilações de salários devem ser avaliadas sempre em relação aos lucros, pois na  composição dos preços (levando em conta o novo valor agregado a uma determinada  mercadoria) os elementos centrais são salários (ou o valor da força de trabalho)  e lucros (que no mercado se subdivide em lucro industrial, financeiro -  especialmente juros -, renda da terra, lucro comercial e - com maior peso nos  dias de hoje - até certo ponto os impostos). Ou seja, aumentos salariais ocorrem  de imediato em detrimento do lucro: se o operário logra um aumento consegue,  desta forma, reduzir a taxa de exploração do capital. Mesmo se a produção fosse  uma grandeza constante (e evidentemente nunca foi) isto não implicaria  necessariamente na alta dos preços, mas mudaria a proporção em que o produto se  reparte entre salários e lucros.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Também com exemplos concretos e uma análise convincente, Marx revela a  inconsistência da teoria monetarista, exposta no ponto de vista segundo o qual o  aumento dos salários levaria a um crescimento da quantidade de dinheiro em  circulação que - sem correspondência no aumento da produção - resultaria na  desvalorização da moeda.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx afirma que, quando lutam por aumentos salariais e redução da jornada,  "os operários não fazem mais que cumprir um dever para com eles mesmos e sua  raça. Limitam-se a refrear as usurpações tirânicas do capital. O tempo é o campo  do desenvolvimento humano. O homem que não dispõe de nenhum tempo livre, cuja  vida, afora as interrupções puramente físicas do sono, das refeições etc., está  toda ela absorvida pelo seu trabalho para o capitalista, é menos que uma besta  de carga. É uma simples máquina, fisicamente destroçada e espiritualmente  animalizada, para produzir riqueza alheia. E, no entanto, toda a história da  moderna indústria demonstra que o capital, se não se lhe põe um freio, lutará  sempre implacavelmente e sem contemplações para conduzir toda a classe operária  a este nível de extrema degradação."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na conclusão da intervenção, Marx propõe que a Associação adote três  resoluções, uma das quais (a 2ª) sustenta que "a tendência geral da produção  capitalista não é para elevar o padrão médio de salários, mas para reduzi-lo".  Os críticos de Marx argumentam que esta idéia foi desmentida pela história e se  levarmos em consideração a situação atual dos trabalhadores na Europa (alvo das  atenções do autor) e nos países mais desenvolvidos (ou melhor, imperialistas) é  preciso convir que eles têm certa razão. Os valores reais dos salários cresceram  e, sobretudo, a jornada de trabalho diminuiu, chegando hoje em alguns países a  35 horas semanais, quase a metade da que reinava na primeira metade do século  passado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Porém, a observação da história nos países economicamente dependentes, por  exemplo o Brasil, revela uma realidade diferente. Por essas bandas, o arrocho  dos salários e a precarização das condições e relações trabalhistas é uma  verdade que o capital nos oferta com a força de uma fatalidade. Há uma  explicação para esta diferença, assim como para a diferença de valores da força  de trabalho entre as nações-sede do imperialismo e a periferia do  capitalismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Marx, como se sabe, não chegou a presenciar a história do imperialismo e,  embora suas idéias sobre o processo de centralização do capital, aplicado num  universo maior (mundial, não restrito a uma determinada economia nacional),  conduzissem logicamente à idéia e previsão do mesmo, não perdeu tempo em  imaginá-lo. Essa nova fase provocaria sensíveis alterações na evolução do  sistema.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;São muitos os fatores que presidem as oscilações dos salários e não se deve  tentar enquadrá-los numa espécie de lei de bronze. No caso, a luta de classes do  operariado e as pressões exercidas pelo socialismo soviético, por exemplo, têm  muito a ver com a melhoria relativa dos salários e condições de vida dos  trabalhadores nos países imperialistas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O fundamento econômico dessa situação, e da brutal diferença de valores da  mercadoria força de trabalho nesses dois distintos mundos, reside sobretudo na  lógica da espoliação imperialista, que - como Lênin já observava há cerca de 80  anos - ampliou a capacidade de concessões do capital aos trabalhadores (nos  centros) e possibilitou a criação do que ele classificou de aristocracia  operária.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;É ainda (e hoje mais que nunca) o excedente extraído pelo capital estrangeiro  nas economias dependentes, com migalhas "democraticamente" repartidas com a  aristocracia operária, que a rigor financiam a diferença de padrão de vida e o  relativo "bem estar social" usufruído nos centros do sistema, que, por sinal,  diante da crise e do desemprego em massa, a burguesia planeja abolir, objetivo  que só não logrou (até o momento) devido à enérgica resistência dos  trabalhadores.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Aqui no Brasil aprendemos com revolta e amargor a realidade desta espoliação  ao observar os bancos estrangeiros exibindo em seus balanços os fabulosos lucros  auferidos dias atrás com a crise cambial e a máxi-desvalorização do real.  Desgraça para uns, felicidade para outros. Uma humilhação imposta aos  trabalhadores pelo capital estrangeiro, com a cumplicidade criminosa da  burguesia nativa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O fato é que, hoje, com a reivindicação de uma nova política salarial que  garanta a reposição automática das perdas provocadas pela desvalorização da  moeda, a polêmica em torno das relações entre salário, preço e lucro, voltou à  ordem do dia. Por aqui, temos também os nossos Westons, os cidadãos que  (provavelmente sem as qualidades morais do inglês com quem Marx debateu)  representam e advogam as teses do capital a respeito deste tema no movimento  operário. Os fatos mostram um contexto de queda real dos salários e desemprego  em massa, de modo que, evidentemente, as eventuais altas de preços não podem ser  atribuídas aos míseros rendimentos dos trabalhadores. Aliás, pela lógica dos  Westons de hoje, a queda dos salários deveria provocar uma queda dos preços (ou  deflação), o que também não está ocorrendo e por uma razão simples: qualquer que  seja, a inflação que temos em vista e em perspectiva é uma expressão enviesada  da espoliação imperialista que vitima em primeiro lugar os trabalhadores, o  resultado de uma brutal transferência de lucros (e riquezas) ao capital  estrangeiro, que teve um ponto alto na máxi-desvalorização do real.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Passados mais de dez anos da primeira publicação de Salário, Preço e Lucro,  as condições (inclusive das economias nacionais) são outras, muita água rolou  desde então, mas a essência da luta entre capital e trabalho e dos interesses  subjacentes à polêmica em questão ainda não mudou.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-4922085769377488414?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/4922085769377488414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=4922085769377488414' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/4922085769377488414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/4922085769377488414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/salrio-preo-e-lucro-karl-marx.html' title='Salário, Preço e Lucro - Karl Marx'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-7857699809043864428</id><published>2008-06-17T10:19:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:22:04.246-07:00</updated><title type='text'>O imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo - Lênin</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Dilermando Toni&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;(Obras Escolhidas, tomo I, págs. 575 a 671)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Circunstâncias e Objetivos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Grandes modificações marcaram o capitalismo na virada do século XIX para o  século XX. No terreno econômico os monopólios passavam a jogar o papel  fundamental em substituição à livre concorrência. No terreno político a reação  em toda a linha tomava o lugar do democracia burguesa. Na cena histórica a época  da burguesia dava lugar à época do imperialismo e das revoluções  proletárias.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;"O imperialismo, - dizia Lênin - como fase superior do capitalismo na América  do Norte e na Europa, e depois na Ásia, estava já plenamente formado entre  1898-1914. As guerras hispano-americana (1898), anglo-boer (1899-1902) e  russo-japonesa (1904-1905) e a crise econômica da Europa em 1900 são os  principais marcos históricos da nova época da história mundial." (O imperialismo  e a divisão do socialismo, OC, T 30, pág. 171).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;As burguesias das principais potências capitalistas empenhavam-se febrilmente  na preparação da I Guerra Mundial como forma de dividir os mercados mundiais. A  guerra veio a desencadear-se a partir de 1914 e, um após outro, os partidos  operários da IIª Internacional, habituados ao período de desenvolvimento  relativamente pacífico do capitalismo e ao parlamento burguês, enveredavam pelo  caminho da conciliação e da traição, alinhando-se às suas respectivas  burguesias.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Colocou-se do ponto de vista prático a necessidade de analisar profundamente  o novo quadro a fim de desmascarar o oportunismo e formular uma orientação que  armasse para a luta revolucionária a vanguarda do movimento operário nas  condições da nova época histórica. Foi nessa circunstância que Lênin escreveu O  imperialismo, fase superior do capitalismo. Lênin pretendia que sua obra pudesse  ajudar "a compreensão de um problema econômico fundamental, sem cujo estudo é  impossível compreender seja o que for e formar um juízo sobre a guerra e a  política atuais."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O imperialismo ... surgiu no debate e na crítica aos teóricos do imperialismo  e às idéias que circulavam no seio do próprio movimento operário sobre a  questão. Mereceu atenção especial de Lênin a crítica às opiniões de Kautsky até  então o dirigente mais destacado da IIª Internacional cujos pontos de vista  centristas ficaram conhecidos como a teoria do "ultraimperialismo" segundo a  qual o capital financeiro conduziria o mundo para uma economia mundial  organizada, à eliminação das contradições imperialistas e a uma situação  relativamente pacífica, relativamente isenta de catástrofes e de conflitos. Sem  desmascarar a corrente ideológica internacional do "kautskismo" Lênin julgava  impossível que uma parcela significativa dos trabalhadores que estava sob a  influência daquela tendência, viesse a aderir à luta revolucionária  antimperialista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ao escrever O Imperialismo ... no primeiro semestre de 1916 Lênin partiu das  leis gerais do desenvolvimento do capitalismo formuladas por Marx e Engels e fez  um amplo trabalho de pesquisa sobre os novos fenômenos do capitalismo.  Utilizou-se de "dados gerais, irrefutáveis, da estatística burguesa e  declarações dos homens de ciência burgueses de todos os países", procurando  sempre os dados de conjunto sobre os fundamentos da vida econômica de todas as  potências que estavam em guerra e de todo o mundo já que, alertava Lênin: "dada  a infinita complexidade dos fenômenos da vida social, podem-se encontrar sempre  os exemplos ou dados isolados que se queira suscetíveis de confirmar qualquer  tese".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Mesmo com opiniões políticas divergentes com seus autores Lênin destacou em  especial o valor de duas obras que o auxiliaram na elaboração de O imperialismo,  fase superior do capitalismo, a saber: O capital financeiro do austríaco R.  Hilferding (1912): "uma análise teórica extremamente valiosa da 'fase mais  recente do desenvolvimento do capitalismo'"; e O imperialismo do economista  inglês J. A. Hobson (1902): "uma descrição excelente e pormenorizada das  particularidades econômicas e políticas fundamentais do imperialismo".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nos Cadernos sobre o imperialismo, tomos XLIII e XLIV das Obras Completas  (Akal Editor) estão concentrados os estudos que Lênin fez para escrever O  imperialismo ... Há extratos e observações de 148 livros, de 232 artigos e de 49  publicações periódicas em várias línguas, feitas entre 1912 e 1916.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O livrinho de Lênin, como ele o chamava, está dividido em 10 capítulos dos  quais o VII e o X são capítulos de síntese da própria obra e os outros são  capítulos de análise e desenvolvimento das idéias. O imperialismo, ... ao lado  de outras obras de Lênin sobre o assunto constituem um formidável acervo teórico  indispensável para se compreender o que se passa no mundo de hoje. Entre essas  outras obras podem ser citadas: o prefácio ao livro de Bukárin "A economia  mundial e o imperialismo" (1915), Sobre a caricatura do marxismo e o 'economismo  imperialista", (segundo semestre de 1916), O imperialismo e a divisão do  socialismo (1916).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;A Economia do Imperialismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1 - O monopólio essência econômica do imperialismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Na opinião de Lênin a "transformação da concorrência em monopólio constitui  um dos fenômenos mais importantes - para não dizer o mais importante - da  economia do capitalismo dos últimos tempos". Ele partia dos dados estatísticos  do desenvolvimento capitalista na Alemanha, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha  verificando o "processo notavelmente rápido de concentração da produção em  empresas cada vez maiores".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin polemizava com os economistas burgueses que viviam dizendo que o  "marxismo foi refutado" na análise do desenvolvimento capitalista: "A ciência  oficial procurou aniquilar, por meio da conspiração do silêncio, a obra de Marx,  que tinha demonstrado, com uma análise teórica e histórica do capitalismo, que a  livre concorrência gera a concentração da produção, e que a referida  concentração, num certo grau do seu desenvolvimento, conduz ao monopólio. Agora  o monopólio é um fato". (O Imperialismo ..., pág.590)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O resumo da história dos monopólios foi assim descrita por Lênin: "1) Décadas  de 1860 e 1870, o grau superior, culminante, de desenvolvimento da livre  concorrência. Os monopólios não constituem mais do que germes quase  imperceptíveis. 2) Depois da crise de 1873, longo período de desenvolvimento dos  cartéis, os quais constituem ainda apenas uma exceção, não são ainda sólidos,  representando ainda um fenômeno passageiro. 3) Ascenso de fins do século XIX e  crise de 1900 a 1903: os cartéis passam a ser uma das bases de toda a vida  econômica. O capitalismo transformou-se em imperialismo." (O imperialismo ...,  pág. 591).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin analisou os monopólios em importantes ramos da indústria como do  petróleo, química, aço, carvão, tabaco na Alemanha e nos Estados Unidos vendo  que eles tomavam a forma de cartéis e de trusts, em cujas mãos "concentram-se  freqüentemente sete ou oito décimas partes de toda a produção de um determinado  ramos industrial ... os cartéis estabelecem entre si acordos sobre as condições  de venda, os prazos de pagamento, etc. Repartem os mercados de venda. Fixam  quantidades de produtos a fabricar. Estabelecem os preços. Distribuem os lucros  entre as diferentes empresas, etc." (O imperialismo ..., págs. 591 e 592)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os métodos "modernos e civilizados" pelos quais os monopolistas colocavam os  outros setores da economia sob o seu jugo são bem diferentes da luta da  concorrência tradicional entre pequenas e grandes empresas: controle das fontes  de matérias-primas, da mão-de-obra, dos meios de transporte, diminuição dos  preços, controle do crédito, controle dos compradores, declaração de boicote,  etc.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin destacou logo no I capítulo de O imperialismo ..., duas conseqüências  fundamentais do predomínio dos monopólios: 1 - "um gigantesco progresso na  socialização da produção" (pág. 593) e, 2 - que "a supressão das crises pelos  cartéis é uma fábula dos economistas burgueses que ... pelo contrário, o  monopólio que se cria em certos ramos da indústria aumenta e agrava o caos  próprio de todo o sistema da produção capitalista no seu conjunto." (pág. 596,  grifos de Lênin). Mais á frente procurará retirar todas as conclusões políticas  e históricas destes fatos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2 - O capital financeiro&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os capítulos II e III do livro de Lênin são dedicados ao estudo do  crescimento e da concentração do capital bancário, à sua junção com o capital  industrial dando origem ao capital financeiro e à oligarquia financeira  expressão social deste processo ao nível das frações da burguesia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os bancos transformaram-se constata Lênin: "de modestos intermediários que  eram antes, em monopolistas onipotentes, que dispõem de quase todo o  capital-dinheiro do conjunto dos capitalistas e pequenos patrões, bem como da  maior parte dos meios de produção e das fontes de matérias-primas de um ou de  muitos países". (O imperialismo ..., pág. 597)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A fim de demonstrar sua tese Lênin analisa a evolução do sistema bancário da  Alemanha, França, Inglaterra, das últimas décadas do século XIX à primeira  década do século XX, em itens tais como ativos, concentração de depósitos,  número de agências, número de contas correntes, participação acionária de alguns  bancos no capital de outros etc.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A concentração do capital bancário e o aumento do movimento dos bancos  provocou uma importante modificação na economia capitalista. Houve um  estreitamento da relação dos bancos com a indústria e o comércio e, nessa  relação, os bancos assumiram um papel de dominação sobre o resto da economia.  Lênin descreveu assim esse fenômeno: "um punhado de monopolistas subordina as  operações comerciais e industriais de toda a sociedade capitalista, colocando-se  em condições ... primeiro de conhecer com exatidão a situação dos diferentes  capitalistas, depois de controlá-los, exercer influência sobre eles mediante a  ampliação ou a restrição do crédito, facilitando-o ou dificultando-o, e,  finalmente decidir inteiramente sobre o seu destino, determinar a sua  rentabilidade, privá-los de capital ou permitir-lhes aumentá-lo rapidamente e em  grandes proporções etc." (O imperialismo ..., pág. 601, grifos de Lênin).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O processo de predomínio do bancos consumou-se na passagem do século XIX para  o século XX através de grandes fusões de empresas nas quais parte cada vez maior  do capital industrial passa a ter participação acionária dos bancos. Estes, por  sua vez investem na indústria. A síntese desse fenômeno é feita por Lênin da  seguinte maneira: "Concentração da produção; monopólios que daí resultam; fusão  ou junção dos bancos com a indústria: tal é a história do aparecimento do  capital financeiro ..." (O imperialismo ..., pág. 610).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Aos monopólios financeiros correspondia, na estrutura das classes, a  oligarquia financeira, nova fração da burguesia que passa a ser dominante sobre  toda a sociedade capitalista. Lênin assim vê o desenvolvimento, os meios e as  formas desse processo econômico e social: "O capital financeiro, concentrado em  muito poucas mãos e gozando do monopólio efetivo, obtém um lucro enorme, que  aumenta sem cessar com a constituição de sociedades, emissão de valores,  empréstimos do Estado etc., consolidando a dominação da oligarquia financeira e  impondo a toda a sociedade um tributo em proveito dos monopolistas". Logo depois  destacava: "Os lucros excepcionais proporcionados pela emissão de valores, como  uma das operações principais do capital financeiro, contribuem muito para o  desenvolvimento e consolidação da oligarquia financeira". (O imperialismo ...,  págs. 615 e 616).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ao lado disso Lênin descreve com detalhes outras formas que a oligarquia  financeira utiliza para se fortalecer seus lucros como a aquisição pelos bancos,  a baixo preço, em períodos de depressão, de pequenas empresas e empresas pouco  fortes, ou ainda a especulação com terrenos situados nos subúrbios das grandes  cidades que crescem rapidamente.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin destaca com grande propriedade a relação entre o capital produtivo  (investimentos na indústria) e o capital especulativo (operações bolsistas e  financeiras) na nova situação: "É próprio do capitalismo em geral separar a  propriedade do capital da sua aplicação à produção, separar o capital-dinheiro  do industrial ou produtivo, separar o rentier, que vive apenas dos rendimentos  provenientes do capital-dinheiro, do empresário e de todas as pessoas que  participam diretamente da gestão do capital. O imperialismo, ou domínio do  capital financeiro, é o capitalismo no seu grau superior, em que essa separação  adquire proporções imensas. O predomínio do capital financeiro sobre todas as  demais formas do capital implica o predomínio do rentier e da oligarquia  financeira, a situação destacada de uns quantos Estados de 'poder' financeiro em  relação a todos os restantes" (O imperialismo ..., pág. 619). Rentier é sinônimo  de especulador.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3 - A exportação de capitais&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Prosseguindo a análise das peculiaridades da nova fase do desenvolvimento  capitalista Lênin dedica o capítulo IV de O Imperialismo ... à exportação de  capitais: "O que caracterizava o velho capitalismo, no qual dominava plenamente  a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o  capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, é a exportação de capital."  (pág. 621, grifos de Lênin).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin toma como base o fato de que, no limiar do século XX, estava dada uma  "situação monopolista de uns poucos países riquíssimos, nos quais a acumulação  do capital tinha alcançado proporções gigantescas. Constitui-se um enorme  'excedente de capital' nos países avançados". (O imperialismo ..., pág.  621).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Daí a necessidade de que esse capital excedente fosse exportado em busca de  uma colocação lucrativa. A possibilidade da exportação de capitais vinha do fato  de existirem países onde "os capitais são escassos, o preço da terra e os  salários relativamente baixos, e as matérias-primas baratas ... já incorporados  na circulação do capitalismo mundial" (pág. 622), onde já havia se construído  uma base de transportes e condições elementares para o desenvolvimento  industrial.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estudando os casos de países exportadores e de países tomadores de capitais  Lênin destacava duas formas em que isso se dava: os investimentos diretos em  empresas e os empréstimos a juros, de fonte pública ou privada, também chamado  de capital usurário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Assim é que, ao atingir proporções gigantescas a exportação de capitais se  constituía numa "sólida base para o jugo e exploração imperialista da maioria  dos países e nações do mundo, para o parasitismo capitalista de um punhado de  Estados riquíssimos!" Ao mesmo tempo em que repercutia "no desenvolvimento do  capitalismo dentro dos países em que são investidos, acelerando-o  extraordinariamente ... (provocando) um alargamento e um aprofundamento maiores  do desenvolvimento do capitalismo em todo o mundo". (O imperialismo ..., pág.  623)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Mundo Dividido&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1 - Os monopólios e as potências imperialistas partem e repartem o  mundo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os capítulos V e VI Lênin procura ver os desdobramentos, ainda no plano  econômico, do crescimento dos monopólios. Eles dominam o mercado interno de seus  países de origem e, em seguida, esses países, as potências imperialistas, passam  à dominação do mercado mundial. Tal é o caso da indústria elétrica na Alemanha  onde a AEG/Siemens consegue o domínio do mercado interno e se expande através  dos investimentos externos para "34 representações diretas em mais de dez  países. O mesmo acontecer com a GE nos EUA. Mais tarde as duas gigantes  acordaram a divisão do mundo entre si o que, segundo Lênin, "não exclui,  naturalmente, uma nova partilha, no caso de se modificar a correlação de forças  em conseqüência da desigualdade do desenvolvimento, das guerras, dos craques  etc."(O imperialismo ..., pág. 628).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No caso da indústria do petróleo Lênin faz um interessante relato de como os  capitalistas alemães, que perdiam a luta pela partilha do mundo para a Standard  Oil dos Rockefeller, fizeram toda uma campanha para que o Estado alemão  assumisse o monopólio sobre o petróleo a fim de ajudá-los na luta contra os  americanos, o que acabou por não se concretizar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Depois disso Lênin descreve o que se passou na marinha mercante, nas  ferrovias, na indústria do aço, do zinco e da pólvora, para concluir que "os  capitalistas não partilham o mundo levados por uma particular perversidade, mas  porque o grau de concentração a que se chegou os obriga a seguir esse caminho  para obterem lucros; e repartem-no 'segundo o capital', 'segundo a força';  qualquer outro processo de partilha é impossível no sistema de produção  mercantil e no capitalismo". (O imperialismo ..., pág. 631). E o que se passava  ao nível dos grupos econômicos tinha seu reflexo nos grupos políticos, nos  Estados. Estes também tratavam de repartir o mundo entre si.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin constata o crescimento vertiginoso dos povos colonizados e da dimensão  das possessões coloniais da Inglaterra, da França, da Alemanha e dos Estados  Unidos e outras potências. Habitavam a Terra naquela época 1.657.000 pessoas.  Desse total, 930 milhões viviam em países colonizados. A conclusão de Lênin é  que sobretudo a partir de 1880 "a passagem do capitalismo à fase do capitalismo  monopolista, ao capital financeiro, se encontra relacionada com a exacerbação da  luta pela partilha do mundo." (O imperialismo ..., pág. 633).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Os monopólios crescem e adquirem solidez quando reúnem em suas mãos terras  que tenham matérias-primas fundamentais como minas de minério de ferro ou  reservas de petróleo. Isso é o que explica a acirrada luta inter-monopolista que  Lênin assim descreveu: "quanto mais desenvolvido está o capitalismo, quanto mais  sensível se torna a insuficiência de matérias-primas, quanto mais dura é a  concorrência e procura de fontes de matérias-primas em todo o mundo, tanto mais  encarniçada é a luta pela aquisição de colônias." (O imperialismo ..., pág.  637). Lênin complementa sua idéia dizendo que: "os interesses da exportação de  capitais levam do mesmo modo à conquista de colônias, pois no mercado colonial é  mais fácil (e por vezes só nele é possível), utilizando meios monopolistas,  suprimir o concorrente, garantir encomendas, consolidar as 'relações'  necessárias etc." (O imperialismo ..., pág. 638).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Como fruto da luta pela partilha econômica e política do mundo pelas grandes  potências Lênin analisa o tipo de países que vão se criando. "Para esta época  são típicos não só os dois grupos fundamentais de países - os que possuem  colônias e as colônias -, mas também as formas variadas de países dependentes  que, dum ponto de vista formal, político, gozam de independência, mas que na  realidade se encontram envolvidos nas malhas da dependência financeira e  diplomática." (O imperialismo ..., pág. 639). Com o desenvolvimento do  capitalismo, com a intensificação das lutas anti-coloniais ao longo de décadas,  esse tipo de países dependentes descrito por Lênin é que vai se generalizar.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2 - A polêmica com Kautsky&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No início do capítulo VII faz um resumo faz um resumo do que havia escrito  nos capítulos anteriores e em seguida entra na polêmica com K. Kautsky. Dedica  importância a isto porque Kautsky havia sido uma referência importante, "o  principal teórico marxista da época da chamada II Internacional, isto é, dos  vinte e cinco anos compreendidos entre 1889 e 1914".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin julgava que a definição de Kautsky sobre o imperialismo "além de ser  errada e de não ser marxista, serve de base a todo um sistema de concepções que  rompem em toda a linha com a teoria marxista e com a atuação prática marxista".  Os pontos de vista de Kautsky levavam a que se ocultasse "as contradições mais  fundamentais da fase atual do capitalismo, em vez de as pôr a descoberto em toda  a sua profundidade; daqui resulta reformismo burguês em vez de marxismo". (O  imperialismo ..., pág. 644).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para Kautsky o imperialismo seria produto do capitalismo industrial altamente  desenvolvido e que toda a nação capitalista industrial tinha a tendência a  submeter e anexar cada vez mais regiões agrárias. Lênin contra-argumentava que o  "característico do imperialismo não é precisamente o capital industrial, mas o  capital financeiro [e ...] a tendência para a anexação não só das regiões  agrárias, mas também das mais industriais [inclusive porque] faz parte da  própria essência do imperialismo a rivalidade de várias grandes potências nas  suas aspirações à hegemonia." Além disso Lênin avaliava que a tendência do  imperialismo não era somente para as anexações "pois no aspecto político o  imperialismo é, em geral, uma tendência para a violência e para a reação". (O  imperialismo ..., pág. 643).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Kautsky pensava também que do ponto de vista econômico poderia haver a união  dos imperialismos de todo o mundo, quando o capitalismo atingiria uma nova fase  a fase do ultraimperialismo. Consequentemente não haveria mais guerras e lutas  entre as potências imperialistas. Lênin avaliou que a idéia do ultraimperialismo  "leva a água ao moinho dos apologistas do imperialismo, de que a dominação do  capital financeiro atenua a desigualdade e as contradições da economia mundial,  quando, na realidade, o que faz é acentuá-las." (O imperialismo ..., pág.  646).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A idéia do ultraimperialismo, a ingênua fábula de Kautsky como Lênin a  chamava, cumpria o papel de desviar a atenção das profundas contradições  existentes numa realidade de desproporção extrema na rapidez de desenvolvimento  dos diferentes países, de condições econômicas variadíssimas, de luta furiosa  entre os Estados imperialistas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para Lênin não se poderia acalentar a esperança de que a paz entre os povos  viesse a imperar na ordem imperialista. "No terreno do capitalismo, - perguntava  ele - que outro meio poderia haver, a não ser a guerra, para eliminar a  desproporção existente entre o desenvolvimento das forças produtivas e a  acumulação de capital, por um lado, e, por outro lado, a partilha das colônias e  das 'esferas de influência' do capital financeiro?" (O imperialismo ..., pág.  649).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Imperialismo e Socialismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1 - A última fase do capitalismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin dedica os três últimos capítulos de O imperialismo... a retirar  conclusões e conseqüências políticas da estrutura econômica do imperialismo.  Elas constituem o traço distintivo fundamental de sua obra em relação às demais  análises que se produziu sobre o imperialismo. É o que há de mais importante  nela.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Todo o raciocínio de Lênin conflui para a idéia de que o imperialismo sendo a  fase suprema do capitalismo é, ao mesmo tempo, a última fase do seu  desenvolvimento. Tantas e tão profundas são as contradições, as crises e os  choques que ela engendra que se preparam objetivamente as condições para sua  transformação em seu contrário, uma sociedade de tipo superior. Lênin concebe a  etapa imperialista como um "capitalismo de transição ou, mais propriamente, de  capitalismo agonizante". Em termos históricos o imperialismo é a véspera da  revolução proletária.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para demonstrar seu ponto de vista é que Lênin analisa em primeiro lugar, no  capítulo VIII, as principais tendências e contra-tendências do desenvolvimento  econômico do capitalismo em sua fase imperialista. De um lado ele é impulsionado  pela "possibilidade de diminuir os gastos de produção e aumentar os lucros,  implantando aperfeiçoamentos técnicos ... mas a tendência para a estagnação e  para a decomposição, inerente ao monopólio, continua por sua vez a operar e em  certos ramos da indústria e em certos países há períodos em que consegue  impor-se." (O imperialismo ..., pág. 650).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A tendência para a estagnação derivava do "divórcio completo" entre o setor  dos rentiers (especuladores) e a produção. Ele dizia que "o imperialismo é uma  enorme acumulação num pequeno número de países de um capital-dinheiro ... que  vive da exploração do trabalho de uns quantos países e colônias do ultramar". (O  imperialismo ..., pág. 650). Daí é que surge o Estado-rentier, usurário, credor,  que é o Estado do capitalismo parasitário e em decomposição contraposto à imensa  maioria de países e nações do mundo na situação de oprimidos e devedores.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No capítulo IX Lênin destacou o agravamento das contradições entre monopólios  e potências imperialistas. Dizia ele que "sob o capitalismo não se concebe outro  fundamento para partilha das esferas de influência, dos interesses, das  colônias, etc., além da força de quem participa da divisão, a força econômica  geral, financeira, militar, etc. E a força dos que participam na divisão não se  modifica de forma idêntica, visto que sob o capitalismo é impossível o  desenvolvimento igual das diferentes empresas, trusts, ramos industriais, países  ... [por isso] as alianças pacíficas preparam as guerras e por sua vez surgem  das guerras, conciliando-se mutuamente, gerando uma sucessão de formas de luta  pacífica e não pacífica sobre uma mesma base de vínculos imperialistas e de  relações recíprocas entre a economia e a política mundiais" (O imperialismo ...,  págs. 664 e 665).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No terreno político Lênin também identificava uma exacerbação extrema das  contradições. Dizia ele que: "O imperialismo é a época do capital financeiro e  dos monopólios, que trazem consigo, em toda a parte, a tendência para a  dominação, e não para a liberdade. A reação em toda a linha, seja qual for o  regime político ... intensifica-se também particularmente a opressão nacional e  a tendência para as anexações, isto é, para a violação da independência  nacional." (O imperialismo ..., pág. 665). Para Lênin isso não impede "o  crescimento das tendências democráticas na massa da população, e sim exacerba o  antagonismo de tais tendências democráticas e a tendência antidemocrática dos  trusts." (Sobre a caricatura do marxismo e o 'economismo imperialista', OC, T30,  pág.107).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2 - Nova dimensão da luta pelo socialismo&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Para Lênin, toda essa agudização das contradições sob o imperialismo é "a  força motriz mais poderosa do período histórico de transição iniciado com a  vitória definitiva do capital financeiro mundial." (O imperialismo ..., pág.  668). Essas contradições em plano mundial e de cada país, colocaram a  necessidade de se resolver de forma prática a questão do socialismo numa nova  relação com os problemas nacional, democrático e social. Significavam a  necessidade da elaboração de uma nova estratégia e uma nova tática  revolucionária do proletariado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Assim, a questão nacional é colocada sob um novo prisma sob o imperialismo.  Lênin diz que Hilferding "faz notar acertadamente a relação entre o imperialismo  e a intensificação da opressão nacional" quando o autor de O capital financeiro  diz: "o capital importado intensifica as contradições e provoca contra os  intrusos uma crescente resistência dos povos, cuja consciência nacional desperta  ... e as referidas nações formulam o objetivo que noutros tempos foi o mais  elevado entre as nações européias: a criação de um Estado nacional único como  instrumento de liberdade econômica e cultural". (O imperialismo ..., pág. 666).  Os movimentos de libertação nacional nos países dependentes, a luta pelo direito  à autodeterminação das nações oprimidas passaram a integrar o programa  revolucionário do proletariado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A questão democrática que havia sido colocada na cena histórica pela  burguesia ascendente nos séculos XVII, XVIII e XIX, sob o imperialismo do século  XX passou também a ser parte integrante da luta do proletariado e seus aliados  pelo socialismo. As reivindicações democráticas segundo Lênin deveriam ser  apresentadas de maneira revolucionária, orientadas para a revolução social. Ele  dizia que os marxistas "sabem que a democracia não suprime a opressão de classe,  e sim faz a luta de classes mais pura, mais ampla, mais aberta, mais nítida, que  é, precisamente, o que necessitamos." Por isso, acrescentava: "O socialismo é  impossível sem a democracia em dois sentidos: (1) o proletariado não pode levar  a cabo a revolução socialista se não se prepara para ela através da luta pela  democracia; (2) o socialismo triunfante não pode consolidar sua vitória e levar  a humanidade à desaparição do Estado sem realizar a democracia completa". (Sobre  a caricatura do marxismo e o 'economismo imperialista', OC, T30, págs.133 e  135).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A questão social também é tratada originalmente sob vários aspectos. Em  primeiro lugar o desenvolvimento do capitalismo para o imperialismo levou a uma  enorme socialização da produção. É o que Lênin descreve detalhadamente no  capítulo X de O imperialismo... Ademais, Lênin constatava "a tendência das  massas, que são mais oprimidas que antes, que suportam todas as calamidades das  guerras imperialistas, tendência a desvencilhar-se desse jugo, a derrubar a  burguesia". (O imperialismo e a divisão do socialismo, OC, T30, pág. 182)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Ao enfrentar o problema prático da revolução Lênin dedica grande atenção ao  problema político da direção do processo revolucionário. Essa direção estava  dividida em duas tendências: a oportunista, da qual Kautsky fazia parte e que  passou a dominar na maioria dos partidos operários da II Internacional, e a  tendência revolucionária. Para ele, "a luta contra o imperialismo é uma frase  oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo". (O  imperialismo ..., pág. 669). Lênin ocupou-se, em primeiro lugar de explicar a  base material do surgimento do oportunismo. Dizia ele que: "O imperialismo ...  implica lucros monopolistas elevados para um punhado de países muito ricos, gera  a possibilidade econômica de subornar as camadas superiores do proletariado, e  alimenta assim o oportunismo, dá-lhe corpo e reforça-o." (O imperialismo ...,  pág. 653). Ou ainda: "O imperialismo tem tendência para formar categorias  privilegiadas também entre os operários, e para as divorciar das grandes massas  do proletariado." (O imperialismo ..., pág. 655).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O grande mérito da análise leninistas do imperialismo é que ela respondeu a  tempo os problemas colocados pelo desenvolvimento econômico e social e armou o  proletariado russo para a vitória de Outubro de 1917. Em todo o mundo os  partidos comunistas incorporaram os ensinamentos de Lênin sobre o imperialismo  aos seus programas. Tendo sido escrito há mais de 80 anos, O imperialismo, etapa  superior do capitalismo é hoje um instrumento fundamental para a correta  compreensão da chamada globalização, é uma arma afiada na luta da classe  operária contra o neoliberalismo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-7857699809043864428?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/7857699809043864428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=7857699809043864428' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/7857699809043864428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/7857699809043864428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/o-imperialismo-etapa-superior-do.html' title='O imperialismo, Etapa Superior do Capitalismo - Lênin'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-7841630209475234784</id><published>2008-06-17T10:17:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:18:56.850-07:00</updated><title type='text'>O Estado e a Revolução - Vladimir Lênin</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Nereide Saviani&lt;/i&gt; &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;center style="font-family: arial;"&gt;&lt;/center&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Contexto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Estado e a Revolução. A doutrina do Marxismo sobre o Estado e as tarefas do  Proletariado na Revolução - tal é seu título completo - foi escrito em  agosto-setembro de 1917, na clandestinidade. Representa o produto de uma longa  série de reflexões e estudos, registrados num caderno que recebeu o título "O  Marxismo acerca do Estado" e que continha citações de Marx e de Engels, extratos  de livros e artigos de Kaustsky e Bernstein, além de conclusões e críticas do  próprio Lênin.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Planejada inicialmente para se desenvolver em 7 (sete) capítulos, esta obra  não chegou a ser concluída. Os acontecimentos que levaram à Revolução de Outubro  de 1917, com Lênin à frente, impediram-no de levar a cabo o que havia se  proposto para o último capítulo, que versaria sobre "A experiência das  Revoluções Russas de 1905 e 1917" (fevereiro). Tal capítulo chegou somente a ser  introduzido, com um esclarecimento de Lênin que se limitaria a tratar das  "lições mais importantes da experiência que dizem respeito diretamente às  tarefas do proletariado na revolução em relação ao poder de Estado." (p.304)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Neste ponto, interrompe-se o manuscrito. No posfácio à 1ª edição, de 30 de  novembro de 1917, Lênin irá justificar a ausência do Capítulo VII: ... "além do  título, não tive tempo para escrever uma única linha deste capítulo:  'impediu-me' a crise política, à véspera da Revolução de Outubro de 1917. Só  podemos alegrar-nos com tal 'impedimento'. Mas o segundo fascículo da brochura  {consagrado à Experiência das Revoluções Russas de 1905 e 1917) deverá  provavelmente ser adiado por muito tempo; é mais agradável e útil viver a  'experiência da revolução' do que escrever sobre ela." (grifo do autor).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;É certo que Lênin voltou a trabalhar sobre o texto, pois a 2ª edição  (dezembro de 1918) traz o acréscimo de um item ao Capítulo II ("Como Marx  colocava a questão em 1852"). Não consta, porém, que tivesse concluído a obra,  com a produção do planejado Capítulo VII (ou do 2º fascículo). Referências à  experiência daquelas revoluções russas (1905 e fev/1917) aparecem em diversas de  suas obras posteriores, mas não com o tratamento específico anunciado em O  Estado e a Revolução.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Texto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estruturado em 6 Capítulos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nos capítulos I a V, Lênin retoma e reforça a teoria de Estado de Marx e  Engels. O Cap. I sistematiza a noção de Estado como categoria histórica - com  origem em determinado estágio do desenvolvimento da sociedade - e seu caráter de  classe. Os Cap. II a IV mostram como Marx e Engels, analisando as experiências  específicas das revoluções de 1848-1851 e da Comuna de Paris (1871), trabalharam  a questão do Estado e desenvolveram a noção de Ditadura do Proletariado. O Cap.  V analisa as razões e condições da extinção do Estado Proletário, tal como  colocada essa questão por Marx e Engels, e trabalha as idéias sobre a transição  do capitalismo para o comunismo e as duas etapas da sociedade comunista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;É no Cap. VI que Lênin aborda mais pormenorizadamente a polêmica com as  concepções antimarxistas (anarquistas e oportunistas - especialmente Kautsky e  Bernstein), embora tenha tratado, ao longo dos capítulos anteriores, certas  tergiversações e deturpações em torno do entendimento da concepção de Marx e  Engels acerca do Estado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Alguns destaques, a partir dos Capítulos I, III, IV e VI.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1 - Essência de classe do Estado&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;1.1. Estado - produto e manifestação do antagonismo inconciliável de  classes:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O Estado não é força do exterior imposta à sociedade. ·  É, sim:&lt;br /&gt;   - produto da sociedade numa certa fase de seu  desenvolvimento;&lt;br /&gt;   - manifestação da contradição interna (insolúvel) da  sociedade, cindida em antagonismos que precisam ser banidos;&lt;br /&gt;   - força que  se coloca aparentemente acima da sociedade, com o fim de atenuar os conflitos  nos limites da "ordem".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;1.2. Estado - órgão de dominação, submissão, opressão de uma classe sobre  outra&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O Estado é sempre Estado da classe mais poderosa  (econômica e politicamente dominante), que cria:&lt;br /&gt;   - uma "ordem" que  legaliza e consolida essa submissão, procurando amortecer a colisão das  classes;&lt;br /&gt;   - meios de oprimir e explorar a classe dominada.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2 - Características gerais do Estado&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Divisão dos cidadãos (ou súditos) segundo o território  - substituindo a antiga organização patriarcal em gens ou tribos).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Instituição de um poder público que já não corresponde  diretamente à população e se organiza também como força armada (destacamento de  homens armados, em lugar da população espontaneamente armada). Tal poder  público:&lt;br /&gt;   - torna-se indispensável, dada a impossibilidade da organização  espontânea da população com armas desde que a sociedade se dividiu em  classes;&lt;br /&gt;   - existe em todos os Estados;&lt;br /&gt;   - compreende homens armados e  elementos materiais (prisões, instituições coercitivas de toda espécie - não  conhecidas pelas clãs);&lt;br /&gt;   - reforça-se com o agravamento dos antagonismos de  classe no interior do Estado e à medida que os Estados contíguos se tornam mais  fortes, maiores e mais populosos;&lt;br /&gt;   - apresenta-se como se fosse separado da  sociedade e situado acima dela;&lt;br /&gt;   - para manter-se, exige a instituição de  impostos, dívida pública e de corpo de funcionários - também situados como  órgãos da sociedade, acima dela;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Desempenho de um papel aparentemente mediador:&lt;br /&gt;   -  coloca-se como representante oficial de toda a sociedade - acima das classes, a  pretexto de "buscar atender" aos interesses de todos;&lt;br /&gt;   - mas, na verdade, é  o Estado de uma determinada classe, que se arroga ela própria representar toda a  sociedade;&lt;br /&gt;   - quando representante da sociedade inteira, torna-se supérfluo  - nenhuma classe a reprimir..&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote argumentos e  exemplos utilizados por Lênin sobre a essência de classe e as características  gerais do Estado - Capítulo I.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3. O Estado Burguês&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Poder centralizado, surgido com a queda do absolutismo,  fruto de históricas lutas contra o feudalismo e que, num longo processo, sob  formas variadas e envolvendo diferentes aspectos, apresenta, nos países  avançados, algumas semelhanças:&lt;br /&gt;   - elaboração de um poder parlamentar -  tanto nos países republicanos quanto nos monárquicos;&lt;br /&gt;   - luta pelo poder  entre os diversos partidos burgueses e pequeno-burgueses (disputa pelos espaços  burocráticos), garantindo-se continuidade dos fundamentos da ordem  burguesa;&lt;br /&gt;   - aperfeiçoamento e consolidação do poder executivo, o aparelho  burocrático e militar;&lt;br /&gt;   - manutenção do funcionalismo e do exército  permanente - duas instituições peculiares diretamente ligadas à burguesia e  constituindo-se parasitas no corpo da sociedade burguesa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Sob o imperialismo:&lt;br /&gt;   - o capitalismo monopolista  se transforma em capitalismo monopolista de Estado;&lt;br /&gt;   - reforça-se  extraordinariamente a máquina de Estado, o aparelho burocrático e  militar;&lt;br /&gt;    reforça-se, simultaneamente, a repressão contra o proletariado  (tanto nos países monárquicos quanto nos republicanos mais livres).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4. O Estado Socialista - substituição do Estado Burguês pelo Estado  Proletário&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;4.1. Quebrar a máquina de Estado burguês&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;O proletariado não pode derrubar a burguesia sem antes  conquistar o poder público (alcançar o domínio político) e transformar o Estado  em "proletariado organizado como classe dominante".&lt;br /&gt;- tal substituição se dá  pela destruição do poder de Estado burguês pelo proletariado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;4.2. O que colocar no lugar ( a exemplo da experiência da Comuna de  Paris):&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Democracia mais completa - converter a democracia  burguesa em democracia proletária, substituindo as instituições por outras de  tipo fundamentalmente diferente:&lt;br /&gt;   - supressão do exército permanente;&lt;br /&gt;    - plena elegibilidade e imovibilidade de todos os funcionários públicos  (inclusive os judiciais, que, no Estado Burguês, gozam de aparente  independência);&lt;br /&gt;   - abolição de todos os gastos de representação, de todos  os privilégios pecuniários dos funcionários;&lt;br /&gt;   - redução dos vencimentos de  todos os funcionários do Estado ao nível do salário operário;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Substituição do parlamentarismo por formas  verdadeiramente representativas da maioria:&lt;br /&gt;   - não supressão das  instituições representativas e da elegibilidade&lt;br /&gt;   - sim transformação dessas  instituições - de lugares de charlatanice em instituições "de trabalho."&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Anote medidas e  procedimentos da Comuna de Paris que exemplificam a substituição do estado  burguês pelo proletário, a partir dos comentários/transcrições de Lênin sobre as  análises de Marx - Capítulo III.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;4.3. Revolução e Ditadura do Proletariado&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;A luta de classes&lt;br /&gt;   - existência de classes -  fenômeno histórico, ligada a fases determinadas do desenvolvimento da  produção;&lt;br /&gt;   - a luta de classes conduz necessariamente à ditadura do  proletariado;&lt;br /&gt;- ditadura do proletariado - transição para uma sociedade sem  classes.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;A revolução&lt;br /&gt;   - as classes hostis da sociedade  movem-se em constante luta, cujo ponto culminante é a luta armada;&lt;br /&gt;   - a  revolução faz a ruptura com a velha sociedade, a destruição do aparelho de  Estado, a quebra de formas políticas petrificadas;&lt;br /&gt;   - a substituição do  estado burguês pelo Estado proletário é impossível sem a revolução violenta&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;A Ditadura do Proletariado&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;a) democracia x ditadura&lt;br /&gt;   - a democracia burguesa não é idêntica à  subordinação da minoria à maioria, mas sim a organização para exercer a  violência de uma parte da população sobre outra; significa igualdade, mas  igualdade formal;&lt;br /&gt;   - democracia burguesa é ditadura&lt;br /&gt;. democracia para os  burgueses (a minoria);&lt;br /&gt;. ditadura para o proletariado e trabalhadores em  geral (a maioria);&lt;br /&gt;. tal ditadura manifesta-se nos mecanismos de restrições,  exclusões, exceções, obstáculos aos pobres: direito eleitoral / técnicas das  instituições representativas / obstáculos efetivos ao direito de reunião;  organização puramente capitalista da imprensa...&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Comente a seguinte  formulação: "As formas dos Estados burgueses são extraordinariamente variadas,  mas a sua essência é apenas uma: em última análise, todos estes Estados são, de  uma maneira ou de outra, mas necessariamente, uma ditadura da burguesia." (p.  245 - grifo de Lênin)&lt;br /&gt;- ditadura do proletariado - a verdadeira  democracia&lt;br /&gt;. democracia para os trabalhadores (a maioria);&lt;br /&gt;. tal  democracia expressa-se na ampliação da participação política e social das  massas, na eliminação dos privilégios, na substituição do exército permanente  pela população armada...&lt;br /&gt;. a ditadura explica-se pela necessidade de impedir,  pela força, a resistência dos exploradores que perderam o poder e que buscam  recuperá-lo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Comente, agora, esta  outra formulação (considerando o comentário da anterior): "A transição do  capitalismo para o comunismo não pode naturalmente deixar de dar uma enorme  abundância e variedade de formas políticas, mas a sua essência será  necessariamente uma só: a ditadura do proletariado." (p. 245 - grifo de  Lênin)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;b) ditadura das classes exploradoras x ditadura do proletariado&lt;br /&gt;- as  classes exploradoras:&lt;br /&gt;. buscam o domínio político para a manutenção da  exploração (pela economia capitalista, por exemplo);&lt;br /&gt;. submetem a maioria  trabalhadora à minoria detentora dos meios de produção;&lt;br /&gt;. lutam para  manter-se como dominantes, garantindo para si a liberdade e a participação  política e social.&lt;br /&gt;- o proletariado:&lt;br /&gt;. busca o domínio político para a  organização da economia socialista - a socialização dos meios de produção;&lt;br /&gt;.  liga-se às massas populares, dirigindo-as rumo à completa extinção da exploração  do homem pelo homem;&lt;br /&gt;. visa à libertação de toda a humanidade, à superação  das contradições, à extinção das classes.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;c) a ditadura do proletariado e a superação da democracia&lt;br /&gt;-  incrementando-se a propriedade coletiva dos meios de produção, ampliando-se cada  vez mais a participação popular nas diferentes esferas da vida política e  social, eliminando-se os vestígios da "ordem" burguesa, tenderão a tornar-se  supérfluos:&lt;br /&gt;. o princípio da subordinação da minoria à maioria;&lt;br /&gt;. a  necessidade da violência sistematizada e organizada;&lt;br /&gt;. a exigência de um  órgão de dominação;&lt;br /&gt;- assim como se torna supérfluo um Estado representante  de toda a sociedade, supérflua será a democracia enquanto igualdade formal,  cedendo lugar à igualdade de fato.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Comente: "Democracia  significa igualdade (...) Mas... apenas igualdade formal. E imediatamente depois  da realização da igualdade de todos os membros em relação à propriedade dos  meios de produção, isto é, a igualdade do trabalho, a igualdade do salário,  levantar-se-á inevitavelmente perante a humanidade a questão de avançar para a  igualdade de fato, isto é, para a realização da regra: 'de cada um segundo as  suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades'.." (p. 289 - grifos de  Lênin)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;4.4. A questão nacional&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Superioridade do Estado unitário sobre o Estado federativo e, por  conseguinte, da República unitária, centralizada, sobre a República  federativa:&lt;br /&gt;- poder centralizado;&lt;br /&gt;- auto-administrações locais, com  funcionários eleitos por sufrágio universal (não nomeados pelo Estado).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;•  &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Defesa do centralismo democrático, em oposição ao  centralismo burocrático.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;4.5. A transição do capitalismo para o comunismo&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;a) ditadura do proletariado - Estado do período de transição da sociedade  capitalista para a sociedade comunista;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;b) as fases da sociedade comunista&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Primeira Fase - ou fase inferior - o socialismo:&lt;br /&gt;- os meios de produção  deixam de ser de propriedade privada e passam a propriedade coletiva;  conseqüentemente, não há mais exploração do homem pelo homem;&lt;br /&gt;- princípio  geral: "de cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo seu  trabalho":&lt;br /&gt;. quem não trabalha não deve comer;&lt;br /&gt;. para igual quantidade de  trabalho, igual quantidade de produtos;&lt;br /&gt;- igualdade ainda aparente, formal -  persistem vestígios do direito burguês, o qual:&lt;br /&gt;. é abolido quanto à  propriedade dos meios de produção (não mais reconhecimento da propriedade  privada);&lt;br /&gt;. não é abolição quanto à distribuição dos produtos (em relação ao  trabalho, não em relação às necessidades) - subsistindo diferenças de riquezas  (injustas);&lt;br /&gt;- ainda não são possíveis a justiça e a igualdade: a homens  desiguais e por uma quantidade desigual (de fato) de trabalho é atribuída igual  quantidade de produtos;&lt;br /&gt;- portanto, é necessária ainda a existência de um  Estado, com um direito, para proteger:&lt;br /&gt;. a propriedade comum dos meios de  produção;&lt;br /&gt;. a igualdade do trabalho e a igualdade de repartição dos  produtos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Comente: "Todo o  direito é aplicação de uma medida idêntica a pessoas diferentes, que, de fato,  não são idênticas, não são iguais umas às outras; e por isso o 'direito igual' é  uma violação da igualdade e uma injustiça (...) Mas, entretanto os indivíduos  não são iguais: um é mais forte, outro mais fraco; um é casado, outro não, um  tem mais filhos, outro menos, etc." (p. 285 - grifos de Lênin)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Segunda fase - ou fase superior do comunismo&lt;br /&gt;- com a expropriação dos  capitalistas, feita na primeira fase, tem lugar um gigantesco desenvolvimento da  forças produtivas, gerando imensas fontes de riqueza;&lt;br /&gt;- vão desaparecendo a  subordinação opressiva dos indivíduos à divisão do trabalho e a oposição entre  trabalho espiritual e trabalho manual;&lt;br /&gt;- o trabalho, de meio para viver,  passa a própria necessidade vital: os homens se habituam de tal forma a observar  as regras de convivência e seu trabalho é tão altamente produtivo que, em  conseqüência, trabalham voluntariamente, conforme suas capacidades;&lt;br /&gt;-  princípio: "de cada um segundo suas capacidades, a cada um segundo suas  necessidades":&lt;br /&gt;. a distribuição dos produtos não exigirá normas em relação à  quantidade recebida por cada um;&lt;br /&gt;. cada um tomará livremente da sociedade,  aquilo de que necessitar&lt;br /&gt;- será desnecessário o direito, tanto quanto  supérfluo será o Estado como órgão regulador das relações e responsável pela  garantia da observância das regras de proteção ao direito.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;5. A extinção do Estado&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;5.1. Ditadura do Proletariado (proletariado organizado como classe dominante)  - forma de transição do Estado para o não-Estado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· O proletariado precisa de um Estado:&lt;br /&gt;- para reprimir as classes  exploradoras (que perderam o poder);&lt;br /&gt;- para regular as relações entre as  classes, até que desapareçam as diferenças (dentre as quais, a oposição trabalho  espiritual x trabalho manual).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Mas, trata-se de um Estado de transição:&lt;br /&gt;- o fato de a repressão ser da  maioria em relação à minoria faz com que os órgãos especiais de opressão e  subordinação (exército permanente, polícia, burocracia) sejam substituídos pela  própria população armada, que vai se tornando também capaz de controlar e  registrar, sabendo administrar a produção social;&lt;br /&gt;- com a propriedade  coletiva dos meios de produção, finda a exploração do homem pelo homem,  instituindo-se formas mais democráticas de participação de toda a população nas  diferentes esferas da vida social e política;&lt;br /&gt;- o desenvolvimento cada vez  maior das forças produtivas e a alta produtividade do trabalho vão tornando  possível a aproximação ao princípio da distribuição do produto do trabalho  segundo as necessidades de cada um;&lt;br /&gt;- a ausência de exploração, a  possibilidade de participação e, conseqüentemente, a inexistência de motivos  para indignação e revolta, vão fazendo com que, ao mesmo tempo que se torna  desnecessária a repressão, as pessoas formem o hábito de observar as regras de  convivência a tal ponto de tronar-se capazes de administrar conjuntamente e  tomar da sociedade o produto do trabalho segundo as necessidades e não além  delas;&lt;br /&gt;- o Estado, portanto, vai se tornando supérfluo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;5.2. Ditadura do Proletariado - Estado que se extingue.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Relação do Estado proletário com os anteriores:&lt;br /&gt;- os Estados feudal e  burguês mantiveram a máquina de Estado encontrada, aperfeiçoando-a e  modificando-a apenas na medida de sua necessidade de manutenção e  aperfeiçoamento da exploração; enquanto que o proletariado suprimirá o Estado  burguês, quebrará sua máquina, substituindo-o por um Estado de tipo superior - a  Ditadura do Proletariado;&lt;br /&gt;- a superação dos Estados escravista e feudal se  deu por mudanças e aperfeiçoamentos, a do Estado burguês vai se dar pela  supressão e destruição (em ambos os casos - aperfeiçoamento e supressão - há  substituição de um tipo de Estado por outro); enquanto que a superação do Estado  proletário dar-se-á por extinção - a não mais existência de qualquer Estado&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· A Ditadura do Proletariado é um Estado que se extingue, num processo  gradual, prolongado.&lt;br /&gt;- Condições para essa extinção:&lt;br /&gt;. quebra definitiva  da resistência dos capitalistas e desaparecimento destes;&lt;br /&gt;. desaparecimento  das classes (fim da diferença entre os membros da sociedade quanto à propriedade  dos meios de produção);&lt;br /&gt;. enfim, o Estado só se extinguirá na sociedade  comunista, quando, ultrapassada a primeira fase e tendo desenvolvido plenamente  as bases da segunda, a sociedade for capaz de realizar a regra: "de cada um  segundo suas capacidades, a cada um segundo suas necessidades".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Comente: "Mas qual  será a rapidez deste desenvolvimento (...) não sabemos e não podemos saber ...  [temos de deixar]completamente em aberto a questão dos prazos ou das formas  concretas da extinção, pois não há materiais para resolver tais questões. " (p.  287 - grifos de Lênin)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;è Faça um quadro comparativo dos argumentos dos oportunistas e da refutação  de Lênin (com base em Marx e Engels) sobre: a essência de classe do Estado; a  destruição da máquina do Estado burguês pelo proletariado; a extinção do  Estado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Atenção!&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Ao estudar O Estado e a Revolução precisamos estar atentos ao contexto de  sua produção: época da I guerra mundial, guerra imperialista, sob a qual o  capitalismo se transformava acentuadamente em capitalismo monopolista de Estado.  Como o próprio Lênin assinala no Prefácio à Primeira Edição: "Os horrores e as  calamidades inauditos da guerra que se prolonga tornam a situação das massas  insuportável, aumentam a sua indignação. A revolução proletária internacional  amadurece visivelmente. A questão da sua atitude em relação ao Estado adquire  uma importância prática." (p.223) Antes da guerra, o capitalismo vivera, desde  finais do século XIX, um período relativamente pacífico, o que favoreceu o  desenvolvimento de tendências oportunistas no seio do movimento operário,  ostentando-se posições de conciliação com a burguesia e de abandono da  perspectiva revolucionária. Lênin defendia que: "A luta para libertar as massas  trabalhadoras da influência da burguesia em geral, e da burguesia imperialista  em particular, é impossível sem uma luta contra os preconceitos oportunistas em  relação ao Estado" (p.223). É nesse clima que Lênin recupera a produção de Marx  e Engels sobre o Estado, a revolução e a ditadura do proletariado e busca  analisar a experiência das revoluções russas, especialmente a de fevereiro de  1917 (ainda em curso - agosto/1917), que ele entendia como "um dos elos da  cadeia das revoluções proletárias socialistas provocadas pela guerra  imperialista" (p.224).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Compreendidas no seu contexto, as análises de Lênin não devem ser tomadas  como modelo para análise da realidade brasileira atual. Nosso Partido, aliás, já  aprendeu que não há caminho único para se atingir o socialismo, o qual somente  pode ser construído nas condições históricas concretas de cada país. As lições  que Lênin extrai da produção marxista sobre o Estado - especialmente das  análises de Marx e Engels sobre as lutas operárias e camponesas, com destaque  para a Comuna de Paris - apontam para a conquista do poder pelo proletariado  como questão essencial para a construção do socialismo. As formas pelas quais o  poder será exercido podem ser as mais diversificadas, mas terão de ser  essencialmente democráticas, de modo a assegurar efetiva participação da maioria  trabalhadora na direção e controle da sociedade, bem como na produção material e  espiritual e na fruição dos bens e serviços socialmente produzidos/realizados.  Tais são, também, as lições que extraímos das análises das experiências  revolucionárias deste século XX. Tanto que nosso Programa Socialista, no item O  Poder, a Questão Essencial, afirma: "Sem o poder político nas mãos das forças  sociais com interesses distintos dos agrupamentos que sustentam a ordem  capitalista vigente, torna-se impossível proceder às mudanças que se fazem  necessárias" (parágrafo 37).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Reflita e discuta&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;1. Em que consiste a essência de classe do Estado?&lt;br /&gt;2. Como se distinguem a  democracia burguesa e a democracia proletária?&lt;br /&gt;3. Qual o lema do comunismo  (ou, da fase superior da sociedade comunista)? Por que, nessas condições, o  Estado tornar-se-á desnecessário?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Não deixe de ler&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;· Democracia: valor histórico - Luís Fernandes - Princípios n.º 19, pp.  6-13.&lt;br /&gt;· Qual democracia? Qual ditadura? - José Carlos Ruy - Princípios n.º  19, pp. 14-21.&lt;br /&gt;· Liberalismo e Social Democracia: teoria marxista sobre o  Estado no século XX - Luís Fernandes - Princípios n.º 20, pp. 54-62.&lt;br /&gt;· O  Comunismo e o Estado: teoria política marxista a partir de Lênin - Luís  Fernandes - Princípios n.º 21, pp. 60-69.&lt;br /&gt;· Construir ou tomar o poder? A  estratégia socialista de Marx a Gramsci - Lincoln Secco - Princípios n.º 39, pp.  61-70.&lt;br /&gt;· Democracia - Décio Saes, São Paulo, Ed. Ática, 1987.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Estado e Revolução - Conceitos Inseparáveis&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;José  Reynaldo de Carvalho&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Escrito e publicado em agosto-setembro de 1917, no auge da crise política que  culminou na Grande Revolução Socialista de Outubro, O Estado e a Revolução  consagrou-se como uma das obras fundamentais da literatura marxista. Baseado em  experiências históricas - as revoluções de 1848-1851 na Europa, nomeadamente na  França, e na Comuna de Paris de 1871, o autor faz uma explanação pormenorizada  da doutrina (o termo é do próprio Lênin) de Marx e Engels sobre o Estado. Era  sua intenção fechar o livro com um capítulo dedicado à experiência das  revoluções russas de 1905 e 1917, mas conforme explicação que dá no posfácio à  primeira edição, a tarefa ficou incompleta: "Tinha já estabelecido o plano do  capítulo seguinte, o sétimo: A experiência das revoluções russas de 1905 e 1917.  Mas, além do título, não tive tempo de escrever uma única linha deste capítulo:  'impediu-me' a crise política, a véspera da revolução de Outubro de 1917. Só  podemos alegrar-nos com tal 'impedimento'. Mas o segundo fascículo da brochura  (consagrado à Experiência das revoluções russas de 1905 e 1917) deverá  provavelmente ser adiado por muito tempo; é mais agradável e mais útil viver a  'experiência da revolução' do que escrever sobre ela".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O leitor contemporâneo, sobretudo se fizer parte da atual geração de  militantes da luta pelo socialismo, ao estudar o livro de Lênin deve ter em  conta o espírito e a linguagem da época, tomar o texto como uma obra clássica e,  como tal, fonte de ensinamentos históricos, nunca como uma cartilha com fórmulas  prontas a copiar e "aplicar". O Estado e a Revolução foi escrito numa época em  que o proletariado russo, no quadro de um período revolucionário de extensão  continental em praticamente toda a Europa, se preparava para executar a tarefa  histórica de derrubar, pela via revolucionária, o Estado opressor vigente e  ainda não tinha clareza sobre como e por quê substituí-lo, o que exigia  desenvolver a teoria marxista acerca do Estado, à luz da experiência concreta.  Foi essa a tarefa que se propôs Lênin ao escrever O Estado e a Revolução e é  nisso que consiste sua formidável importância teórica e política.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O tema de O Estado e a Revolução está no centro de um intenso debate teórico,  com implicações práticas e históricas, entre as correntes envolvidas na luta  pela transformação revolucionária da sociedade. A sociologia burguesa define o  Estado como uma instituição situada à margem ou acima das classes sociais. E  estabelece um elo entre a função mantenedora da ordem da organização estatal e a  conciliação dos interesses das classes, a harmonização dos conflitos entre  aquelas. A sociologia burguesa nega a natureza de classe do Estado e ao fazê-lo  proclama o fim da luta de classes. Em O Estado e a Revolução Lênin refuta esses  argumentos e, citando Engels exaustivamente, repõe nos seguintes termos o ponto  de vista marxista sobre o caráter de classe da organização estatal: "O Estado  não é, portanto, de modo nenhum um poder imposto de fora à sociedade; tão pouco  é 'a realidade da idéia moral', a 'imagem e a realidade da razão' como Hegel  afirma. É, isso sim, um produto da sociedade em determinada etapa de  desenvolvimento; é a admissão de que esta sociedade se envolveu numa contradição  insolúvel consigo mesma, se cindiu em contrários inconciliáveis que ela é  impotente para banir. Mas para que esses contrários, classes com interesses  econômicos em conflito, não se devorem e à sociedade numa luta infrutífera,  tornou-se necessário um poder, que aparentemente está acima da sociedade, que  abafe o conflito e o mantenha dentro dos limites da 'ordem'; e este poder  nascido da sociedade mas que se coloca acima dela, e que cada vez mais se aliena  dela, é o Estado". (Engels, F. A Origem da Família, da Propriedade Privada e do  Estado, citado por Lênin em O Estado e a revolução, Obras Escolhidas, Ed.  "Avante!", vol. 2 pág.226). Comentando esta definição, Lênin diz em O Estado e a  Revolução: "Encontra-se aqui expressa com toda a clareza a idéia básica do  marxismo sobre a questão do papel histórico e do significado do Estado. O Estado  é o produto e a manifestação do caráter inconciliável das contradições de  classe. O Estado surge precisamente onde, quando e na medida em que as  contradições de classe não podem ser conciliadas. E inversamente: a existência  do Estado prova que as contradições de classe são inconciliáveis". (Lênin, V.I.,  op. citada, pág. 226) Temos aqui uma descoberta teórica que confronta com a  posição de filósofos e cientistas políticos burgueses, posteriormente adotada  por chefes políticos oportunistas empenhados em ocultar a essência de classe do  Estado, apresentá-lo como um ente abstrato, imutável, eterno, isento de  determinações pelas relações econômicas, posicionado acima das classes. É  evidente que semelhantes conceitos se adequavam aos esforços que faziam os  oportunistas para rebaixar os objetivos revolucionários do proletariado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O fulcro da argumentação de Lênin em O Estado e a Revolução é a categorização  da organização estatal como ente histórico. O Estado não existiu sempre (nem  existirá para sempre), mas a partir do momento em que a sociedade atingiu uma  determinada fase de desenvolvimento, precisamente aquela em que ocorre a divisão  em classes hostis com interesses antagônicos e inconciliáveis. Segundo esse  ponto de vista, o Estado é a expressão da inconciliabilidade das contradições de  classe.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Lênin explica como o marxismo conceitua o Estado - uma superestrutura erigida  sobre uma base econômica historicamente determinada. Como tal, esta  superestrutura é acionada em nome e em defesa dos interesses da classe  dominante. Isso significa que a classe dominante no terreno econômico também  exerce o poder político. Essa conceituação constitui a chave para compreender as  funções do Estado e dos seus órgãos constitutivos - o exército, a polícia, a  justiça, o aparato burocrático, as instituições políticas representativas,  enfim, o poder coercitivo, administrativo e político, que se agiganta na razão  direta do agravamento dos conflitos de classe. É também à base da conceituação  do Estado como instrumento de dominação de uma classe sobre outra, que Lênin  aborda em seu livro a questão dos tipos e formas do Estado. Demonstra que os  Estados se distinguem por seu caráter de classe e que os diversos tipos de  Estados opressores conhecidos na história expressam a dominação das classes  dominantes respectivas e que nos marcos de cada tipo de Estado, com um caráter  de classe definido, este se reveste de diversas formas, conforme as condições  históricas e políticas concretas, o grau de desenvolvimento e a correlação de  forças na luta política, as tradições nacionais, os traços culturais dos povos  etc.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Vencido o desafio da conceituação do Estado como categoria histórica com  caráter de classe, Lênin enfrenta em seu livro outra questão capital da ciência  política: a necessidade da ruptura revolucionária para alterar o caráter de  classe do Estado. A Revolução de 1848-1851, quando o proletariado se lançou pela  primeira vez na história como força independente, em luta aberta por seus  próprios objetivos, e duas décadas depois, a Comuna de Paris, quando o  proletariado "tomou os céus de assalto", suscitaram em Marx e nos marxistas a  reflexão sobre que atitude deve o proletariado revolucionário tomar em face do  Estado burguês - adaptar-se, ocupando os espaços conquistados à burguesia, ou  destruí-lo para soerguer sobre os seus escombros novas formas de exercício do  poder estatal? Já nas primeiras obras do marxismo maduro, Miséria da Filosofia e  Manifesto Comunista, os fundadores do marxismo preconizaram a necessidade de o  proletariado organizar-se como classe dominante. Mas foi a experiência concreta  da revolução que levou Marx à formulação de conceitos tais como destruição do  estado burguês e criação da ditadura do proletariado.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Estado e Revolução passaram a ser termos indissociáveis quando se trata da  questão de alçar a classe trabalhadora à condição de classe dominante. É por  isso que para Lênin, o problema do poder do Estado é o problema fundamental da  revolução. Em boa medida, o século XX foi o século das revoluções e da  realização das primeiras experiências de construção de um novo tipo de Estado.  Os fundadores do marxismo e Lênin conceberam o Estado socialista como um Estado  edificado pelas próprias massas trabalhadoras, com a idéia central da  participação destas no exercício direto do poder político. Para Lênin, o que  distingue o Estado socialista do Estado burguês é a participação direta e ativa  dos trabalhadores no governo, a tal ponto que o primeiro dirigente do Estado  socialista soviético chegou a caracterizá-lo como aquele em que uma "simples  cozinheira" interessa-se pelas questões do Estado. Por isso, e também por  expressar os interesses fundamentais e as aspirações das massas trabalhadoras, o  Estado socialista foi concebido como o tipo mais elevado de democracia, uma  democracia de novo tipo, porque além de promover a participação direta dos  trabalhadores, o Estado socialista procede à liquidação do divórcio entre a  proclamação dos direitos e liberdades democráticas e sua efetiva realização. O  Estado e a Revolução consistiu, nesse sentido, além de uma teorização sobre o  Estado, um lineamento geral do programa para a construção política do Estado  socialista, arquitetado como transição para atingir no longo prazo ao estágio  superior da sociedade comunista quando, segundo o marxismo, o Estado se  extinguiria.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;As idéias defendidas por Lênin em O Estado e a Revolução mantêm validade  conceitual, malgrado o tempo decorrido e as recentes derrotas na concretização  do projeto revolucionário iniciado quando da publicação do livro. Submetido à  prova da história, o Estado socialista não conseguiu ainda fazer vingar o  ambicioso projeto de criar um tipo novo e superior de democracia através da  participação direta e ativa dos trabalhadores. Quanto ao Estado burguês, tende  cada vez mais ao exercício do poder absoluto da grande burguesia e à dominação  imperialista. Os antagonismos de classe tornaram-se mais acentuados. Novas  rupturas se colocam objetivamente na ordem do dia. Não restam dúvidas de que o  trabalho de Lênin sobre o Estado e a Revolução estará, como outras obras  clássicas do marxismo-leninismo, na base teórica dos novos programas  revolucionários.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-7841630209475234784?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/7841630209475234784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=7841630209475234784' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/7841630209475234784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/7841630209475234784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/o-estado-e-revoluo-vladimir-lnin.html' title='O Estado e a Revolução - Vladimir Lênin'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2155805495448526235.post-7528305504705113009</id><published>2008-06-17T10:02:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T10:16:10.405-07:00</updated><title type='text'>Que Fazer? - Vladimir Lênin</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Loreta Valadares&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;(Obras Escolhidas, V. 1, Alfa-Omega)&lt;/p&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Contexto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Não é fácil ler o Que Fazer? Escrito de forma apaixonada e com espírito  polêmico, bem ao estilo de Lênin, o texto encerra todo um programa de construção  de partido e formas organizativas em determinadas condições históricas, ao tempo  em que formula princípios gerais de concepção de um partido revolucionário. Para  não se ter uma leitura dogmática de o Que Fazer? é preciso colocá-lo  historicamente, entender as forças em luta, os jornais da época e os  agrupamentos envolvidos. Lênin escreveu o Que Fazer? em meio a uma acirrada luta  político-ideológica, principalmente contra os economicistas, entre o outono de  1901 e janeiro de 1902, sendo publicado em março de 1902 em Stuttgart,  Alemanha.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O texto responde a problemas concretos, daí a citação de fatos, pessoas,  debates, quase pressupondo um conhecimento prévio do leitor da situação política  da Rússia czarista e das forças em luta. Por isso, ao situar o contexto da  época, vamos fazer uma espécie de glossário para explicar alguns termos usados  no texto.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Todas as  definições de termos, porque sucintas e tiradas a esmo dos textos, se não  acompanhadas de uma leitura mais ampla e do esforço de situá-las historicamente,  correm o risco do reducionismo. Portanto, não basta ficar nas definições. É  preciso ler o texto inteiro.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;No Prefácio Lênin  explica como e porque escreveu o Que Fazer? Assinale quais foram seus  objetivos.&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os Jornais&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Iskra&lt;/b&gt; (A Centelha) primeiro jornal clandestino de toda a Rússia,  fundado por Lênin no exterior e enviado secretamente ao país. Iskra desempenhou  importante papel no processo de coesão ideológica dos sociais-democratas russos  e na unificação das diversas organizações sociais-democratas dispersas, em um  partido marxista revolucionário. Depois da divisão do partido em bolcheviques e  mencheviques (Segundo Congresso do Partido Operário Social Democrata Russo -  POSDR, em 1903) os mencheviques tomaram o Iskra, que passou a chamar-se Nova  Iskra, deixando de ser um jornal revolucionário.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Rabótcheie Dielo&lt;/b&gt; (A Causa Operária) - revista da União dos  Sociais-Democratas Russos no estrangeiro, editado em Genebra entre abril de 1899  e fevereiro de 1902. O jornal, centro teórico-político do economicismo no  exterior, apoiava a concepção bernsteiniana de "liberdade de crítica" ao  marxismo, tomando posições oportunistas em questões da tática revolucionária e  da organização dos sociais democratas russos, bem como negando o papel  revolucionário dos camponeses. No II Congresso do POSDR os adeptos deste jornal  representavam a ala direita do partido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Rabótchaia Gazeta&lt;/b&gt; (Jornal Operário) - órgão clandestino dos  sociais-democratas de Kiev. Foram publicados somente 2 números. O I Congresso do  POSDR (março de 1898) reconheceu o jornal como órgão oficial do partido. O  terceiro número não saiu porque membros do Comitê Central e da redação foram  presos. Em 1899 tentou-se renovar sua publicação. No capítulo V, item a) do  livro Que Fazer? Lênin discute esta tentativa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Rabótchaia Misl&lt;/b&gt; (Pensamento Operário) - jornal dos economicistas,  publicado entre outubro de 1897 até dezembro de 1902. Lênin, em Que Fazer?  critica as posições do jornal, considerando-as como uma variante russa do  oportunismo internacional.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Os Grupos&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Grupo Emancipação do Trabalho&lt;/b&gt; - primeiro grupo marxista russo fundado  por Plekhánov, na Suíça em 1883, teve importante papel na propaganda do marxismo  na Rússia, combatendo o populismo e assentando as bases para o desenvolvimento  do movimento social-democrata na Rússia. No movimento internacional o grupo  representou a social-democracia russa desde o primeiro congresso da II  Internacional, realizado em Paris, 1889. No entanto, o grupo caiu em sérios  erros ao superestimar o papel da burguesia liberal e subestimar o papel  revolucionário dos camponeses. Tais erros foram o germe dos futuros pontos de  vista mencheviques, defendidos por Plekhánov e outros. Lênin considerava que o  Emancipação e Trabalho apenas "lançou os fundamentos teóricos da social  democracia e deu o primeiro passo ao encontro do movimento operário" (In: A Luta  Ideológica no Movimento Operário).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;União de Luta pela Emancipação da Classe Operária&lt;/b&gt; - organizada por  Lênin no outono de 1895, agrupava cerca de 20 círculos marxistas de Petersburgo.  Em dezembro de 1895 Lênin e vários militantes da União foram detidos e  confiscado o primeiro número do jornal Rabótcheie Dielo (que, reeditado em 1899,  veio a ser o porta-voz dos sociais democratas no estrangeiro, tendo sua redação  aderido ao bernsteinianismo e a posições economicistas). Da prisão, Lênin  continuou a dirigir a União através de escritos e panfletos cifrados. Foi nessa  época que escreveu a brochura Sobre as Greves e o Projeto e Explicação do  Partido Social-Democrata. Para Lênin, a União de Luta representou o germe do  partido revolucionário apoiado no movimento operário. Como Lênin e vários outros  fundadores da União de Luta ficaram muito tempo na Sibéria, idéias oportunistas  e economicistas começaram a influenciar a União de Luta, principalmente através  do jornal Rabótchaia Misl, cujos partidários tomaram a direção da União de Luta  a partir da segunda metade de 1898.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;União dos Sociais-Democratas Russos no Estrangeiro&lt;/b&gt; - fundada em 1894,  por iniciativa do grupo Emancipação do Trabalho. O I Congresso do POSDR (março  de 1898) reconheceu a União como representante do partido no exterior. Mais  tarde, predominaram na União os economicistas, caracterizados por Lênin como  oportunistas, que com eles travou acirrada luta. No seu II Congresso  (abril,1900, Genebra) houve uma cisão e foi criada uma organização  revolucionária independente a Sotsial-Demokrat, que a partir de outubro de 1901,  por proposta de Lênin, fundiu-se à seção estrangeira da organização do Iskra,  formando a Liga da Social Democracia Revolucionária no Estrangeiro, com o  objetivo de contribuir na criação de uma organização social-democrata de  combate. O II Congresso do POSDR (1903, Bruxelas e Londres) reconheceria a Liga  como única representante do partido no exterior, mas já aí, neste Congresso,  dava-se a cisão em torno da tática e da organização do partido entre os  bolcheviques - (maioria) - partidários de Lênin e da orientação iskrista - e os  mencheviques (minoria) - partidários das posições oportunistas, que embora  minoritários, continuaram atuando dentro do partido e das organizações no  estrangeiro, entrincheirando-se na Liga, que, em outubro de 1903, aprovou novos  Estatutos, contrários aos adotados pelo II Congresso do partido. A Liga passou  então a ser baluarte dos mencheviques no estrangeiro, continuando a atuar até  1905.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Note que este roteiro  caracteriza apenas alguns dos mais importantes grupos e jornais. A luta  ideológica era intensa, em meio à dura batalha política e o enfrentamento à  repressão czarista. A radicalidade histórica colocava diretamente na ordem do  dia o que fazer - quais as tarefas e quais os objetivos da luta revolucionária -  questões candentes, em torno das quais se posicionavam os  agrupamentos.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Ao  longo do texto você vai "sentir" o espírito e o clima febril de luta e  compreender como podiam surgir e ressurgir correntes aparentemente  derrotadas.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Siga com  cuidado as notas explicativas. Elas permitem um acompanhamento cronológico dos  acontecimentos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;As Correntes&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Bernsteinianismo&lt;/b&gt; - corrente representativa das idéias do alemão Eduard  Bernstein (1850-1932) que ingressara no Partido Social-Democrata dos  Trabalhadores Alemães em 1871, tornando-se marxista sob a influência de Marx e  Engels, a partir de 1880. Mas, entre 1896 e 1898, publica uma série de artigos  em que se propõe a rever aspectos do marxismo que considerava "superados" e "não  científicos", dando origem, assim, à concepção revisionista do marxismo, exposta  de forma mais acabada em Os Pressupostos do Socialismo e as Tarefas da Social  Democracia, (1899) que vem a ser a principal obra do revisionismo clássico.  Importantes questões do marxismo são negadas como o crescimento da concentração  industrial e a intensificação das crises econômicas, a pauperização crescente do  proletariado, argumentando a favor do "avanço constante" da classe operária e  rejeitando a teoria da luta de classes, daí a não necessidade da revolução e sim  das reformas gradativas no seio do capitalismo. Como conseqüência, também não  seria necessário um partido revolucionário, mas um "partido socialista,  democrático, de reforma". É de Bernstein a fórmula "o movimento é tudo, o  objetivo final é nada". Apesar da intensa luta que se travou no seio do Partido  Social Democrata da Alemanha, principalmente por parte de Bebel e Rosa de  Luxemburgo, e das críticas aprovadas pelo partido à concepção revisionista de  Bernstein, suas idéias continuaram circulando, atingindo todo o movimento  social-democrata internacional. Lênin, em Que Fazer?, critica cabalmente o  bernsteinianismo, matriz do economicismo, e das concepções revisionistas  posteriores.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Marxismo Legal &lt;/b&gt;- interpretação crítica e acadêmica do marxismo,  desenvolvida no seio da intelectualidade liberal burguesa da Rússia, no final do  século passado. Seus principais expoentes - Struve e Frank - dizendo-se  partidários do marxismo, limitavam-se a utilizá-lo como teoria explicativa da  evolução da história, especialmente enfatizando o papel progressista do  capitalismo na passagem da sociedade feudal para a capitalista. Para Struve o  objetivo do marxismo legal era "proporcionar uma justificação do capitalismo".  Os marxistas legais não entendiam o marxismo como ideologia mobilizadora da  classe operária, mantiveram-se afastados das organizações políticas da social  democracia, pregando, de certa forma, o abstencionismo político. Mas exerceram  grande atividade intelectual, principalmente através da imprensa legal. Em 1902  Struve assumiu a direção da primeira revista liberal da Rússia.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Economicismo&lt;/b&gt; - Lênin desenvolve este conceito em vários artigos  escritos entre 1899 e 1902, para designar os grupos que atuavam no movimento  social democrata russo separando as lutas políticas das lutas econômicas e dando  ênfase às econômicas. Para Lênin, representavam as idéias de Bernstein no seio  da social democracia russa. Definindo o economicismo como uma "tendência à  parte" no movimento social democrata, Lênin atribuía-lhe as seguintes  características: vulgarização do marxismo; limitação da luta e da agitação  política; incompreensão da necessidade de criar "uma organização forte e  centralizada de revolucionários". Em o Que Fazer? Lênin criticou polemicamente o  economicismo, caracterizando-o como uma corrente oportunista que não compreendia  o papel do elemento consciente no movimento espontâneo, limitando-se a uma  atitude de "subserviência à espontaneidade".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Para a elaboração  destas notas, além de o Que Fazer?, utilizou-se como fonte o Dicionário do  Pensamento Marxista, de Tom Bottomore, Zahar, RJ, 1988.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;O Texto&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;São 5 capítulos, cada qual com sub-itens, um prefácio, uma conclusão e um  anexo. O tom é extremamente polêmico e o conteúdo, situado historicamente, é de  grande sentido político-prático, muito embora estabeleça conceitos gerais de  largo alcance histórico. Aqui, vamos destacar tão somente alguns trechos de  alguns capítulos, mas o livro deve ser todo lido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques do Capítulo I - Dogmatismo e "Liberdade de  Crítica"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No item I a) Lênin:&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;desvenda o verdadeiro conteúdo da  palavra de ordem "liberdade de crítica", em voga na época e desmascara o  conteúdo das correntes que a pretexto de combater o "dogmatismo" no marxismo, na  realidade, queriam revê-lo e negar suas teses fundamentais.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;define quais as duas correntes em  luta&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; caracteriza o  bernsteinianismo&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; estabelece as  bases do "oportunismo"&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;» &lt;/span&gt;&lt;/b&gt;Assinale quais as  principais teses bernsteinianas que configuram a primeira versão do  revisionismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Item I d) Engels Sobre a Importância da Luta Teórica&lt;br /&gt;Como diz o próprio  título, aqui, Lênin retoma as idéias de Engels sobre a necessidade e o papel da  luta teórica, negada pelos economicistas&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques - (trechos do próprio texto)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A famosa "liberdade de crítica" não  implica a substituição de uma teoria por outra, mas a liberdade de prescindir de  toda a teoria coerente e refletida, significa ecletismo e falta de  princípios&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Muitas pessoas, muito  pouco preparadas teoricamente e (...) sem preparação alguma, aderiram ao  movimento pelos seus êxitos práticos e pelo seu significado prático&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Sem teoria revolucionária não pode haver também  movimento revolucionário&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) a  social-democracia russa tem tarefas nacionais como nunca teve nenhum outro  partido socialista do mundo. Mais adiante teremos de falar dos deveres políticos  e de organização que nos impõe esta tarefa de libertar todo o povo do jugo da  autocracia&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; De momento, queremos  simplesmente indicar que só um partido guiado por uma teoria de vanguarda pode  desempenhar o papel de combatente de vanguarda.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Engels reconhece na grande luta da social democracia não  duas formas (a política e a econômica) - como se faz entre nós - mas três,  colocando a seu lado a luta teórica. (grifos de Lênin)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Veja como Marx  condena o ecletismo na formulação dos princípios em Crítica ao Programa de  Gotha, Carta a Bracke, in Obras Escolhidas vol. 2, Marx, Engels, Alfa Ômega, SP,  pag. 207. Leia também o Prólogo de Engels (pág. 205)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A longa citação de Engels é do Prefácio à  Guerra Camponesa na Alemanha, in idem, pag. 201(trecho citado). Veja porque a  teoria desempenhou importante papel junto aos operários alemães. Compare  anotações com o livro Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, já  estudado e fichado.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Quais as razões enumeradas por Lênin da importância da teoria para a  social-democracia russa?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Capítulo II - A Espontaneidade das Massas e a Consciência da  Social-Democracia&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Neste capítulo Lênin discute a relação dialética existente entre o espontâneo  e o consciente e critica a submissão à espontaneidade do movimento de massas.  Considera que o elemento espontâneo movimenta-se em direção ao consciente, mas  que este, embora não possa abarcar totalmente o espontâneo, a ele não se  submete. Ao contrário, dá-lhe conteúdo e eleva-o ao patamar da luta  política.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques do item II a) Começo do Ascenso Espontâneo (trechos do  texto)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Há espontaneidade e  espontaneidade&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; O  "elemento espontâneo" não é mais do que a forma embrionária do consciente&lt;br /&gt;ü  Dissemos que os operários nem sequer podiam ter consciência social-democrata.  Esta só podia ser introduzida de fora (...)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) na Rússia, a doutrina teórica da  social-democracia surgiu de uma forma completamente independente do ascenso  espontâneo do movimento operário; surgiu como resultado natural e inevitável do  desenvolvimento do pensamento entre os intelectuais revolucionários  socialistas&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Assim,  existiam, ao mesmo tempo, o despertar espontâneo das massas operárias, despertar  para a vida consciente e para a luta consciente, e uma juventude revolucionária,  que, armada com a teoria social-democrata, se orientava com todas as suas forças  para os operários&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Note que Lênin analisa historicamente o processo de formação da consciência em  estreita relação com o movimento espontâneo. Não se trata aqui, da discussão  filosófica da relação ser/consciência.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Veja como e porque os exemplos das greves de 1890 na Rússia  corroboram as teses de Lênin sobre a dialética  espontâneo/consciente.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; O que você entendeu quando Lênin se refere a " consciência  tradeunionista" ? E "consciência social-democrata"?&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Embora considerando o "termo demasiado estreito para exprimir o seu  conteúdo", Lênin, nos itens seguintes, faz uma crítica radical do economicismo  enquanto tendência que tentava dar um "fundamento teórico à sua submissão servil  e ao seu culto da espontaneidade".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques do item II b) Culto da Espontaneidade. O "Rabótchaia  Misl"&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Criticando as posições e algumas frases dos redatores do jornal "Rabótchaia  Misl" Lênin diz:&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) em vez de se  exortar a marchar para a frente, a consolidar a organização revolucionária e a  alargar a atividade política, incitou-se a voltar para trás , para a luta  exclusivamente tradeunionista (grifo de Lênin)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) isto era suprimir por completo a  consciência pela espontaneidade,(...)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Acompanhe com cuidado a discussão entre as duas tendências  que se formaram na social-democracia russa.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Assinale quais as frases do jornal "Rabótchaia  Misl" criticadas por Lênin e analise seu conteúdo&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Situando " três circunstâncias que nos serão de grande utilidade para a  análise das divergências atuais" (da época), Lênin aponta a força e a influência  da ideologia burguesa sobre o movimento espontâneo:&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) tudo o que seja inclinar-se perante a  espontaneidade do movimento operário, tudo o que seja diminuir o papel do  "elemento consciente", o papel da social-democracia, significa -  independentemente da vontade de quem o faz - fortalecer a influência da  ideologia burguesa sobre os operários (grifos de Lênin)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Uma vez nem sequer se pode falar de uma  ideologia independente elaborada pelas próprias massas operárias no decurso do  seu movimento**, o problema põe-se unicamente assim: ideologia burguesa ou  ideologia socialista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Veja que em nota de  pé de página ** Lênin ressalva: "isto não significa, naturalmente, que os  operários não participam nessa elaboração. Mas não participam como operários,  participam como teóricos do socialismo (...) só participam no momento e na  medida em que consigam dominar, em maior ou menor grau, a ciência de sua época e  fazê-la progredir".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) na sociedade  dilacerada pelas contradições de classe, não pode nunca existir uma ideologia à  margem das classes ou acima das classes.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) tudo o que seja rebaixar a ideologia socialista, tudo  o que seja afastar-se dela significa fortalecer a ideologia burguesa&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Mas por que razão (...) o  movimento espontâneo, o movimento pela linha de menor resistência, conduz  precisamente à supremacia da ideologia burguesa? Pela simples razão de que a  ideologia burguesa é muito mais antiga pela sua origem do que a ideologia  socialista, de que está mais completamente elaborada e possui meios de difusão  incomparavelmente mais numerosos.*&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Em nota de pé de  página * Lênin acrescenta: "diz-se freqüentemente: a classe operária tende  espontaneamente para o socialismo. Isto é perfeitamente justo no sentido de que  a teoria socialista, com mais profundidade e exatidão do que qualquer outra,  determina as causas dos males de que padece a classe operária e é precisamente  por isso que os operários a assimilam com tanta facilidade, desde que esta  teoria não retroceda ela mesma ante a espontaneidade, desde que submeta a si a  espontaneidade".&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  Leia, com atenção, a longa citação de Kautsky sobre o surgimento da teoria  socialista. Note que Lênin coloca-a justamente para responder àqueles que "se  ajoelhavam perante a espontaneidade", e não compreendiam que justamente a  espontaneidade das massas exige dos socialistas "uma elevada  consciência".&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Observe  que Lênin cita Kautsky para ressaltar o conteúdo político da gênese histórica da  teoria socialista, não para significar um processo perpétuo de separação  mecânica entre o que vem "de fora" - a teoria - e o que se constrói "de dentro"  - o movimento espontâneo. Ao contrário, para Lênin, há uma relação dialética em  constante desenvolvimento entre o espontâneo e o consciente, o que se percebe  pela maneira como Lênin situa as divergências no seu contexto histórico, pelos  exemplos citados, pelas ressalvas e notas.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Note que permeia sempre em toda a elaboração  de Lênin um elemento ativo, que nada tem a ver com qualquer atitude  contemplativa da teoria "pairando" sobre a classe .&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Sobre a polêmica espontâneo/consciente e a  gênese da teoria socialista leia também o artigo de Loreta Valadares, Qual  Partido? In Princípios n.23, nov/dez/jan 91/92, página 27&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Capítulo III - Política Trade-Unionista e Política  Social-Democrata&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Neste capítulo nota-se com muita ênfase o elemento ativo sempre presente em  Lênin na formulação de conceitos e aspectos básicos para um programa de  construção partidária, respondendo a questões concretas postas pela luta  política e pelas condições históricas. Em síntese, Lênin:&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Demonstra a essência do conceito  de economicismo&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Situa  as diferenças entre luta econômica e luta política&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Caracteriza o conteúdo e o papel da agitação e  da propaganda, estabelecendo seus diferentes níveis e alcance&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Define as bases da educação  política revolucionária&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Explicita o conceito político de vanguarda&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques do item III c) As Denúncias Políticas e a "Educação da  Atividade Revolucionária" (trechos do texto)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A consciência da  classe operária não pode ser uma verdadeira consciência política se os operários  não estão habituados a reagir contra todos os casos de arbitrariedade e  opressão, de violências e abusos de toda espécie, quaisquer que sejam as classes  afetadas (...)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A  consciência das massas operárias não pode ser uma verdadeira consciência de  classe se os operários não aprenderem, com base em fatos e acontecimentos  políticos concretos e, além disso, necessariamente de atualidade, a observar  cada uma das outras classes sociais em todas as manifestações de sua vida  intelectual, moral e política.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) estas denúncias políticas que abarcam todos os  aspectos da vida são uma condição indispensável e fundamental para educar a  atividade revolucionária das massas&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) não é muito inteligente dizer (...) que a tarefa dos  sociais-democratas é imprimir à própria luta econômica um caráter político; isso  não é mais do que um começo, não é a tarefa principal dos sociais-democratas,  porque no mundo inteiro (...) é a própria polícia quem, muitas vezes, começa a  imprimir à luta econômica um caráter político, e os próprios operários aprendem  a compreender ao lado de quem está o governo.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) a tarefa dos sociais democratas não se  limita à agitação política no domínio econômico; a sua tarefa é transformar esta  política tradeunionista em uma luta política social-democrata, aproveitar os  vislumbres de consciência política que a luta econômica fez penetrar no espírito  dos operários para elevar estes à consciência política  social-democrata.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; O  que distingue a luta econômica da luta política?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Qual o alcance e o conteúdo da agitação e da  propaganda?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Qual a  qualidade essencial da educação política revolucionária?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A partir das respostas a estas  questões e da leitura com atenção dos itens a), b) e c) deste capítulo você pode  dizer qual o papel dos intelectuais no processo revolucionário?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques do item III e) A Classe Operária como Combatente de  Vanguarda pela Democracia (trechos do texto)&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A luta econômica  "leva" os operários a pensar unicamente nos problemas relacionados com a atitude  do governo em relação à classe operária; por isso, por mais que nos esforcemos  na tarefa de "imprimir à própria luta econômica um caráter político", nunca  poderemos, dentro dos limites de tal tarefa , desenvolver a consciência política  dos operários (até o grau de consciência política social-democrata) porque esses  próprios limites são estreitos.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A consciência política de classe não pode ser levada ao  operário senão do exterior, isto é de fora da luta econômica, de fora da esfera  das relações entre operários e patrões. A única esfera em que se pode obter  estes conhecimentos é na esfera de todas as classes entre si.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Para levar aos operários  conhecimentos políticos , os sociais-democratas devem ir a todas as classes da  população, devem enviar para toda a parte destacamentos do seu  exército.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Devemos "ir  a todas as classes da população" como teóricos, como propagandistas, como  agitadores e como organizadores.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) não basta intitular-se "vanguarda", destacamento  avançado: é preciso proceder de modo a que todos os outros destacamentos vejam e  sejam obrigados a reconhecer que marchamos à cabeça.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Só o partido que organize campanhas de  denúncias realmente dirigidas a todo o povo poderá tornar-se, nos nossos dias,  vanguarda das forças revolucionárias.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Para chegar a ser uma força política (...) é necessário  trabalhar muito e obstinadamente para elevar o nosso grau de consciência , o  nosso espírito de iniciativa e a nossa energia; para isso não basta colar o  rótulo de "vanguarda" numa teoria e prática de retaguarda.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) ampla agitação política  multiforme (...) realizada por um partido que reúne, num todo indivisível, a  ofensiva em nome de todo o povo contra o governo, a educação revolucionária do  proletariado, salvaguardando ao mesmo tempo a independência política deste, a  direção da luta econômica da classe operária e a utilização dos seus conflitos  espontâneos com os seus exploradores, (...)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Observe que o conceito de vanguarda é um  conceito político e não se coloca acima da classe, nem significa ação do partido  no lugar das massas ("substituísmo", que é um risco real!)&lt;br /&gt;Ø Sobre a  discussão dos riscos do " substituísmo", pesquise sobre a polêmica entre Lênin e  Rosa de Luxemburgo (veja indicações bibliográficas ao final das  fichas)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Relacione a  concepção leninistas de partido de vanguarda com a distinção feita por Marx e  Engels entre proletários e comunistas no Manifesto do Partido Comunista  (capítulo II)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; O que  Lênin quer dizer com "consciência política que vem de fora da esfera das  relações entre patrões e operários?&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Recorde a discussão feita no capítulo I d) sobre o papel da  luta teórica e compare os conceitos "teoria de vanguarda" e "partido combatente  de vanguarda".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Capítulo IV - O Trabalho Artesanal dos Economicistas e a Organização dos  Revolucionários&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Neste capítulo Lênin aprofunda a crítica às concepções estreitas dos  economicistas não só no terreno da política, mas também no da organização. Aqui,  partindo de condições históricas concretas, Lênin fornece as indicações básicas  para a construção de um partido revolucionário de combate.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;No item IV c) - A Organização de Operários e a Organização de  Revolucionários, Lênin, situando as divergências com os economicistas quanto às  tarefas de organização, apresenta as principais características que distinguem  uma organização de operários (sindical, ou outra), de uma organização  social-democrata (revolucionária, partido político revolucionário).&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;É também neste item que Lênin pinta em cores vivas as condições históricas da  construção de formas organizativas clandestinas e coesas, em países autocráticos  onde prevalece a repressão, ou de formas organizativas mais amplas e abertas, em  países onde prevalece a liberdade política.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Aqui se encontra também a famosa discussão sobre "revolucionários  profissionais", complementada pelo item seguinte IV d)&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques do item IV&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A luta política da  social-democracia é muito mais ampla e mais complexa do que a luta econômica dos  operários contra os patrões e o governo.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) a organização de um partido social-democrata  revolucionário deve ser, inevitavelmente, de um gênero diferente da organização  de operários para a luta econômica.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; A seguir Lênin estabelece as características de uma  organização operária, distintas das de uma organização revolucionária. Anote e  faça você mesmo (a) o fichamento destas características.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Nos países que gozam de liberdade  política, a diferença entre a organização sindical e a organização política é  perfeitamente clara (...) na Rússia, contudo, o jugo da autocracia apaga, à  primeira vista, qualquer distinção entre a organização social-democrata e as  associações operárias porque todas as associações operárias e todos os círculos  estão proibidos, e a greve, principal manifestação da luta econômica dos  operários, é considerada em geral como um crime de direito penal (por vezes  mesmo como um delito político!)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Para Lênin, estas condições políticas forjam os fundamentos  indispensáveis para a construção de uma organização revolucionária, com um  núcleo de revolucionários profissionais.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) não pode haver movimento revolucionário sólido sem uma  organização estável de dirigentes que assegure a continuidade (...)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Note que Lênin não elimina o  trabalho político amplo, nem propõe que a organização revolucionária substitua  ("pense por todos") o movimento. Aqui se situa também a discussão entre trabalho  legal e clandestino.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;  (...) A centralização das funções clandestinas da organização não implica (...)  a centralização de todas as funções do movimento.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Alguns destaques do item IV e) Envergadura do Trabalho de  Organização&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) nossa atenção  deve voltar-se principalmente para elevar os operários ao nível dos  revolucionários e não para descermos nós próprios infalivelmente ao nível da  "massa operária", como querem os "economicistas".&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) o que me indigna é essa constante  mistura de pedagogia com as questões políticas, com as questões de  organização.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; (...) o  reduzido alcance do trabalho de organização está (...) intimamente relacionado  (...) com a redução do alcance de nossa teoria e das nossas tarefas  políticas.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Relacione  os destaques acima com a observação que o nosso partido vem fazendo sobre o  "descompasso político e ideológico/organizativo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Não esqueça!&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Embora situado no contexto da época de um país autocrático (a Rússia) e de  uma acirrada luta ideológica contra o oportunismo político (os economicistas),  Que Fazer? apresenta os elementos fundamentais e estabelece princípios gerais  para a construção de um "partido de novo tipo", marxista-leninista.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;A teoria de partido elaborada por Lênin, cujos fundamentos se encontram em  Que Fazer?, não é uma receita pronta a ser aplicada. O entendimento estático na  concepção de partido levou a erros irreparáveis na construção dos partidos nas  experiências socialistas derrotadas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O último capítulo do Que Fazer? é dedicado à discussão de um plano de um  jornal político - o Iskra - em torno do qual se unificaria o partido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Reflita e discuta&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Quais os elementos essenciais da teoria marxista-leninista de  partido?&lt;br /&gt;Quais as polêmicas atuais sobre a concepção de partido?&lt;br /&gt;Na  realidade do movimento sindical, hoje, como entender a relação entre o  espontâneo e o consciente?&lt;br /&gt;O que significa o "risco do substituismo"?&lt;br /&gt;Qual  o papel da imprensa partidária? Hoje, ainda cabem a agitação e a propaganda?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Não deixe de ler&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Um Instrumento Político de Tipo  Novo: O Partido Leninistas de Vanguarda, Monty Johnstone, in Hobsbawm, História  do Marxismo, vol. 6, Editora Paz e Terra, RJ, 1988&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Questões de Organização da Social  Democracia Russa, Rosa Luxemburgo, in A Revolução Russa, Editora Vozes,  Petrópolis, 1991&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Comunismo e o Estado, Luís  Fernandes, in Princípios n.21, 1991&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;O Canto da Sereia de Um Partido  para "Todos", Rogério Lustosa, in Princípios n.19&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Qual Partido?, Loreta Valadares,  in Princípios, n.23, 1992&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:78%;color:#ff0000;"&gt;»&lt;/span&gt;&lt;/b&gt; Sobre a polêmica com Rosa Luxemburgo, há um  texto de Lênin, no volume 7 das Obras Completas, edição traduzida da edição  russa e ainda o texto Sobre o Folheto de Junius, in Obras Escogidas en Doce  Tomos, tomo VI, Editorial Progreso, Moscú, 1976.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;O Que Fazer? - Vladimir Lênin&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Loreta Valadares&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Escrito no início do século XX (1902), que significado poderá ter o Que  Fazer?, hoje, justamente à entrada do novo milênio? Mais ainda, face à derrota  de experiências socialistas iniciadas neste século que finda e à falência dos  partidos que as dirigiram, pode-se ler o Que Fazer? com os olhos da atualidade?  Incrível, mas é Lênin mesmo quem fornece os indicadores para responder a estas  questões no Prefácio da Recompilação "Em Doze Anos" (recompilação de artigos de  Lênin, publicada em 1908), quando diz que "o principal erro em que incorrem as  pessoas que na atualidade polemizam com Que Fazer? consiste em que separam por  completo este trabalho de determinadas condições históricas, de um período  determinado do desenvolvimento de nosso partido (...)". O livro representa,  segundo Lênin, ainda no Prefácio de "Em Doze Anos", "o resumo da tática e da  política de organização do Iskra" para a unificação dos círculos e grupos  isolados, quando a tendência predominante no movimento operário era o  economicismo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Que Fazer? é a síntese de uma intensa e apaixonada luta contra aqueles que  defendiam a submissão ao espontaneísmo das massas e queriam confinar o movimento  operário nos limites da luta econômica. Tem como alvo certeiro os que  subestimavam a teoria e menosprezavam o papel do partido na elevação da  consciência política das massas. "Corrige polemicamente o economicismo", a "nota  forçada dos economicistas", daí a necessidade de acentuar o papel da organização  de revolucionários profissionais, de dar ênfase à formação da consciência  política ao exterior da luta econômica. Lênin considerava "rídiculas" as  críticas que, anos após a publicação do Que Fazer?, eram feitas "ao exagero da  idéia da organização de revolucionários profissionais", porque estavam fora do  período histórico da construção do partido. Quanto à relação  espontâneo/consciente, Lênin recusou a manobra de Plekhánov que, usando frases  soltas, fora do contexto, queria retomar a polêmica em termos filosóficos,  (relação ser/consciência), quando o tratamento dado em Que Fazer ? é  político-ideológico.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;É, portanto, no próprio Que Fazer? que está indicada a necessidade de sua  leitura política. Fazê-lo, sob a ótica da historiografia política significa não  somente retrazer velhas polêmicas, mas com elas polemizar nas novas condições  históricas. Significa retomar a análise dos problemas centrais da concepção de  partido, libertar a teoria leninistas de partido do confinamento a que ficou  reduzida, tendo presente que as questões relativas ao partido devem ser  entendidas em seu desenvolvimento dialético e que a teoria de partido precisa  estar em permanente elaboração.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Foi a compreensão rígida e absolutista das teses de Que Fazer? e alguns  outros trabalhos de Lênin que levaram ao engessamento da concepção de partido  nas experiências socialistas, que sequer levaram em conta que no conjunto de sua  obra sobre a teoria de partido, Lênin alternadamente favoreceu, de acordo com as  condições históricas de países diferentes, ou um partido conspirativo de quadros  ou um grande partido democrático de massas, conforme assinala Monty Johnstone .  Assim, em Lênin não há apenas um modelo rígido de partido.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Predominou sempre em Lênin (e isto perpassa todo o conteúdo do Que Fazer?) a  febril presença de um elemento ativo no processo de elaboração da teoria de  partido, que revela estreita relação entre teoria e prática na construção do  partido. É por isso que não se pode ver a teoria leninistas de partido apenas  como um sistema de normas organizativas, prontas a serem aplicadas. Porque  elaborada ao calor das lutas ideológicas e levando em conta as avaliações  políticas concretas, a concepção leninistas de partido faz emergir conceitos e  princípios que fundamentam uma política de construção de partido ainda hoje  insuperáveis.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Em Que Fazer? vamos encontrar estes fundamentos, de caráter  político-ideológico (mais tarde Lênin irá trabalhar sobre os princípios  organizativos em Um Passo Adiante, Dois Atrás), que revelam o caráter de classe  do partido e sua oposição a toda e qualquer forma de oportunismo. Tais  fundamentos são: o conceito político de vanguarda e a idéia da fusão da teoria  socialista com o movimento espontâneo da classe operária (em matéria de  organização, Lênin mais tarde irá desenvolver a dialética  centralismo-democracia). São estes os fundamentos sobre os quais se pode  assentar uma política de construção de partido, alheia a qualquer tipo de  concepção fatalista - ao avanço da classe corresponde necessariamente o  fortalecimento do partido - ou dogmática - o partido se constrói a partir de  regras orgânicas pré-fixadas, independentemente das condições históricas e  políticas.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Nem dogmatismo, nem fatalismo em Que Fazer? Foi sua leitura dogmática e não  política que levou a distorções na concepção de partido ao longo do movimento  comunista internacional. Pois foi justamente contra a ossificação dogmática que  Lênin dirigiu suas últimas idéias em Que Fazer? Após escrever "é preciso  sonhar", Lênin logo diz que se assustou imaginando uma situação no "congresso de  unificação" em que alguns camaradas poderiam questionar o direito de sonhar "sem  prévia autorização dos comitês do partido" ou se "algum marxista teria o direito  de sonhar", já que "segundo Marx a humanidade sempre pôs perante si tarefas  realizáveis"... Lênin diz que só de pensar nestas perguntas pensa logo em se  esconder. E se esconde atrás de Píssarev (crítico literário e filósofo  materialista russo) que elabora aquela conhecida idéia sobre a relação entre  sonho e realidade: "...o desacordo entre o sonho e a realidade nada tem de  nocivo, sempre que a pessoa que sonhe acredite seriamente no seu sonho, observe  atentamente a vida, compare as suas observações com os seus castelos no ar e, de  uma maneira geral, trabalhe escrupulosamente para a realização de suas  fantasias. Quando existe um contato entre o sonho e a vida, tudo vai bem".&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;p style="font-family: arial; text-align: justify;"&gt;Hoje, como ontem, a questão de partido continua sendo chave na luta contra a  burguesia mundial. É certo que o partido hoje necessita dar novas e avançadas  respostas aos novos e grandiosos problemas postos pelas condições históricas de  um mundo globalizado e neoliberal. Não pode ter, certamente, as mesmas feições  do partido do tempo de Lênin, mas colocando-se a questão de partido no bojo da  luta contra o neoliberalismo, e baseado em princípios, podemos sonhar com "um  partido marxista-leninista, de feição moderna, capaz de realizar a grande  política destinada a mudar os rumos do país".&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2155805495448526235-7528305504705113009?l=formacaosocialista.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/feeds/7528305504705113009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=2155805495448526235&amp;postID=7528305504705113009' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/7528305504705113009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2155805495448526235/posts/default/7528305504705113009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://formacaosocialista.blogspot.com/2008/06/que-fazer-vladimir-lnin.html' title='Que Fazer? - Vladimir Lênin'/><author><name>JSB Bahia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='23' src='http://bp1.blogger.com/_NPl9NROdixQ/SFcEfdUTADI/AAAAAAAAAAM/jADNBWwsogs/S220/JSB.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
